[#AllIn] Liga da Justiça: que HQs você PRECISA ler antes do filme?

Nota do redator: #AllIn é a hashtag de nosso conjunto de especiais para a estreia do filme da Liga da Justiça! A frase foi usada em várias peças de marketing do longa e nada mais justo que também fazermos uso dela. Todos os dias desta semana teremos matérias sobre a Liga – fiquem ligados!


O que ler quando se trata de Liga da Justiça? As histórias da equipe saíram quase que de forma ininterruptas desde 1960, quando foram criadas por Gardner Fox e Mike Sekowsky. Foram muitas as fases, as formações, as abordagens e as diferentes publicações (mensais ou especiais), bem como interpretações que cada autor deu para a simbologia da Liga da Justiça.

O que no início era para ser uma reunião de super-heróis, seguindo a tradição dos anos 1940 da Sociedade da Justiça da América, tornou-se um fenômeno mundial com adaptações para diversas mídias — inclusive o tão aguardado filme, dirigido por Zack Snyder e Joss Whedon, que estreia na próxima quarta-feira.

A verdade é que há muito para ser lido sobre a Liga da Justiça, não importa que tipo de quadrinhos você prefira. Contudo, o Terra Zero fez uma listinha especial baseada em diversidade, no filme e nos melhores momentos que este grande time de super-heróis já teve em suas publicações. Como não podia deixar de ser, escolhemos sete histórias, simbolizando o número perfeito que permeou o núcleo da Liga durante anos, o que nos fez chamar sua principal formação muitas vezes de “Os Sete Grandes”: Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman e Caçador de Marte (ou Cyborg, para os mais modernos).

Sem mais delongas, vamos às histórias?

1) Reino do Amanhã

Já de cara indicamos esta obra-prima (provavelmente o melhor trabalho de ambos, Mark Waid e Alex Ross, dois mestres da Nona Arte), um conto que acontece no futuro intitulado Reino do Amanhã no Brasil. Nele, o mundo está tomado de vigilante com moral duvidosa e sem heróis tradicionais, que até continuam existindo e fazendo sua parte, mas que acabam ficando no fogo cruzado entre a ética, a eficácia e os métodos novos e antigos de se lidar com a criminalidade.

Arte de "Reino do Amanhã" por Alex Ross.
Arte de “Reino do Amanhã” por Alex Ross.

Os membros da Liga da Justiça, mais velhos e maduros, são forçados a sair da aposentadoria para impedir a escalada da violência. Lex Luthor entra no meio da história, como não poderia deixar de ser, mas é a relação dos super-heróis de verdade e sua simbologia divina e significância para com a humanidade que realmente enriquecem e nutrem o que provavelmente é a história absoluta da Liga da Justiça.

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2) DC: A Nova Fronteira

Apesar de não ser uma história só da Liga da Justiça, mas sim de quase todo o Universo DC, esta é uma das HQs mais simbólicas, premiadas e emocionantes dos últimos anos. Concebida quase que exclusivamente por Darwyn Cooke (as cores são de Dave Stewart), amado quadrinista canadense que faleceu em maio do ano passado), a HQ entra no espírito da Era de Prata da DC e mostra o mundo pós-Segunda Guerra Mundial enfrentando ameaças inimagináveis com seres poderosos jamais concebidos pela imaginação humana.

Cooke mistura a paranoia da Guerra Fria, os conflitos com a Coreia e o surgimento do super-heroísmo olhando para horizontes que outros quadrinistas não enxergaram, graças à sua visão otimista, clínica e crítica de determinadas situações socioculturais dos Estados Unidos e da cultura de super-heróis como um todo.

Quando uma ameaça alienígena surge, a história só fica mais bem temperada, com novos e veteranos heróis se unindo contra o antagônico governo dos Estados Unidos, de forma aventureira, crítica e emocionante. Cooke segue à risca a evolução da DC como empresa e universo ficcional sem deixar de lado eventos históricos que moldaram o século 20.

Se você está procurando uma participação verdadeiramente única e inovadora na Liga da Justiça em um contexto plausível e com uma mensagem esperançosa, nada é mais recomendado que DC: A Nova Fronteira.

