[Review] Secret Empire #8, de Spencer, Acuña e Reis

O momento mais escuro da noite é pouco antes do amanhecer. Usando este artifício narrativo recorrente,  Nick Spencer nos leva ao ponto de virada de Secret Empire. Usando um fragmento do Cubo Cósmico, Sam Wilson (que reassume o manto de Capitão América) convoca todos os aliados restantes da força de Vingadores do submundo em um esforço desesperado contra o domínio da Hydra.

Aliado ao recém adquirido fragmento do Cubo, Spencer aproveita personagens como a nova Quasar (que ele mesmo introduziu em Avengers Standoff) e o Doutor Estranho como dispositivos de resolução dos entraves antagônicos da história. Com isso, as forças aliadas tem uma chance e, logicamente, a aproveitam para escapar de seus cativeiros. Agora, enfim, temos uma luta justa entre a coalizão de Vingadores e a Hydra comandada por Steve Rogers.

Apesar de usar (novamente) o Cubo Cósmico como ferramenta de reversão de status narrativo de seus personagens, Spencer consegue disfarçar um pouco o “ex-machina” através das contribuições de Carol Danvers, Manto, Adaga e do próprio Sam Wilson para a sua “virada de jogo” nesta oitava parte da saga. A mudança constante entre os núcleos tornam esta edição bastante movimentada e positiva. As ações tem aquela narração motivacional meio demagoga, típica de momentos de superação heroica. Portanto, é uma edição sem muitas surpresas. Os heróis finalmente tem um momento de aparente vitória na história de Spencer e se preparam para enfrentar o seu principal opositor.

Justamente por ser focada nos heróis da resistência anti-Hydra, esta parte de Secret Empire tem participação bem limitada de Steve Rogers. Sendo este um dos personagens mais interessantes da história de Spencer, sua falta é sentida. Por mais que o leitor queira ver o bem triunfando sobre um regime como o da Hydra, o roteirista criou um vilão tão coercivo, cativante e multifacetado neste Rogers que qualquer edição da saga com uma participação menor dele perde um pouco de brilho.

A arte em Secret Empire #8 também sofre com certa perda de consistência. A escolha de Daniel Acuña para histórias com elencos numerosos já não funciona desde os tempos de Fabulosos Vingadores. Acuña não consegue entregar fotografia e caracterização consistente com o volume de informação proposto por Spencer. Com isso, algumas cenas (não todas) são penalizadas. O editorial da Marvel precisa entender que Acuña se encaixa muito melhor em histórias com elencos menores e escopo mais intimista, vide o bom trabalho que tem feito no quadrinho de Sam Wilson. O trabalho de Rod Reis nas cenas em Vanishing Point, por sua vez, continuam belíssimas, e é de Reis a tarefa do grande gancho final da edição, em uma sequência de quadros lindos.

Secret Empire #8 é a edição mais previsível de toda a saga até o momento. Como já era esperado, novamente Nick Spencer usa o Cubo Cósmico como artifício para se desenrolar de seus enlaces narrativos. Isso não significa necessariamente que a história perde gás ou que decepcione a partir daqui. É somente um curso natural que se espera em grandes sagas deste tipo. Novamente temos um equilíbrio bom entre ação, drama e até um pouco de humor no roteiro veloz e muito digerível do autor. A arte sofre uma queda de qualidade devido a uma escolha editorial infeliz de ilustrador, mas, de qualquer maneira, a história permanece bastante interessante e promete um embate histórico entre dois ícones da editora até seu final.

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