[Review] Secret Empire #7, de Spencer, Sorrentino e Reis

O Capitão América está voltando. É o que podemos dizer sobre a sétima edição de Secret Empire sem dar spoilers. Os Vingadores do submundo foram completamente derrotados na sexta edição da saga. Agora, todas as fichas são depositadas no plano da Viúva Negra que é, de fato, matar Steve Rogers durante um discurso em Washington DC. A identidade do personagem hospitalizado que vem sendo mostrado desde a quinta edição da saga é revelada e ele faz parte do grande plano da Viúva para desconstituir o regime imposto pela Hydra ao continente.

A sétima edição de Secret Empire é quase que exclusivamente focada na tentativa desesperada da Viúva Negra em deter os planos de Rogers. Nick Spencer, com isso, retorna ao tema da profecia de Miles Morales, proposto por Brian Michael Bendis em Guerra Civil II (que já tem resenha completa aqui). O roteiro mistura muito bem ação com drama desesperado. Vemos um Rogers cada vez mais amargo E só no comando de seu regime; de quebra, conhecemos as motivações de Frank Castle e, novamente, vemos mais um trágico fim para um personagem-chave nesta história. O gancho final da edição novamente é impulsionador e empolgante.

É difícil não imaginar como seria interessante se a editora aproveitasse 100% das repercussões propostas pelo autor nesta saga. O fato é que, se levado a sério na cronologia, o regime de Steve Rogers deixa sequelas profundas no universo Marvel e poderia nortear uma linha completamente nova de quadrinhos daqui para frente. Mérito do autor que, aqui, faz sua costumeira crítica sociopolítica (segurando bastante a mão na panfletagem), muda stati quo de forma ousada e trabalha uma ideia que não foi sua de maneira razoável.

É importante destacar o conflito Viúva/Rogers/Miles — tema central desta edição. O embate é abrupto, desastrado, confuso, acidental e não tem nada de heroico. Trata-se de uma batalha tão feia quanto uma briga entre entes queridos. Intencionalmente (ou não), Spencer dá um tom lúgubre e mundano para algo que o leitor espera que seja grandioso e épico. Como um disparo acidental de arma de fogo em uma briga de familiares, a cena choca pela estupidez de seu desfecho.

As arte de Andrea Sorrentino e Rod Reis, complementadas por Joshua Cassara e Rachelle Rosenberg, deixam a sétima edição de Secret Empire com uma apresentação levemente caótica. A alternância entre as artes principais e complementares não é equilibrada. Enquanto Sorrentino nos mostra sua melhor forma, tanto em execução quanto em concepção de painéis, Cassara e Rosenberg fazem um feijão com arroz que contrasta gravemente com o restante da revista. Um problema que não é tão grande em Secret Empire é justamente essa alternância de artistas entre e na própria edição. A sistemática editorial proposta tira muito do impacto da história para atender prazos de lançamento.

Secret Empire #7 é mais uma edição direta ao ponto de Nick Spencer e Cia. O roteirista aproveita a ideia lançada em um arco prévio e dá a Miles Morales uma participação digna em sua história. O destino da Viúva Negra pode ser questionado pelos leitores não muito fãs de repercussões bombásticas, mas acentua ainda mais o tom soturno e desesperador desta saga. Com um equilíbrio sóbrio entre ação e drama, uma arte que tem momentos de brilhantismo e um ritmo bem acelerado, Secret Empire continua no caminho para se tornar uma das histórias mais relevantes da Marvel nesta década.

3 Comentários

Clique para comentar

cinco × cinco =

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com