[Review] Louco – Fuga alcança o topo do quadrinho nacional

Aos poucos, o Terra Zero está fazendo reviews das várias Graphic MSP nos últimos anos, lidas conforme possibilidade de tempo por este redator ocupado. Chegou a vez de Louco – Fuga, uma das mais esperadas e mais bem recebidas pelo público até agora. Criada pelo paranaense Rogério Coelho, conhecido por seu estilo diferenciado, pela premiada HQ independente O Barco dos Sonhos e por seu trabalho como ilustrador em livros didáticos e paradidáticos, a história que criou faz jus ao personagem principal em todos os sentidos.

Coelho não era um estranho para o universo de Mauricio de Sousa quando Louco – Fuga foi ganhando vida. Ele fez uma história com o Horácio (o personagem mais querido de Mauricio), justamente a que abre o livro MSP 50 – Mauricio de Sousa Por 50 Artistas, de 2011. Naquele momento, seu diferencial já estava cravado na mente dos leitores nacionais.

Capa e quarta capa de Louco - Fuga por Rogério Coelho.
Capa e quarta capa de Louco – Fuga por Rogério Coelho.

A proposta de Louco – Fuga não é tratar da negatividade de uma pessoa insana, mas, sim, de nos fazer ver o mundo por seus olhos distorcidos e incrivelmente criativos. Na história, o Louco (ou Licurgo Orival Umbelino Cafiaspirino de Oliveira) ultrapassa qualquer limite (se é que pode haver) do surrealismo, desafiando técnicas de composição de páginas enquanto precisa cumprir um destino: salvar um pássaro de seres maléficos, os Guardiões do Silêncio.

Na superfície, Louco – Fuga é uma jornada aventureira com surrealismo, desafio artístico e diversos elementos do universo de Mauricio de Sousa – na verdade, do Multiverso MSP, mas só a leitura da história pode revelar por que estamos falando isso – o protagonista quebra todas as barreiras imagináveis para estes personagens.

Página de Louco - Fuga por Rogério Coelho.
Página de Louco – Fuga por Rogério Coelho.

No entanto, há camadas de profundo entendimento da arte e de produção de conteúdo artístico na história, com direito a críticas diretas à industrialização dos quadrinhos e da voz criativa. O pássaro que ele busca salvar, em uma aventura como nenhuma outra, na ainda jovem história das Graphic MSP, representa a liberdade. Não apenas a emancipação do ser, mas também a da criatividade, desamarrada de editores e fãs que exigem o que o artista deve fazer enquanto guardam seu silêncio – não à toa, este é o nome dos inimigos da HQ. E toda aventura precisa ter um vilão, não é mesmo?

Muitas foram as vezes aqui no Terra Zero em que trouxemos depoimentos de artistas insatisfeitos com as pressões que sofriam de editores e fãs que não se colocaram “em seus lugares”. Em muitos momentos, mesmo que isso tenha surgido inconscientemente, Louco – Fuga representa isso; a fuga do formato, visual e criativo, das amarras da criatividade em busca da liberdade absoluta, em que a arte fala por si própria e desafia quem a vê.

Página de Louco - Fuga por Rogério Coelho.
Página de Louco – Fuga por Rogério Coelho.

Lançada em 2015 e bombasticamente bem recebida pela crítica e pelos fãs, Louco – Fuga é provavelmente a melhor Graphic MSP publicada até agora.


Sinopse/Ficha Técnica:
Título: Louco – Fuga
Roteiro e Arte: Rogério Coelho
Páginas: 20880
Publicação: Panini (Novembro de 2015)
Idioma: Português
Preço de Capa (cartonada): R$ 21,90

O seu nome é Licurgo Orival Umbelino Cafiaspirino de Oliveira, mas pode chamá-lo de Louco. Ele corre dos guardiões do silêncio, enquanto viaja pelas histórias para libertar um pássaro. Ou não? Em “Fuga”, o personagem mais maluco de Mauricio de Sousa ganha uma releitura pelas mãos de Rogério Coelho.

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