[Review] The Shadow #1, de Spurrier, Watters e Daniel HDR

O ano é 2017. A cidade é Nova York. E o mal, mais do que nunca, ainda habita o coração dos homens. Em agosto, a Dynamite e o conglomerado editorial Condé Nast trazem o ícone pulp da década de 1930 para os tempos atuais na nova The Shadow, dos autores Si Spurrier (X-Force, X-Men: Legacy, Judge Dredd) e Dan Watters (Assassin’s Creed: Uprising, Limbo), com ilustrações do brasileiro Daniel HDR (Superman, Cyborg).

Na primeira edição de The Shadow, somos apresentados à médica Mary Jerez, uma jovem residente que foi salva anos antes pelo Sombra em um incidente trágico envolvendo jovens armados em sua escola. A história de Spurrier e Watters é narrada pelo ponto de vista de Jerez enquanto ela trata um paciente vítima de graves queimaduras em um hospital. O Sombra aparece em flashbacks da moça, que impede que o incidente na escola se torne uma tragédia ainda maior.

O roteiro equilibra mistério, ação e uma bela dose de crítica social contemporânea. O Sombra de Spurrier e Watters definitivamente não é um herói. O personagem é retratado como um vigilante controverso, meio que uma aberração e, no fundo, um amargo remédio para um mundo que a narradora considera “doente”.

Através do flashback e das cenas no hospital, um leitor que nuca teve contato com o Sombra rapidamente é apresentado ao personagem e pode facilmente entender como o vigilante atua. A transição do Sombra dos anos 1930 para os 2017 é completamente natural e fluida, talvez o maior mérito deste formato de roteiro.

A revista toda se encaminha para um gancho final bastante cativante que, se não convencer o leitor a ler a próxima edição, ao menos não decepciona. Apesar de ser praticamente um monólogo de Jerez, a personagem facilmente carrega a história toda nas costas, tendo o Sombra somente como um elemento caótico e misterioso em sua vida.

A arte de Daniel HDR se encaixa perfeitamente na proposta de Spurrier e Watters para esta publicação. Visualmente o Sombra praticamente o mesmo das tiras imortais de suas histórias de quarenta anos atrás e o ilustrador consegue mesclar esta iconografia aos cenários modernos sem dificuldade alguma. A primeira aparição do personagem é um dos momentos cruciais da revista, pois trata de um tema muito delicado (principalmente nos Estados Unidos) de uma forma bruta porém elegante. O enquadramento sóbrio das cenas no hospital contribuem muito para o fluxo de leitura agradável e o conjunto de técnicas alternadas entre as cenas atuais e os flashbacks tornam The Shadow um quadrinho impactante visualmente, porém de fácil acesso para qualquer tipo de leitor.

The Shadow #1 é uma estreia bastante forte neste segundo semestre da Dynamite. Trazer este personagem de volta (principalmente após as histórias muito bem feitas por Garth Ennis) era um desafio grande para esta equipe criativa. Felizmente, Spurrier e Watters conseguem usar a sua interpretação do vigilante a seu favor e o Sombra acaba se encaixando perfeitamente em um mundo cheio de horrores como o nosso. A presença de uma narradora forte como a voz contribui muito para a identificação com esta leitura, e a apresentação de Daniel HDR é imapctante e precisa. Mais do que nunca, este é um mundo no qual o Sombra infelizmente ainda é um personagem bastante relevante, o que torna esta leitura amarga porém bastante satisfatória.

  • IDRIS ELBA RAMALHO

    “cÂncer da ‘justiça social'”
    E quem vê você, pensa…
    A camisinha devia ser mais resistente, assim um merda desse não nascia.

  • “manginismo”
    “câncer da justiça social”

    Não tem mais termos sem sentido importados da extrema-direita americana pra degradar eles, não????? Tipo “flocos de neve”, “cucks”, “SJW”, “beta males”, etc.
    Vai lá, cara! Acreditamos no seu potencial. Reaja à assaltos.

    • Pelo menos, o Terra Zero não fala mal de outros sites pra tentar ganhar visualizações diferente de um certo blogzinho de bosta que adora atacar outros sites e minorias.

      • CONTRA!

        “atacar minorias”?? Do que você tá falando?

  • Cassiano Cordeiro Alves

    Nada é mais subjetivo do que as artes. Você não gostar do desenho do Daniel HDR ok, o gosto é seu. Chamar o desenho de datado é discutível. Agora, dizer que a arte do HDR já foi boa, mas “virou um lixo” em razão do pensamento ideológico do cara (seja ele qual for) é algo que não faz o menor sentido.
    Confesso minha ignorância, nunca ouvi falar em “manginismo”. Fui buscar rapidamente o termo no google e vi uns conceitos tão bizarros que prefiro nem questionar.
    Câncer da “justiça social”? Cara, repito: o que isso tem a ver com o desenho do artista?

  • Igor Tavares

    Eu nem conheço o Daniel HDR. Só fiz o review mesmo. E “corja” foi maneiro. Nunca tinham usado esse termo pra se referir a minha pessoa e associados. Obrigado pelo pageview e comentário.

  • Luiz Magno

    Não podemos esquecer do excelente The Shadow de Howard Chaykin, que mostrava o personagem nos dias atuais.