[Review] Runaways #1, de Rowell e Anka

É muito difícil para um leitor que viveu a experiência de quadrinhos de super-heróis no início da década de 2000 não ter algum tipo de opinião ou memória sobre uma das criações mais aclamadas do autor Brian K. Vaughan e do ilustrador Adrian AlphonaOs Fugitivos. O conto dos adolescentes que resolvem fugir de casa após descobrirem que seus pais são membros de uma cabala secreta de supervilões até hoje deixa reflexos e repercussões na Marvel e inspira histórias similares em outras mídias. Com isso, e na esteira do frisson gerado pela adaptação transmidiática da franquia, a Marvel lança este mês um novo volume de Runaways. Agora, escrito pela aclamada novelista de conteúdos de fantasia, Rainbow Rowell e ilustrado pelo talentosíssimo Kris Anka, os Fugitivos estão de volta. Mas será que com força total?

A primeira edição de Runaways lida diretamente com os eventos que levaram a morte de Gertrude Yorkes na décima oitava edição do segundo volume de Runaways, publicada em setembro de 2006. Toda a edição é protagonizada por um desesperado Chase Stein e uma desiludida Nico Minoru tentando salvar sua querida namorada/amiga do destino trágico mostrado por Vaughan na década passada.

Antes de chegar ao ponto do esforço para salvar Gert, o roteiro de Rowell lida brevemente, mas de forma séria, com questões de solidão e abandono através do atual status de Nico Minoru. Rapidamente somos introduzidos a tudo que a personagem passou recentemente (inclusive com a extinta equipe feminina A-Force). Além disso, a autora faz um trabalho muito bom mostrando tanto os poderes de Minoru, através do seu cetro, e suas atuais limitações pelo uso excessivo deste mesmo poder.

Todo o artifício usado para a ressurreição de Gert (não se caracteriza como spoiler pois já foi anunciado via sinopse pela própria editora) é até bem embasado e trabalhado de forma urgente, porém muito divertida pela roteirista. Somos convidados a um passeio por uma espécie de pronto-socorro mágico, no qual todos correm contra o tempo para salvar a jovem ferida.

Os diálogos de Rowell também fazem um papel fundamental na primeira edição, estabelecendo empatia e resgatando toda a intimidade entre este pequeno elenco. São somente três personagens principais nesta primeira edição e isso já é suficiente para a autora nos mostrar toda a força desta franquia, a qual reside nas reações humanas e na naturalidade de um elenco que não tem nada de heroico. Há uma breve contextualização através de flashback que é funcional para o roteiro, mas em nada atrapalha este fluxo de leitura, que é de fato muito veloz e dinâmico.

No departamento de arte, Kris Anka nos oferece seu melhor em termos de caraterização. A sensibilidade visual deste artista é notada logo de cara na primeira cena, com Minoru em seu apartamento tomada por uma grande tristeza. O ilustrador estende seu esforço para o restante da revista com o mesmo grau de carinho para com os outros membros do elenco. É difícil contar uma história na qual há somente um esforço para se salvar um vida sem parecer enfadonho. E Anka faz isso parecer muito fácil. Não há uma cena de luta, alguém voando ou atravessando a cidade aos saltos nesta primeira edição e, mesmo assim, os esforços do elenco parecem tão heroicos (ou talvez até mais) quanto os de um quadrinho de super-heróis fazendo algo típico. O mérito é do roteiro, mas principalmente da fotografia de Anka em Runaways.

Os Fugitivos tem uma base de fãs fervorosos dentro do universo dos quadrinhos. Pessoas seletas, que discutem, entendem e amam estes personagens como membros de sua própria família. O que a primeira edição de Runaways faz por estes fãs é trazer, sim, o conceito de volta, mas de maneira justa e respeitando o legado deixado na franquia por seu criador. Para os novos leitores, não é difícil se identificar com a história, apesar de o fator emoção ser um pouco menos acentuado do que para leitores de longa data. O fato é que temos uma estreia totalmente digna do peso que esta franquia carrega e um material excelente para leitores que buscam algo diferente dentro da Marvel atual.

  • sergio reis

    Oh panini,passou da hora de corrigir esse erro…Runaways saiu aqui a mais de 10 anos naqueles toscos encadernados em formatinho abril!formato deluxe pra série !antes de todo mimimi se vende ou não vende,o nome do autor é Brian K. Vaugham!!o mesmo de Y SAGA….