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3) O Rastro do Tornado

Brad Meltzer marcou época ao escrever a Liga da Justiça. Pouca gente aqui no Brasil se lembra do que ele fez, já que suas histórias não tiveram relançamentos de toda sorte como houve lá fora; contudo, o celebrado autor escreveu um dos momentos mais impressionantes da Liga da Justiça moderna, redefinindo para sempre o conceito de legado, mostrando ainda facetas do time que sempre estiveram lá mas que outros autores deixaram de explorar: a dinâmica, a amizade, o amadurecimento coletivo e a confiança.

O Rastro do Tornado (The Tornado’s Path em inglês) é mais uma história de origem da Liga da Justiça. Desmantelada após os trágicos eventos cósmicos da saga Crise Infinita, a equipe começa a ser reunida novamente graças a uma inesperada confluência de eventos e ao desejo incansável de Batman, Superman e Mulher-Maravilha de manter a chama acesa.

A história brinca com o surgimento original da Liga, de 1960, mostra membros extremamente amadurecidos em uma história complexa, que foge dos padrões dos típicos contas de super-heróis por ser bastante madura. O emocionante reencontro de diversos membros, a surpresa sobre a revelação do vilão e a batalha que se segue pela vida do Tornado Vermelho (e da Liga da Justiça como um símbolo) é algo como poucas vezes de viu nos quadrinhos de super-heróis dos últimos 30 anos.

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4) Liga da Justiça Internacional

Eu juro que queria colocar a passagem de Grant Morrison na Liga neste lugar, mas não teve como. Keith Giffen, J.M. DeMatteis e Kevin Maguire criaram uma joia ao darem uma abordagem divertida e leve para a Liga depois do maior evento que a DC fez até hoje: a Crise nas Infinitas Terras (1985), conhecida também como a Crise Original. Impedido de usar vários dos medalhões da editora por estarem exclusivos com determinados artistas para terem suas origens recontadas, o trio teve que se virar nos 30 para criar uma equipe que fosse ao mesmo tempo interessante, coesa e que atendesse às necessidades de sua ideia maluca: fazer uma HQ de comédia com o time!

E não é que deu certo?

Com o humor pastelão que se tornou marca registrada do trabalho dos três no futuro, todos criaram aventuras épicas, mas sempre engraçadas de um time completamente improvável. A formação original consistia em Batman, Lanterna Verde (Guy Gardner), Canário Negro, Sr. Milagre, Capitão Marvel, Caçador de Marte, Dra. Luz, Besouro Azul e Sr. Destino. Logo em seguida veio Gladiador Dourado e uma expansão do time na Europa, cuja formação era Metamorfo, Flash, Poderosa, Homem-Animal, Capitão Átomo, Homem Elástico, Mulher-Maravilha e Soviete Supremo.

Juntos, esse bando de descontrolados proporcionou os momentos mais divertidos já publicados em quadrinhos da Liga da Justiça, com típicas de piadas de tiozão que fariam qualquer leitor que ama os personagens da DC rir pela coragem da editora de publicar esse tipo de maluquice. Mas falando sério, ambos os times eram excelentes e o trio criativo fez o impossível conseguindo criar histórias memoráveis com personagens que não eram do alto escalão. Foi daí que veio um Batman mega sarcástico, as piadinhas com o Capitão Marvel (o chamando de fraldinha), o Guy Gardner escrotinho que passamos a amar e, claro, o vício de J’onn por bolachas Oreo.

Quase todas essas histórias saíram aqui nos formatinhos da Abril, mas nunca foram relançadas em encadernados. Lá fora, por outro lado, ganharam diversos relançamentos.

Que fique registrado o clássico diálogo do Batman com o Besouro Azul logo no começo da revista:

– Besouro Azul: Está cedo demais para pedirmos um novo Lanterna Verde? Ei, Bats, você podia usar o anel.
– Batman: Só iria me atrapalhar.
– Besouro Azul: É… Aliás, quem daria moral para um cara chamado “Morcego-Verde”? Tipo, é tão idiota quanto…
– Batman: …Quanto Besouro Azul?

E claro, daquela cena do “um soco” contra o cretino insuportável do Guy Gardner. O cabeça de tijela estava putinho com o Morcego tomando controle da equipe e…

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5) A Pedra da Eternidade

Agora sim vamos falar de Grant Morrison e suas histórias diferenciadas mas francas para seu padrão bibliográfico. O subversivo autor escocês estava mexendo na indústria toda com a autoral Invisíveis na época, publicada pelo selo Vertigo, mas foi com JLA, fundada por ele, que o estrelato dos anos 1980 lhe voltou à tona em plenos 1997, quando a indústria dos super-heróis sofria sua pior crise.

