[#AllIn] Liga da Justiça: A Jornada de um Superman e seu Futuro

Nota do redator: #AllIn é a hashtag de nosso conjunto de especiais para os especiais relacionados ao filme da Liga da Justiça! A frase foi usada em várias peças de marketing do longa e nada mais justo que também fazermos uso dela. Apesar de o filme já ter estreado, ainda temos muita coisa bacana por aqui – fiquem ligados!


Levou nada menos que quatro décadas para que os fãs tivessem a chance de ver o Superman sendo… bem, ele mesmo, em uma tela de cinema. Não estamos aqui para deliberadamente desmerecer os esforços de Christopher Reeve após o segundo filme de sua franquia ou mesmo do diretor Bryan Singer, que lançou, em 2006, Superman – O Retorno, um filme pelo qual tenho muito apreço, como já expliquei em um antigo texto do Terra Zero.

Pelo contrário.

Quando se fala de mostrar o Superman sendo quem ele é de verdade, referimo-nos à sua caracterização confiante e heroica, aquela na qual as pessoas ao redor do mundo aprenderam não só a amar mas também a confiar. E isso é o mais importante. Ainda que Henry Cavill tenha mostrado certa confiança com sorrisos e atitude em Homem de Aço (2013), sua interpretação foi abaixo de regular em Batman vs Superman – A Origem da Justiça (2016). Cavill foi eclipsado por um Batman muito bom de Ben Affleck e uma Mulher-Maravilha excelente de Gal Gadot, além de um roteiro que o colocou pra baixo em meio ao fogo cruzado de seus amantes e odiadores,

Foto promocional de Batman vs Superman.
Foto promocional de Batman vs Superman.

Ou seja, não deu pra ele, e não podemos responsabilizá-lo. Mas então veio Liga da Justiça, e tudo mudou. Como gostaríamos que acontecesse.

Esta não é uma resenha do filme (já lançamos uma na semana passada, escrita pelo Pablo, assim como lançamos um podcast com uma excelente discussão sobre o longa), portanto vou focar na jornada do Superman e em como passamos anos vivendo de promessas que, propositalmente ou não, finalmente foram concretizadas.

Quando Homem de Aço saiu, testemunhamos a construção do que se tornaria o Superman. Clark Kent estava perdido e procurando saber quem ele era depois de ter descoberto, ainda adolescente, que não era deste planeta, e, anos depois, perder o pai, que preferiu ver o filho salvaguardando seus poderes enquanto fazia o sacrifício máximo em meio a um tornado que atingiu Smallville. Fora isso, Clark viveu boa parte da vida sofrendo bullying e não tendo como revidar – afinal, um soco dele mataria a outra criança e ele sabia disso muito bem. Como se isso não bastasse, seu maior feito quando jovem é criticado pelo pai superprotetor, deixando a cabeça do menino Clark ainda mais confusa a respeito de suas origens e o que fazer com suas habilidades.

Este Superman foi diferente de tudo que vimos, o que não é necessariamente um problema – como comentei em outros textos aqui do site, Henry Cavill agarrou o personagem com todas as suas forças, sendo confiante na hora certa e sorrindo como o Homem de Aço deve sorrir: passando empatia, confiança e altruísmo. Os problemas vieram no terceiro ato do filme e já foram discutidos à exaustão internet afora. No final, ficou a promessa de que no próximo filme veríamos o Superman de verdade. De que neste, o que vimos foi “a criação do personagem, sua construção; era o carvão bruto, não o diamante lapidado”.

Em Batman vs Superman – A Origem da Justiça as coisas ficaram um pouco mais complicadas. Como disse acima, Superman ficou no meio do fogo cruzado entre imprensa, Batman, Lex Luthor, população, seu amor pela Lois Lane, os conselhos malucos da sua mãe (“faça isso, seja isso, ou não faça porra nenhuma”). Ele ficou sem reação. Ajudou quem pode ajudar; não respondeu a críticas ou elogios; tentou enfrentar o Batman com fúria e quase morreu, mas deu sua vida mesmo para matar o monstro criado por Luthor usando o corpo do General Zod e seu próprio sangue em uma câmara de nascimento kryptoniana.

