[Review] Mônica – Força é impactante, mas deixa um pouco a desejar

Metáforas estão entre os elementos que mais podem enriquecer uma narrativa, não importa de que forma ela seja contada. Não importa nem se ela é linear, na verdade, mas não é esse o caso. Mônica – Força, de Bianca Pinheiro, foi anunciada em 2015, durante o FIQ daquele ano, para um painel lotado de fãs pra lá de emocionados. Não menos emocionados estavam a própria artista e Mauricio de Sousa, criador do conjunto de personagens mais amado do Brasil.

Enfim tinha chegado a hora: a protagonista deste universo teve anunciada sua própria Graphic MSP, algo muito aguardado desde que o projeto nasceu, no mesmo evento, em 2011. Bianca Pinheiro, que tem na bibliografia obras como Bear e Meu pai é um Homem da Montanha, mostrou a que veio já nos teasers da HQ, exalando domínio técnico na Nona Arte, tanto em nível de arte (na combinação de traço e cores) como de diálogos. Ou seja, desde o início, tudo provou que ela foi a escolha certa para o projeto.

Mas do que se trata Mônica – Força?

A dentucinha pode ser conhecida como aquela que dá coelhadas nos meninos que a irritam com apelidos descabidos e roubos constantes do coelho Sansão para as mais diversas brincadeiras. Mas,  desta vez ela precisará de outro tipo de força: psicológica. Com apenas sete anos de idade, ela se vê diante de um nível de discórdia entre seus pais que pode levar ao divórcio. Poucas coisas podem impactar mais uma criança do que as desavenças crescentes de seus pais. Falo por experiência própria.

Em cada página, a dissensão aumenta, afastando Mônica de seus amigos enquanto faz comentários inocentes (mas com a força de uma bola de demolição) para que seus pais voltem a fazer coisas juntos, voltem a ser… pais. Portanto, pelos primeiros dois atos da jornada, Mônica nos coloca na dor cândida de uma criança que sabe o que está acontecendo, mas não tem maturidade para verbalizar como adultos fariam. São momentos realmente impressionantes, de mexer com qualquer leitor.

Emocionante quadro de Mônica - Força, por Bianca Pinheiro.
Emocionante quadro de Mônica – Força, por Bianca Pinheiro.

E talvez tenha sido essa a decepção em Mônica – Força. O impacto emocional que Bianca causa com suas obras, e causou no começo desta, não teve um payoff. Houve satisfação na solução, mas ela não foi suficiente para contrabalancear tanto a proposta do quadrinho como a premissa apresentada em boa parte da obra.

As Graphic MSP continuam demonstrando ser o ponto focal da indústria nacional e ninguém tira o mérito da Mauricio de Sousa Produções, do editor Sidney Gusman e de todos os talentos que trabalharam com eles até agora. Todavia, a contínua produção destes álbuns e a necessidade comercial de atingir algumas ramificações de todo o público que compra quadrinhos ao mesmo tempo em que se transmite determinadas mensagens pode minar um pouco o equilíbrio entre proposta e resultado.

Faltou só um pouquinho de força (com o perdão do trocadilho) para que o álbum da Mônica, um dos mais aguardados de todos, fosse absolutamente triunfal.

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