Batgirl: Volta da heroína é repleta de aventura e emoção

Enfim, chegou às bancas brasileiras o encadernado da Batgirl com suas histórias do Renascimento. O volume contendo seis histórias interligadas traz roteiro de Hope Larson e arte do premiado brasileiro Rafael Albuquerque, oferecendo uma visão única para a personagem que deixou de ser a Oráculo quando do advento dos Novos 52, em 2011.

E se aquelas histórias, em sua maioria escritas por Gail Simone, lidaram com superação de tragédias, adaptabilidade em novos territórios (físicos e emocionais) e super-heroísmo clássico, o material criado por Larson e Albuquerque vai no caminho oposto. A dupla oferece nesse encadernado uma aventura recheada de diversão, com curvas dramáticas bem colocadas e um senso de coolness e singularidade como pouco se vê em revistas de super-heróis.

Sim, ainda é a mesma Batgirl de Burnside que vimos nos últimos anos, mas desta vez Larson e Albuquerque ofereceram um tempero diferente ao levar Barbara Gordon para o oriente em uma aventura bastante inusitada.

Capa do primeiro volume encadernado da Batgirl.

Mesmo que seu coração pertença a Burnside, Barbara Gordon precisa ir para o outro lado do mundo nesta aventura a fim de resolver uma teia de mistérios que envolve tecnologia e artes marciais das mais avançadas (duas de suas especialidades). Ao encontrar um amigo de infância no mesmo albergue em que está hospedada, Barbara vê um pequeno romance de verão nascer enquanto precisa resolver mistério que estão muito além do que a descolada vizinhança onde ela mora poderia oferecer.

Passando por Xangai, Cingapura e outras cidades, Larson tira a Batgirl e os leitores da zona de conforto de Gotham em geral ou Burnside, o que é muito bom. Na verdade, ao levá-la para o outro lado do mundo, a autora obriga os leitores a terem contato com um pouco de diferenciação cultural, o que sempre é enriquecedor. E mesmo tendo que lidar com uma proposta tão diferente da comum para uma HQ de super-heróis, Larson ainda consegue manter as características da Batgirl moderna (descolada, bem resolvida e extremamente eficaz no que se determina a fazer) enquanto narra uma aventura redonda e empolgante.

O único senão fica para como os personagens são mostrados. Enquanto os novos (normalmente vilões) são mostrados naturalmente, os preexistentes não têm nenhuma introdução. Ainda que a Batgirl seja uma personagem bastante conhecida, ela não chega nem perto de ser um Batman ou uma Mulher-Maravilha – e mesmo eles possuem reapresentações vez ou outra para situar os leitores. Não é o que acontece aqui. Batgirl e seus amigos aparecem sem grandes cerimônias, deixando perdidos os leitores que não acompanhavam suas aventuras prévias.

Por fim, a arte de Albuquerque está ótima, como sempre. O brasileiro está cada vez mais aprimorado, com traços e composições que estão ficando sem adjetivos que lhes façam justiça. Acompanhada pelas cores maravilhosas de Dave McCaig, toda a arte da revista da Batgirl é um deslumbre cool e descolado.

Seguindo o padrão editorial de outros lançamentos encadernados do Renascimento, Batgirl – Volume 1 vai muito além do espírito de Burnside e leva Barbara Gordon para o mundo com algumas das melhores histórias já escritas para ela.

Lembrando: as edições em inglês deste encadernado já foram resenhadas pelo Terra Zero.


Sinopse/Ficha Técnica:
Título: Batgirl n° 1
Roteiro: Hope Larson
Arte: Rafael Albuquerque
Cores: Dave McCaig
Páginas: 148
Publicação: Panini (Setembro de 2017)
Idioma: Português
Preço de Capa (cartonada): R$ 22,90

O coração de Bárbara Gordon pertence a Burnside, a vizinhança mais descolada de Gotham, que ela e seus amigos (super-heróis ou não) chamam de lar. Mas algumas ameaças são maiores do que Burnside, o que obrigará a Batgirl a abrir as asas e voar. Quando Bárbara planeja uma viagem de peregrinação marcial, mal imagina o que a aguarda. Ao ser atacada por diversos lutadores de diferentes disciplinas, a heroína se vê envolta num mistério que envolve a misteriosa “Professora”. Ao investigar a mestre de seus oponentes, Bárbara viajará de Okinawa a Cingapura, de Seul a Xangai, afiando suas habilidades marciais ao longo do caminho, encontrando lendários lutadores e, quem sabe, até arrumando tempo para um pouco de romance.

  • Júnior Goncalves de Lima

    eu tava gostando quando tava sendo desenhada pelo Albuquerque, depois desanimei

  • Rafael

    Personagens femininas Marvel e DC tendo gibis bem divertidos na prateleira. Apesar do choro de uns bobões.