Auxiliado pelo desenhista Howard Porter, Morrison revolucionou a Liga como nunca antes, restabelecendo os Sete Grandes novamente com um Aquaman badass e personagens de legado: Wally West (Flash) e Kyle Rayner (Lanterna Verde). Criando uma dinâmica diferenciada por enxergar o coração dos personagens e ainda inovar com cada um deles, o autor virou referência quando se fala de Liga da Justiça até hoje.

O ápice disso foi a saga Pedra da Eternidade, que virou base para a controversa (mas extremamente bem-sucedida) saga Crise Final, publicada por ele entre 2008 e 2009. Nela, a Liga da Justiça se deparada com o fato de que Darkseid finalmente aprendeu a Equação Antivida e assumiu o controle do planeta Nova Gênese e da Terra.

Os heróis devem enfrentar um dos seus inimigos mais formidáveis ​​para salvar o universo da dominação de Darkseid, o que nada mais é que o mote principal da Crise supracitada. No entanto, isso é apenas uma sinopse resumida da história. Pedra da Eternidade se destaca porque Morrison desenvolve uma história da Liga da Justiça que traz uma imensa quantidade de complexidade sem cair em suas próprias armadilhas. Vale muito a pena mergulhar neste conto e em todas as referências que ele faz fora do âmbito dos quadrinhos.

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6) Torre de Babel

Nessa época as pessoas estavam estupefatas com o que Grant Morrison fez com a Liga da Justiça na revista mensal JLA. Além de trazer de volta os sete grandes e lidar com momentos cronológicos bem complicados na DC (como o Superman elétrico, por exemplo), o autor escocês tirou leite de pedra e fez uma das mais celebradas (senão a mais celebrada) fases da Liga nos quadrinhos, que serviu de influência para autores futuros e até para o desenho animado Liga da Justiça Sem Limites.

Após o tremendo sucesso que ele fez, ao ter suas histórias encerradas o autor deu espaço para outro decenauta de carteirinha, um que estava preparado não apenas para seguir seus passos, mas também para mostrar que tinha muito a oferecer: Mark Waid.

Entre suas colaborações para a Liga estão a amadíssima Reino do Amanhã, que está no topo da lista, mas, na revista mensal, Waid criou uma das histórias mais interessantes de todos os tempos, a Torre de Babel. Nela, os fãs, puderam ver de perto como o Batman é cruel para com seus colegas de equipe, mudando para sempre a forma como nós vemos o Morcego e sua relação dentro do meio super-heroico. Na verdade, essa história é tão importante que serviu de mote para todo o desenvolvimento do Batman e de sua relação com a Liga nas décadas seguintes.

No conto, relançado no Brasil pela editora Eaglemoss em sua coleção de encadernados luxuosos da DC, o vilão imortal Ra’s al Ghul tenta novamente tirar o Batman da jogada para executar mais um de seus planos de “salvar o mundo da podridão humana”. Sendo assim, ele rouba os corpos dos falecidos pais de Bruce Wayne e deixa o detetive em um estado de preocupação sem precedentes! Para impedir que a Liga também vá atrás dele, o vilão rouba as estratégias secretas que o próprio Batman criou para derrotar seus colegas caso um dia fosse necessário!

Waid lida com traição, amizade, o valor da confiança e, claro, muito ação. Um do Batman lado nada legal de se ver é explorado aqui e este é um dos maiores valores da história.

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7) Liga da Justiça: Origem

Sejamos honestos: há quem ame, há quem odeie, mas não dá para ficar indiferente à reformulação da Liga feita nos Novos 52 por Geoff Johns e Jim Lee.

Para aqueles que estão entrando no Universo DC agora, aproveitando a chegada do filme, este encadernado é a leitura mais essencial da lista em termos de entendimento do que a Liga se tornou da virada desta década. Longe de ser a melhor história do grupo, Origem tem diversos pontos positivos, especialmente no quesito modernização e acessibilidade, o que são vantagens imensas para uma indústria octogenária e de difícil reciclagem.

Portanto, aproveitem que o filme está chegando e entrem no fundo no mundo moderno de Johns e Lee para a Liga da Justiça!

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E se isso não for o suficiente, tem mais um monte de quadrinho bacana da Liga da Justiça lá na Amazon com descontos exclusivos pra vocês aí embaixo. Aproveitem!