A verdade é que, com um argumento complexo, um tom desnecessariamente sombrio (não que isso seja um problema, mas exageraram na coisa), uma edição que cortou diversas cenas e uma história que não favoreceu o Superman como símbolo de esperança (algo que ele mesmo sabe que seu “S” significa), o filme não só fez a crítica massacrá-lo como também deixou um vácuo na mitologia cinematográfica do herói. Com o Superman morto de forma tão vazia e com suas ações sendo questionadas quando deveriam ser aplaudidas, o que sobrou para nós, fãs do herói? Pessoas que se inspiram em suas ações para fazer o que é certo no mundo real?

Só podia ser a Liga da Justiça. Se não fosse ali, não seria em lugar nenhum.

Imagem promocional da Liga da Justiça com o Superman ao centro superior.
Imagem promocional da Liga da Justiça com o Superman ao centro superior.

As coisas já começaram bem com a Warner evitando mostrar o Superman nos trailers. Ainda que Henry Cavill participasse de painéis referentes ao filme pelo mundo e que todos soubéssemos que ele estaria lá, há um abismo de diferença entre ter consciência de sua presença e vê-lo em ação. E foi ótimo vê-lo em ação no terceiro ato do filme, quando tudo parecia perdido para o time que Batman e Mulher-Maravilha tinham acabado de montar com Aquaman, Cyborg e Flash.

Apesar de ter voltado revoltado quando Batman e cia. conseguem ressuscitá-lo, a ponto de ele brigar (e ganhar de) com todo o time, Clark Kent começa a pôr a cabeça no lugar com Lois Lane e sua mãe, Martha, na velha casa de Smallville, que está sendo hipotecada após a perda do filho. Quando ele entra em ação ajudando a equipe (o que certamente seria auxiliado pela cena mostrada no final do terceiro trailer, na qual Alfred recebe a visita dele na Batcaverna e, ao que tudo indica, dá as instruções de quem é o vilão e onde o time o está enfrentando), é de derrubar lágrimas.

Clark Kent/Kal-El finalmente completou sua jornada e se tornou o Superman. Ele percebe que precisa salvar os civis antes de mais nada, ajuda seus companheiros, é altruísta e confiante, sorri e brinca com todos sem pestanejar. É como se estivéssemos vendo o Superman de Christopher Reeve para os tempos atuais com pitadas da própria interpretação de Cavill – e acreditem, este é um elogio e tanto!

Montagem de pôster da Liga com o Superman ao centro por saintaldebaran.
Montagem de pôster da Liga com o Superman ao centro por saintaldebaran.

Demorou bastante, mas o Superman de verdade finalmente apareceu. Mais maduro que anos atrás, Henry Cavill incorporou as melhores qualidades do personagem em sua mais recente interpretação, que ainda foi apoiada por um uniforme de cores mais claras e vivas. Foi uma jornada e tanto e valeu a pena: ele chegou lá! E não enganem, pois o próprio ator pensa desta forma, já que em entrevista ao LA Times o ator britânico deu a letra do que vem por aí após Liga da Justiça:

Agora há uma oportunidade maravilhosa de contar a história do Superman. Uma chance fantástica de mostrar o Superman de verdade e contar uma história complexa, focada no personagem que seja baseada nas histórias em quadrinhos e que tenha aquela sensação incrível de esperança e felicidade. Um filme pra cima, com lições a serem aprendidas também.

Cavill revelou ainda que tem contrato para mais um filme com a Warner como Superman. Portanto, já fica aqui a torcida para Homem de Aço 2 (ou seja lá que título o filme tiver) torne-se uma realidade!

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