The Boys ganhará versão televisiva — o que esperar?

[Atenção: Este artigo não é recomendado para menores de 18 anos e contém imagens NSFW. Então, não estranhe todo esse espaço antes do início do texto. Siga por sua conta e risco!]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não fiquei surpreso quando li no começo da semana que The Boys, a obra hipersarcástica de Garth Ennis e Darick Robertson finalmente recebeu luz verde para ser levada à TV. Como sabemos, não é a primeira das mais famosas publicações do autor irlandês a ir para a telinha – Preacher, sua magnum opus, está em exibição neste momento, e deve ser renovada para uma terceira temporada.

Para quem não conhece, The Boys é um quadrinho autoral de Ennis que durou 72 edições, publicadas entre 2006 e 2012. Apesar de ter iniciado na DC, sob o selo da Wildstorm, ela foi levada à Dynamite Entertainment logo no início, já que o então vice-presidente da Editora das Lendas, Paul Levitz, achou a paródia ácida de Ennis de extremo mau gosto, impedindo que o quadrinho tivesse vida lá dentro. Isso deixou o autor afastado da editora por alguns bons anos.

The Boys em arte de Darick Robertson.
The Boys em arte de Darick Robertson.

Isso tudo aconteceu porque na trama os super-heróis são comuns no mundo, mas aproveitam-se de seu status de celebridade para serem inconsequentes, comprometendo até a segurança das pessoas. Para isso existem os The Boys, uma equipe autorizada pela CIA a atuar, sem dó nem perdão, quando os supers começam a sair da linha. Com o objetivo de chocar seus leitores, Ennis extraiu as partes mais controversas de Preacher (violência extrema e sexo explícito) e as multiplicou por 10 (ou 100) em The Boys.

É aí que a porca torce o rabo.

Imagem da primeira edição de The Boys em arte de Darick Robertson.
Imagem da primeira edição de The Boys em arte de Darick Robertson.
Quadro da segunda edição de THe Boys com arte de Darick Robertson.
Quadro da segunda edição de THe Boys com arte de Darick Robertson.

Li The Boys anos atrás, antes que a série acabasse. Estava me divertindo um bocado, pois além da sátira super-heroica ser bem-feita (Garth Ennis sabe pôr o dedo na ferida, vide o que ele fez com o Wolverine anos atrás), havia uma trama envolvente ali. O problema é que a coisa descambou tanto pra putaria (o que gerou até o spin-off Herogasm, iniciada de cara por uma orgia inacreditável) que perdi o interesse. Se for pra ver sacanagem, um filminho cai bem melhor que uma HQ maluca.

E não foi só isso. Ennis ainda trouxe a HQ cientistas nazistas, necrofilia e outras maluquices.

O site Moviepilot fez uma excelente lista de sete itens controversos do quadrinho, e vamos trazer alguns deles aqui só para ficar claro do que The Boys se trata:

Starlight mandando ver nos caras
Starlight mandando ver nos caras – arte de Darick Robertson

– Para fazer parte dos Sete, o supergrupo análogo á Liga da Justiça, a super-heroína religiosa Annie January (Starlight) é obrigada a fazer sexo oral no Homelander e outros membros (o duplo sentido da palavra é proposital)

– O Homelander faz sexo com o cadáver do presidente dos EUA

– A minissérie Herogasm, spin-off de The Boys, é basicamente uma versão super-heroica dos 120 Dias de Sodoma (ou do filme Saló, se preferirem)

Homelander se divertindo com o presidente. Arte de Darick Robertson.
Homelander se divertindo com o presidente. Arte de Darick Robertson.

Em seu modo provocador mais extremo, Ennis explorou a violência dos super-heróis, a misoginia de um mundo tomado por supers majoritariamente masculinos e criou intrigas entre os diversos grupos presentes na história. Ou seja, de fato há críticas ali, e das valiosas. Mas a impressão que deixou em mim e em muita gente é que ele foi um pouco longe demais.

Seja como for, ao que tudo indica um acordo para The Boys ir à TV finalmente foi fechado. Eric Kripke, criador das séries Supernatural, Revolution e Timeless está por trás do projeto, que terá a Amazon Studios como sua casa. E eles estão muito compelidos a encomendar uma temporada inteira logo de cara, de tanto que apostam na série.

Verdade seja dita, com o excesso de material de super-heróis que temos hoje, The Boys pode ser um alívio, se bem adaptado. A partir do momento que as críticas e paródias ao gênero tomarem a frente dos excessos do autor, os fãs poderão estar diante de uma excelente série, recheada de intrigas e divertida pra cacete.

Controversa capa de The Boys Vol.1 #34 por Darick Robertson.
Controversa capa de The Boys #34 por Darick Robertson, tirando sarro de All Star Superman.

A questão é que hoje serviços de streaming e canais a cabo têm muito mais liberdade de mostrar sexo e violência do que anos atrás. Quem garante que a série não corra o risco de descambar para a putaria e perder o que tem de mais valioso? É este equilíbrio que Kripke e sua equipe devem buscar. Se ele conseguir, pode ser que até que ainda mais polêmica Crossed, também de Ennis, seja levada à TV um dia.

Enquanto isso, fiquem ligados no Terra Zero para mais novidades sobre The Boys, Zeronautas.

  • Fernando Alves

    Queria que saisse Crossed por uma editora,mas qual delas sera que poderia lancar uma coisa extra polemica como ela.

  • Felagund

    The Boys é legal. Mas eu odiei Crossed, essa ai é totalmente surtada, e não dá forma boa.