[#Review] Liga da Justiça nos faz acreditar na Esperança

O mundo precisa do Superman? Nós precisamos de esperança? O que pode inspirar a humanidade? Essas são as perguntas que permeiam o filme da Liga da Justiça, que teve pré-estreia no dia de hoje em todo o Brasil. A película que junta alguns dos maiores personagens da DC para lutar contra um mal milenar cósmico serve para mostrar que sempre existe um motivo para lutar.

Liga da Justiça é a sequência de Batman vs Superman – A Origem da Justiça (2016). Conta com a direção de Zack Snyder, roteiro de Chris Terrio e Joss Whedon. Um filme que passou por vários percalços, já que Snyder teve que lidar com uma tragédia familiar e acabou se afastando do projeto, deixando espaço para Whedon tomar a frente e finalizar o longa, gravando cenas extras para fechar pontas soltas da história.

Quando falamos de Liga da Justiça, automaticamente lembramos dos maiores heróis da Terra lutando contra seres cósmicos e defendendo o planeta das maiores ameaças do universo. O filme de Snyder e Whedon não faz diferente. A história que acompanhamos se passa logo após BvS; Superman está morto e o Batman está em uma cruzada para se redimir dos erros que cometeu com o azulão. Utilizando-se dos estudos de Lex Luthor, Bruce Wayne percebe que o mundo está correndo um grande perigo e precisa recrutar heróis para trabalhar com ele para salvar o mundo de um ser chamado Lobo da Estepe e de seu exército de parademônios.

Lobo da Estepe: o grande vilão da Liga da Justiça.
Lobo da Estepe: o grande vilão da Liga da Justiça.

Com essa missão em mente, Bruce Wayne se junta novamente com Diana Prince/Mulher-Maravilha e viaja o mundo recrutando Barry Allen/Flash, Victor Stone/Ciborgue e Arthur Curry/Aquaman, seres superpoderosos para ajudarem nessa gigantesca tarefa de defender o mundo.

O longa tem uma estrutura bastante simples de reunião e aventura de heróis. O primeiro ato ambienta o espectador, apresenta os novos personagens da história e nos situa acerca do que aconteceu com os de filmes anteriores. Ao mesmo tempo, ele introduz o plot das Caixas Maternas, que são o objetivo do vilão cósmico, que também pretende terraformar o planeta. No segundo ato, encontro e interação dos personagens; e, no terceiro, resolução da aventura. Isso sendo bem simplista (e para não dar spoilers nessa resenha).

Temos o total oposto do tom de filme do BvS quando falamos de Liga da Justiça. Enquanto um era bastante soturno e sombrio, o outro tenta ser mais solar e um pouco mais leve que seu antecessor. Para que a película tivesse esse tom, foram adicionadas piadas para aliviarem a tensão da história.

Nesse quesito, sobram improvisos e comentários sarcásticos para todos os personagens. Mas o grande alívio cômico é o Flash, o protagonista de alguns dos momentos mais engraçados do filme. O que pode incomodar, em certo ponto, quem esperava um pouco mais de fidelidade para algumas personas é o peso de alguns gracejos.

Sabendo da qualidade de Zack Snyder em fazer cenas de ação, pudermos ver cenas bastante épicas e bem construídas. Várias delas foram inspiradas em quadrinhos conhecidos dos fãs. Entretanto, os acabamentos das cenas de CGi ficaram abaixo do que esperamos de um filme desse tamanho, ficando algumas vezes bem perceptível que estamos vendo elementos modelados por computação gráfica.

O grande acerto de Liga da Justiça são seus protagonistas. A química existente entre Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Aquaman e Ciborgue é excelente. Os personagens funcionam muito bem juntos. São vários diálogos com sacadas interessantes e humanizando muito esses seres poderosos, que muitas vezes têm problemas tão mortais. Diana Prince é a líder de um grupo de guerreiros lutando pela Terra; Batman é um estrategista; Flash é o fã trabalhando com seus ídolos; o Aquaman é o tanque de guerra da equipe. Dentre todos heróis, Vic Stone parece ser um pouco abaixo dos outros, por conta de ter menos tempo de tela. Isso pode ser impacto do alto custo para fazer cenas com um personagem que utiliza muito recursos gráficos.

Os leitores de longa data da DC Comics vão perceber muitas influências de histórias da equipe das fases escritas por Grant Morrison, Mark Waid, Geoff Johns, Len Wein e das HQs de Terra 2 que eram escritas por James Robinson — a invasão de Parademônios e do Lobo da Estepe é bastante fiel a esse gibi, que foi lançado durante o período dos Novos 52. Ainda existem alguns easter eggs que vão deixar os fãs alvoroçados, como a aparição de Lanternas Verdes e algumas frases faladas diversas vezes nas HQs.

Em contraponto ao tom mais solar do filme, talvez uma das coisas que mais me incomodou nele é o seu ritmo. O filme, que foi encurtado para ter apenas 120 minutos, fez com que alguns momentos dos trailers ficassem de fora e alguns elementos do longa fossem apresentados e resolvidos em instantes, deixando algumas soluções muito superficiais, causando até algum estranhamento por frases serem ditas sem contexto, ou personagens falando algumas coisas que somente fãs de quadrinhos etariam aptos para captar a referência. Isso também fez um grande mal para apresentação do vilão do filme. Lobo da Estepe é um personagem bidimensional, simples, sem profundidade nenhuma. Ele é mau, você não sabe a quem ele segue, o que ele quer realmente.

Mas agora vocês estão se perguntando: e o Superman?

Durante todo o filme falam e comentam sobre o Superman. Sim, ele volta, retorna para salvar o dia e nos faz entendermos porque o mundo precisava do Azulão. Se você achou que nos outros dois filmes o personagem estava muito travado, em Liga da Justiça, Henry Cavill se mostra mais confortável com o personagem. Sorri, salva pessoas, inspira e acredita em seus amigos. É uma das coisas que deixa o fã de quadrinhos com um grande sorriso no rosto.

Liga da Justiça conta com duas cenas extras. Uma bastante inspirada na Era de Prata dos quadrinhos e a segunda dando indicação da ameaça que a equipe vai enfrentar no próximo filme.

Não tenha medo! Liga da Justiça é um filme divertido, consegue entregar uma aventura com personagens bem construídos, com destaque para a nova roupagem do Superman. Há algumas falhas, mas ele não deixa de trazer sorrisos e bem-estar com a mensagem de esperança e de acreditar na humanidade.


Liga da Justiça chega em novembro aos cinemas. Estão nele Ben Affleck (Batman), Henry Cavill (Superman), Amy Adams (Lois Lane), Gal Gadot (Mulher-Maravilha), Jason Momoa (Aquaman), Ezra Miller (Flash), Ray Fisher (Cyborg), Jesse Eisenberg (Lex Luthor), Jeremy Irons (Alfred Pennyworth), Diane Lane (Martha Kent), Connie Nielsen (Rainha Hipólita) e J. K. Simmons (Comissário Gordon).

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