Demônios da Goetia: apenas o fim do começo

No último sábado, 18 de novembro, a Editora Draco realizou o lançamento de Demônios da Goetia em Quadrinhos. Ocorrido na loja da UGRA Press (Rua Augusta, nº 1371, sala 116), na capital paulista, o evento lotou a casa mesmo em dia de chuva.

Demônios da Goetia é o último volume da trilogia de quadrinhos de terror em duotone da Draco. A publicação, toda em preto, branco e vermelho, teve antes O Despertar de Cthulhu (verde, em 2016) e O Rei Amarelo (amarelo, em 2015). Dentre os autores de DdG, estiveram presentes Raphael Fernandes, Erick Sama, Tiago P. Zanetic, Airton Marinho, Antonio Tadeu, LuCAS Chewie e Victor Freundt, além do capista dos três títulos, João Pirolla.

Fotos: editora Draco/Divulgação

A antologia é capitaneada pelo também editor Raphael Fernandes, que falou ao Terra Zero sobre o projeto e o futuro da editora. Confira:

Terra Zero: Como foi o processo de seleção em Demônios da Goétia em relação a O Rei Amarelo e O Despertar de Cthulhu?

Raphael Fernandes: Nossas coletâneas sempre mesclam o time da casa com novos talentos que surgem nesses processos de seleção. Nós costumamos abrir para roteiristas, desenhistas e autores enviarem suas ideias. Em O Rei Amarelo em Quadrinhos muitas pessoas se inscreveram, mas muitas das histórias possuíam os mesmos elementos. Sem falar que a nossa foi a primeira HQ inspirada no trabalho do Chambers, logo depois sai uma adaptação na gringa. Acabou que na seleção final conseguimos compor as histórias mais originais.

Já em O Despertar de Cthulhu, a maior dificuldade era construir histórias que apresentassem diversos aspectos da mitologia lovecraftiana sem parecer um pastiche ou apenas imitar o estilo de H. P. Lovecraft. Por sorte, colocamos os dois pés no Brasil e muitas HQs do álbum são ambientadas aqui.

Já nessa terceira e última parte, o maior desafio era criar histórias sobre um tema espinhoso, assustador e inédito: a magia goetia. Sendo um sistema mágico bastante temido por ocultistas e magos da vida real, precisávamos ter total consciência do que estávamos fazendo e também usar essa mitologia da melhor maneira possível. Acabou que reunimos autores das duas primeiras coletâneas e convidamos alguns novatos.

Recebemos poucas histórias com a pegada que a gente queria, mas as que recebemos eram muito acima da média, como vocês verão nas HQs de Alexey Dodsworth e Caio H. Amaro. Também foi a estreia de Erick Sama nos roteiros de quadrinhos e tivemos DUAS HQs com o desenhista Kaji Pato, que revelou uma outra faceta de seu traço.

É o final de uma trilogia de terror com foco em cores específicas. O que mais vêm por aí nos quadrinhos de terror da Draco?

Sim, nós queremos que esses quadrinhos sejam memoráveis e doentias, mas nunca quisemos transformar isso numa fórmula a ser desgastada até o limite. Por isso, optamos por fazer apenas três volumes da coleção de horror cósmico em duotone. No entanto, essa série abriu muitas portas para a nossa linha de horror que vai crescer ainda mais daqui pra frente. Para a CCXP, estamos preparando mais dois lançamentos de horror que vão agradar tanto quem gosta de uma boa trama densa de horror como quem se diverte com histórias com pitadas de humor negro e grande influência do cinema trash.

Para o ano que vem, nós já estamos trabalhando na coletânea Delirium Tremens de Edgar Allan Poe, que faz uma homenagem ao mestre do terror na literatura com histórias inéditas inspiradas em seu trabalho. E para fugir um pouco do que fizemos na trilogia, essa HQ será TOTALMENTE colorida, afinal, uma cor apenas não seria suficiente para Poe. Estamos preparando uma nova coleção de horror cósmico para o final de 2018 e início de 2019. Fiquem atentos que a gente veio para ficar e vai perturbar o sono dos leitores por muito tempo.

Além de editar o conteúdo, você e o Erick Sama são autores na coleção. Como é ver também o seu trabalho interagindo com gente diferente a cada vez?

Particularmente, eu aprendo muito editando e escrevendo. A sinergia entre essas dois ofícios é inacreditável e muitas vezes uma coisa acaba ajudando a outra. Toda vez que vou lidar com outros roteiristas, sei muito bem como ajudá-los e onde estão possíveis problemas na construção do roteiro. Assim, sempre posso ajudar os autores a não cometerem os mesmos erros que eu.

Também acho incrível a qualidade dos desenhistas que produzem aqui no Brasil. Por exemplo, ainda estou fascinado com o que o Daniel Canedo fez com o roteiro da minha história, tanto que já fechamos outros projetos com esse artista.

Neste volume, foi a estreia do Erick como roteirista de quadrinhos e, posso adiantar, que muitos leitores que já receberam a coletânea tem destacada a HQ dele como uma das melhores. Isso vale ouro! Afinal, a gente tá nessa pra fazer quadrinhos divertidos e, nesse caso, colocar nossos leitores para questionarem os limites do mal. Por fim, tanto os roteiristas como os desenhistas desse livro estavam altamente inspirados.

O ano da editora não acabou. O que ainda sai pela Draco até o final de 2017? E em 2018?

Claro que não! A gente tá arrancando os cabelos e dormindo pouco pra fechar algumas coisas para a Comic Con Experience. Não posso revelar muita coisa ainda, mas vamos ao que pode ser dito…

Quem gosta de mangás de luta e muita emoção, não pode perder Tools Challenge V.4, que será lançado em breve e mostra o início do torneio que vai determinar o futuro de Raion e seus amigos. Acreditem, o Max Andrade é certamente um dos 5 melhores mangakás do Brasil e tem produzido bastante para o mercado japonês.

Outro projeto que merece entrar no radar de vocês é uma coletânea de terror trash chamada Despacho, que foi organizada pela dupla Fernando Barone e Samuel Sajo, ambos do coletivo Escape e autores do independente Insano. Pegamos um monte de crendices populares, folclore, clássicos da literatura, cultura nacional e outros elementos brasileiros para criar oito causos em quadrinhos que vão te fazer rir, chorar e acender uma vela pro capeta e outra pra deus.

Por fim, vamos lançar dois álbuns com autorais que serão anunciados em breve. Posso adiantar que um deles é um terror com fortes inspirações na literatura gótica. O outro trata-se de uma comovente história de fantasia sobre um homem que luta para proteger sua família.

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