[Catarse] Rapha Pinheiro nos leva para o Salto

Rapha Pinheiro, após seu trabalho com Tomos de Tessa, parte para sua nova HQ, Salto, obra que mistura filosofia, sociologia, estética steampunk e explora uma nova fase na sua vida de autor, que passou uma temporada na França, na cidade de Angoulême, estudando na Ecole Européenne Supérieur de l’Image.

Um povo feito de fogo, que após uma tragédia passa a morar em cavernas profundas e constroem uma sociedade. Essa é a premissa de Salto, que está com campanha no Catarse. A história conta a vida de Nu, um jovem que tem que lidar com situações que sua vida lhe impõe e se provar diariamente.

Salto teve seu primeiro capítulo recentemente lançado em uma antologia de quadrinhos na França e a ideia de Pinheiro é terminar a história e lançar no Brasil via crownfunding. Uma das recompensas interessantes da campanha no Catarse é a vinda de uma trilha sonora, para leitores acompanharem a aventura de Nu embalado por musicas.

O Terra Zero conversou com Pinheiro sobre Salto, suas experiências na Europa e como sua formação em arquitetura ajuda no seu trabalho com quadrinhos.


Salto é uma HQ steampunk em que você traz visão sobre uma sociedade presas em moldes e preconceitos. Como foi a construção desse povo e onde foi que você buscou suas inspirações para essa história?

Principalmente da cidade que eu morei na Inglaterra: Lincoln. Isso no aspecto visual, quanto a questão de ser uma sociedade presa no tempo, isso se aplica a praticamente qualquer uma, principalmente a brasileira

A sociedade que vive nas profundezas das cavernas é feita de fogo e que seu trabalho tem inspirações filosóficas, como a Alegoria da Caverna, de Platão. Poderia aprofundar essa afirmação?

A jornada do personagem principal pode ser interpretada como a Alegoria da Caverna de Platão. Eu curto muito filosofia então tento trazer questionamentos pro leitor sempre que escrevo algo. Todo o livro pode ser lido com um caráter simbólico e percebido em camadas mais profundas do que uma simples aventura de fantasia

Recentemente você foi até Angoulême para estudos. O que você acha que essa viagem fez pelo artista Rapha Pinheiro? Como foi viver nessa cidade que transpira quadrinhos?

Foi a melhor coisa que poderia acontecer comigo profissionalmente. Eu me considero um artista totalmente diferente depois desse ano lá. Principalmente porque, lá, eu comecei a fazer vídeos no Youtube, criar gosto pela coisa e agora não pretendo parar tão cedo!

A produção de Salto foi feita toda durante sua estadia na França, de qual forma isso impactou no seu trabalho?

Salto foi desenhado a mão, no formato europeu e montado para o mercado franco-belga. Eu me apaixonei pelo jeito de fazer quadrinhos deles que não é muito conhecido por aqui. Quando o livro ficar pronto, vai dar pra ver a diferença até no formato grandão de 21x28cm. A partir de agora, quero trabalhar sempre nesses moldes

Sua formação em arquitetura influenciou muito seu trabalho em Tomos de Tessa, qual o atributo artístico que você acha que desenvolveu melhor em Salto?

A arquitetura com certeza ajudou muito na construção de mundo para esse livro também, mas acho que o aspecto que eu mais evoluí foi na narrativa gráfica. Foi o que eu mais de dediquei a estudar na França e é o que eu pretendo estudar também no mestrado. Conduzir o olhar do leitor e controlar o ritmo de leitura sem que ele perceba, espero que o Salto consiga alcançar esse objetivo.

Então, Rapha, deixe um recado para os leitores do Terra Zero e os motivos para acompanhar a aventura de Nu.

Bom, é uma oportunidade de ver um quadrinho brasileiro, inspirado num visual inglês e produzido no formato francês! Com certeza é algo que não se viu antes por aqui (risos). Além da construção de universo, da trilha sonora que compus pro livro e tudo mais, acho que o que mais cativaria um potencial leitor é a questão que Salto levanta no final. Não é um final feliz, não é um final triste, é um final que faz você pensar. Acho que esse é meu principal objetivo como quadrinista: Fazer as pessoas questionarem as coisas, saírem da zona de conforto. Espero que Salto desperte esse sentimento em todos.

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  • Montanha

    Sou eu que sou burro e não achei, ou está faltando o link para a página do Catarse, para eu clicar e apoiar o projeto?