[Review] Conheça os novos Jetsons da DC

O “cantinho” criado pela DC para o material licenciado Hanna-Barbera em sua linha de quadrinhos no último ano foi uma das decisões mais acertadas da editora desde a ideia do Renascimento. Unindo profissionais competentes com um certo grau de liberdade criativa, além de prazos confortáveis e formatos revigorados de publicações, a linha baseada nas marcas de desenhos animados que todos aprendemos a amar vem prosperando a olhos vistos, tanto comercialmente quanto em termos de crítica.

Uma das franquias mais icônicas do rol da Hanna-Barbera, no entanto, permanecia intocada até o presente momento, quando, no segundo semestre de 2017, surge o novo título dos Jetsons em uma minissérie em seis edições que começa a ser publicada agora. Com roteiros do experiente Jimmy Palmiotti, arte de Pier Brito e colorização de Alex Sinclair, a editora transforma novamente uma marca criada nos anos 1970 em um produto atual e instigante.

Ao contrário do que se possa imaginar, a primeira edição de Jetsons está longe de ser uma espécie de Black Mirror em forma de quadrinhos. Apesar de tratar de temas sociais controversos em uma sociedade futurista como a série britânica, o roteiro de Palmiotti tem um tom muito mais ameno e uma apresentação bem mais leve.

A primeira edição é distribuída em basicamente três núcleos narrativos independentes: George Jetson e sua relação conturbada de trabalho nas indústrias Spacely, Elroy Jetson em uma busca por um artefato misterioso em uma aventura subaquática com sua amiga Lake Cogswell e, finalmente, a personagem que tem mais destaque é Jane Jetson, agora uma renomada cientista tratando de temas que ameaçam a própria existência deste novo planeta Terra.

A decisão de Palmiotti por tornar Jane quase que um Senhor Fantástico neste quadrinho mostra-se acertada logo na primeira cena da personagem. Para os que se recordam, a Jane nos antigos desenhos era basicamente uma administradora de casa na família, com pouca oportunidade de maior destaque narrativo. Aqui, Jane e George tem a mesma relação de amor e carinho dos desenhos, porém com uma Jane muito mais atual e relevante que no material original.

Valendo-se principalmente das cenas com Elroy e Jane, o roteiro faz as devidas explicações sobre o contexto global do universo de Jetsons. Tudo que você precisa saber sobre o planeta Terra está descrito em menos de três páginas neste quadrinho. Um grande mérito do roteiro.

Os diálogos de Palmiotti não tem momentos marcantes mas atendem perfeitamente a seu roteiro, sem apelar para piadas gratuitas, tampouco para a verborragia ou panfletagem social. A cena entre George e sua mãe é uma das mais bem escritas da edição de estreia e toca um grande dilema da ficção científica de maneira leve e compelente.

O gancho — e o próprio tema proposto por Palmiotti como motor da história — é bastante manjado. Judy, filha mais velha dos Jetsons, tem pouquíssimo espaço para aparecer na edição de estreia. Dois pontos fracos deste roteiro.

O design dos personagens e cenários proposto por Pier Brito nesta edição de estreia não contribuem tanto quanto deveriam para uma apresentação que, teoricamente, deveria encher os olhos do leitor a primeira vista. Em termos de histórias futuristas, é bem difícil fazer algo original e o ilustrador até tem boa ideias, como o design de Rose. No entanto, em geral, a apresentação de Jetsons não é algo que possa ser considerado memorável. A arte não chega a incomodar, mas também não agrega valor algum a este produto em sua primeira edição.

A primeira edição de Jetsons tem o mérito de atualizar com sucesso uma franquia claramente datada usando ideias de reimaginação de elenco muito pertinentes. Outro ponto positivo é a construção muito natural com poucas páginas de todo um universo futurista que tem sim seus problemas, mas não envereda para o lado deprimente e sombrio. Por outro lado, o roteiro é bastante manjado, não tem um gancho lá muito original e nem algum tipo de reviravolta que mantenha o interesse em uma segunda edição. O saldo final é positivo para a linha Hanna-Barbera e, provavelmente, lendo toda a minissérie em uma só tacada, o leitor poderá se divertir com o material proposto por Palmiotti para esta marca tão adorada.

Comente

Clique para comentar

19 + 14 =

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com