[Review] Os Titãs estão de volta em encadernado da Panini

Os Titãs finalmente estão de volta – e, claro, não estamos falando da banda de rock nacional dos anos 1980, que continua na ativa. Após alguns anos passando por histórias contadas aos trancos e barrancos pela DC, o grupo de jovens super-heróis mais querido da editora foi dividido e ganhou uma versão intermediária, chamada simplesmente Titãs. Faz todo sentido.

Os Novos Titãs – ou Jovens Titãs, como a Panini os chama agora – são compostos de heróis bem jovens, com apenas uma veterana (Estelar), liderados pelo Robin Damian Wayne. Já os Titãs são formados por alguns dos membros mais clássicos que as antigas versões da equipe tiveram. Estão lá Arsenal, Asa Noturna, Donna Troy, Tempest, Lilith e, claro, Wally West, o Flash, que voltou em Universo DC – Renascimento e trouxe consigo todas as memórias que seus amigos tinham perdido acerca de sua existência.

Neste primeiro volume da nova série, publicado recentemente no Brasil pela Panini, estão sete edições americanas: Titans Rebirth e Titans #1 a #6. Elas contam basicamente uma única história: o retorno de Wally, a reformulação do time e as buscas por respostas a respeito de quem apagou o velocista da mente das pessoas.

O primeiro capítulo é bem emocionante, trazendo à tona diversos momentos importantes do passado dos Titãs ao mesmo em que os atualiza para o novo universo, o do Renascimento. Dan Abnett parece ser um grande fã de diversas fases do grupo, pois se utiliza muito da essência de momentos importantíssimos da carreira deles para extrair algo inédito. Ou seja, apesar da nostalgia que a revista traz, ela tem muita substância e não utiliza o passado como muleta; na verdade, o texto de Abnett tem muito oferecer para fãs dos Titãs de todas as épocas, seja da Era de Prata, da fase Marv Wolfman/George Pérez ou da moderna, feita por Geoff Johns nos anos 2000.

Abnett até planta a dúvida nos fãs a respeito de quem apagou Wally da existência. Em UDC Renascimento, fica claro que se trata do Dr. Manhattan – e hoje nós sabemos que isso é verdade – mas o roteiro de Titãs tenta colocar um antigo vilão da DC como responsável por isso. O jogo psicológico que este vilão faz com os heróis funciona o suficiente para ser comprado pelo leitor, o que é um ponto muito positivo. Já o negativo fica para os diálogos, que nem sempre estão tão apurados quanto o que Abnett vem fazendo em Aquaman, deixando a coisa meio inocente e boba, às vezes.

Mesmo assim a história funciona, e é ótimo ver toda essa galera junta novamente trabalhando pelo bem ao mesmo tempo em que buscam respostas para suas próprias existências e propósitos. O único ponto negativo é a arte. Apesar de Brett Booth ter muito dinamismo narrativo e uma boa composição de páginas, seu traço é calcado demais no estilo Image dos anos 1990, deixando as coisas meio feias às vezes, e até desproporcionais. Outro artista, com um traço mais clássico, talvez fizesse muito mais justiça ao que o título se propõe a ser.

De qualquer forma, fãs dos Titãs de qualquer idade e de qualquer época vão se divertir com este encadernado. É uma forte estreia para o retorno dos que já foram os heróis mais amados da DC.


Sinopse/Ficha Técnica:
Título: Titãs nº 1
Roteiro: Dan Abnett
Arte: Brett Booth, Norm Rapmund e Andrew Dalhouse

Páginas: 164
Publicação: Panini (Agosto de 2017)
Idioma: Português
Preço de Capa: R$ 24,90

CEles eram heróis, claro, mas mais do que isso: eram grandes amigos. Havia uma centelha especial que os mantinham unidos. Uma coisa rara assim, como um relâmpago, não é possível forçar… simplesmente acontece. Então isso tudo se tornou uma lembrança. Pouco depois, a lembrança desapareceu. Apagada. Roubada. Arrancada. E somente uma pessoa se recorda de tudo. Seu nome é Wally West. No passado, era conhecido como Kid Flash. Agora, um refugiado de um universo perdido que precisa encontrar uma maneira de despertar seus antigos amigos e reforjar a aliança que fazia deles algo muito maior.

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