Reparos: a nova HQ de Brão Barbosa

O artista Brão Barbosa chega em novembro com seu mais novo gibi. Intitulado Reparos, o seu novo trabalho é um recorte sobre aceitação e como as pessoas devem lidar com as diferenças e reparar os erros da vida.

A HQ financiada pelo ProAc de 2016 é o terceiro trabalho de Barbosa, que já havia lançado as HQs Jesus Rocks (2011) e Feliz Aniversário Minha Amada (2013). Para Reparos, o autor criou um podcast que acompanhar toda a produção do quadrinho. Você pode escutar nesse link.

Reparos é uma HQ que comenta muito sobre autodescobrimento e acompanha o amadurecimento de Eunice, uma jovem que tem a ciência no sangue e precisa aprender a reparar máquinas, mas também erros da sua vida. Barbosa, também traz nesse relato um conteúdo autobiográfico, já que esse gibi fala muito da sua relação com o avô. A obra já está à venda no site do autor e você pode adquirir aqui.

O Terra Zero conversou rapidamente com o autor, perguntando sobre suas ideias, referências e como foi o amadurecimento do seu trabalho.


Terra Zero: Reparos é um recorte de um período de descobertas para crianças. Você diria que é uma época mais pura, na qual os medos podem ser vencidos mais facilmente?

Brão Barbosa: Mais pura talvez, mas acho que é onde os medos são vencidos com maior dificuldade. Afinal, quando adultos já temos uma certa bagagem de conquistas. A infância é recheada de primeiras descobertas, que nos apavora a cada curva em esquina desconhecida.

O seu trabalho explora a vida de Eunice, uma garota curiosa que acaba descobrindo o amor por reparar as coisas. A mensagem é que podemos fazer reparos na vida o tempo inteiro?

Certamente. Tenho escrito na maioria das dedicatórias “todas as coisas são passíveis de reparos”. Um dos aspectos que eu mais demorei a aprender (e ainda estou aprendendo) é aceitar erros, aprender a aceitar novos rumos não planejados e que pessoas têm peculiaridades que nem sempre vão nos agradar. E foi uma das muitas coisas que aprendi diretamente e indiretamente com meu avô, que é homenageado na história.

É perceptível que a construção de amizade entre Eunice e o Sr. Ravid é inspirada na sua com seu avô. Fale um pouco dessa amizade, como ele inspirou essa HQ?

Como eu digo no podcast que gravei contando os bastidores da produção, meu avô era uma pessoa bem peculiar, daquelas que te assustam no começo mas te conquistam com o tempo. Como ele mexia muito com fotografia, eletrônica, computadores em geral, era um prato cheio pra crianças curiosas como era meu caso. E foi com ele que comecei a mexer com computadores, me interessar por edição de imagens e assim formar minha carreira. Foi com ele também que tive acessos às primeiras histórias em quadrinhos. Sempre que viajávamos ele levava uma caixa de gibis que íamos revezando.

Se olharmos para história vemos também uma amizade entre crianças que gostam de ciências. Isso também acontece em Stranger Things e Paper Girls. O que você acha que tem feito tantas obras se voltarem para essa nostalgia da infância e aventuras de bicicleta?

Os anos 80, né? Grande parte dos produtores que estão surgindo hoje tiveram suas infâncias no final da década de 1970, meados de 80. E é natural que tragam elementos que fizeram parte da infância que é a época mais criativa das nossas vidas.

Reparos é uma grande mensagem de aceitação. Para a pessoa entender que pode ser diferente e não precisa se esforçar para os outros gostarem dela. Como você vê hoje a sociedade, com tantas pessoas tentando criar padrões para serem siguidos. apenas por aceitação?

É algo que sempre teve e que sempre existirá. Mas hoje temos mais acessos a diversas linhas de pensamento, o que facilita a adequação. Mas acredito que o mais irônico disso são fãs de histórias que pregam essa aceitação, essa diversidade serem tão intolerantes. Ou é falta de interpretação ou de coerência. E ambas são graves.