The Ray: Com a chegada na TV, o conhecendo nas HQs!

Vocês conseguem acreditar que vivemos em uma época em que temos guaxinins com trabucos no cinema e personagens de categoria C dos quadrinhos na televisão? E nada disso é ruim! Acréscimo surpreendente ao rol de super-heróis da série Legends of Tomorrow (e por consequência, de todo o chamado Arrowverse) está o Ray. Transportado primeiramente para o mundo animado, onde terá uma série neste formato no serviço de streaming CW Seed, ele agora ganha carne e ossos na pele do ator britânico Russell Tovey, que também dubla-o no desenho.

Quem é fã da DC já leu alguma coisinha com o Ray, sejam suas participações esporádicas na Liga da Justiça ou até em The Multiversity, de Grant Morrison, em que Ray Terrill foi reformulado e virou um super-herói gay em um mundo em que os nazistas ganharam a Segunda Guerra Mundial, a Terra-10 (ou Terra-X). É nesta Terra – e é com essa premissa – que o crossover dos seriados que integram o Arrowverse acontecerá em 2017.

Mas não é de TV que vamos falar hoje, e sim de quadrinhos. Mais especificamente, de um que nunca saiu aqui e, mesmo lá fora, permanece esquecido por uma parcela razoável dos fãs, mal tendo sido reimpresso desde seu lançamento no começo dos anos 1990. Inédita no Brasil, ela é quase totalmente desconhecida pelos fãs tupiniquins, ainda que o Ray seja um super-herói facilmente lembrado por estes mesmos leitores.

Lá fora, esta segunda versão do personagem, Ray Terrill, foi criada por Jack C. Harris e Joe Quesada, autores da minissérie/encadernado que estamos comentando nesta resenha. Contudo, durante muitos anos associou-se Christopher Priest como criador do personagem, o que não é totalmente errado; Priest escreveu a subsequente série mensal dele e teve alguma participação na sua composição, mas, para todos os efeitos, Ray é de Harris e Quesada.

Na minissérie de seis edições criada pela dupla, intitulada The Ray: In a Blaze of Power, é estabelecida a vida de Ray Terrill e seu estranho passado. Foi dito a ele, quando criança, que nascera com uma doença rara de pele. Uma que não lhe permitia sair de casa, vivendo todo o tempo no escuro. Ele só foi descobrir adulto, com o pai, Lanford “Happy” Terrill, no leito de morte, que tudo era mentira; ele era o Ray original, que lutou com os Combatentes da Liberdade e tinha superpoderes também. Portanto, o quadrinho começa no início de sua autodescoberta como meta-humano e da jornada para saber a verdade sobre seu passado, sempre motivado pelo seu estranho primo Hank, cujas motivações são bem obscuras no começo da HQ.

Durante a aventura, Ray descobre mais seus poderes, desenvolve seu próprio uniforme através de luz sólida, reencontra o antigo Ray (em uma reviravolta interessante sobre o herói original), reencontra seu amor de infância e enfrenta o Dr. Polaris em batalhas épicas.

Apesar de ser um personagem muito carismático, o texto de Harris sofre para mostrar uma história bem contada. Para quem não sabe, ele foi mentor de diversos talentos na DC e é um dos nomes mais importantes da história da editora. Contudo, seu papel era mais de bastidores. Mesmo tendo escrito um bocado de coisas, ele não parece ser muito bom nesse aspecto. Por mais que se esforce. Há momentos grandiosos na história, sim, saídas bem criativas para o limite de poder que Ray tem. Contudo, os atos da narrativa têm falhas elementares, com motivações fracas e acontecimentos sem explicação.

O autor também fez muito uso de gírias e estilo da época (início dos anos 1990), o que deixa tudo datado demais, com diálogos bobos e infantiloides. Não fosse pela arte certeira de Quesada, que estava em plena ascensão na época e desenha tudo com um dinamismo impressionante, a HQ poderia ter sido um fiasco. Por sorte, as pessoas gostaram de Ray Terrill e do trabalho do artista, fazendo com que ele ganhasse uma revista mensal (bem melhor escrita) pelas mãos de Christopher Priest e de Howard Porter.

Sendo assim, The Ray: In a Blaze of Power não é uma leitura obrigatória. É, porém, um elemento interessante de um canto esquecido do Universo DC, um registro histórico de um personagem que foi muito mudado nos últimos vinte anos e que está prestes a aparecer na TV de forma muito promissora. Dar uma passadinha de olho neste quadrinho não é, nem de longe, uma coisa ruim.

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