  • Podiam usar esse Pedra da Eternidade na sequência.

    • eu cretino

      Podiam usar a fase do Morrison inteira

  • Cassiano Cordeiro Alves

    As indicações de leitura são muito boas para quem já é leitor de HQS. Para o público geral, a origem do grupo nos Novos 52 é a que (em tese) mais se aproxima do que será mostrado no cinema.

  • Léquinho Maniezo

    Porra, li Rock of Ages esses dias atrás, que gibizão show

  • Alan Michael Scott

    Hj em dia as pessoas falam mal da Liga Meltzer/Benes, eu lembro com muito carinho dessa fase que seguia em paralelo com a sociedade da justiça. Essa foi a liga do meu retorno aos quadrinhos depois de ver o desenho da Liga da Justiça na TV.

    • Cassiano Cordeiro Alves

      Putz, quem fala mal da Liga Meltzer/Benes? Mas que coisa… do pouco que li (1º arco) gostei muito.

      • Alan Michael Scott

        os “experts” em quadrinhos de hj em dia, cagadores de regra profissionais, principalmente os mais velhos os quais pensam que a liga parou na fase Morrison, depois disso é tudo lixo… Embora eu admita que durante noite mais densa e dia mais claro deu uma caída, mas acredito que aconteceu em todos os títulos envolvidos…

      • eu cretino

        Mas você gostou do das histórias ou dos desenhos????

        • Cassiano Cordeiro Alves

          De ambos. Brad Meltzer tem um texto ótimo nos diálogos, consegue passar aquela emoção que só os fãs sentem. O que foi aquela cena do Oliver fazendo doce para “entrar” no grupo quando na verdade era o Roy que seria “promovido”? Como escrevi antes, li apenas as primeiras histórias (sobre o Tornado Vermelho).
          E tem como não gostar dos desenhos?

    • eu cretino

      Só salvava os desenhos do Ed Benes. Ficou melhor sob o comando do Dwayne Mcduffy.

      • Alan Michael Scott

        Ele continuou fazendo um bom trabalho, mas quando entra em Noite mais densa e Dia mais claro e aquela formação podre do James Robinson, eu não consegui mais ler…

        • eu cretino

          Normal. James Robinson é superestimado. E o Mcduffy já tava no bico do corvo se não me engano.

          • Alan Michael Scott

            Que isso, ele é foda, só pegou um pepino e tentou fazer o que pode… E os artistas cada vez piores não ajudava o título em nada

          • eu cretino

            Não vejo nada d+ nele.
            O único trabalho dele que eu gosto é A ERA DE OURO

  • Gus Mendonça

    A liga do Johns fica melhor (ou menos ruim) com o tempo. Acho trono de Atlantis e Darkseid War legais, mais recomendadas que “origem”. O ano um do Waid também é mega recomendado.

    • eu cretino

      Trono de Atlantis é muito bom.
      A guerra da filha do darkseid (esse deveria ser o título da saga) deixou um pouco a desejar.

  • Mateus Rodrigues

    Acho que não tem como fugir da liga do Johns. Eles vão se basear bastante nela=/
    Cara, terminei de ler toda a passagem do Morrison na liga esses dias e como Rock of Ages é foda!

    • eu cretino

      A invasão marciana é mais foda.
      E 3° guerra mundial é foda d+

      • Mateus Rodrigues

        Também são ótimos e acrescentaria ainda aquele com a participação da Sociedade.

  • Gregório Furtado Oliveira

    Não precisa ler nada pra ver um filme, se precisar ele provavelmente vai ser um fracasso.

  • Adilson Reis Lima

    Toda a fase Morrison tem de ser re-lida. Faltou tambem: LJA o prego, do Alan Davies; o ano um do Waid , Augustin e Kitson; a crise de identidade; o crossover com os Vingadores, toda a fase waid, incluindo as historias com o Hitch; vicios e virtudes, do Jonhs, JLA Classified 10-15 com historias do Waren Ellis que merece ser conhecida,e tambem JLA Classified 1-3 com o retorno do morrison, Armagedom 2000, Odisseia Cosmica, etc

  • Keith Moore

    Substituindo os horrorosos 52 por Crise de Identidade, tá ótimo. Senti falta das histórias da era de prata, podiam fazer um post sobre, a mitologia é muito rica nessa fase, com uma pegada de scifi cósmico setentista que hoje é quase psicodélico.