[Review] Secret Empire #6, de Spencer e Yu

O final da quinta edição de Secret Empire nos levou ao cerco da Hydra liderada pelo Capitão América e seu time de Vingadores renegados à base rebelde da resistência chamada de O Monte. Na sexta edição da saga, o autor Nick Spencer nos leva a um novo embate entre essas duas facções quando o ataque ao Monte, de fato, começa. Paralelamente, a situação na nova Sala Vermelha da Viúva Negra vai de mal a pior. Alguns jovens heróis que se separam do time de Stark descobriram que se aliar à espiã não foi uma boa ideia. Enquanto isso, no lugar fora do tempo chamado de Vanishing Point, o outro Steve Rogers é torturado pelo seu principal inimigo. Em Nova York, o Rei do Crime se aproveita do estado desesperador da população da cidade para plantar sementes de domínio urbano.

Secret Empire #6 é o chamado ponto mais baixo da história de Spencer. Não o ponto mais baixo em termos de qualidade de roteiro, mas no que tange ao clima da história. Aquele momento narrativo característico em arcos heroicos desta natureza no qual tudo parece perdido. Isso fica nítido em todos os núcleos narrativos desta edição. Seja no diálogo da Viúva Negra com Miles Morales (que tem momentos claros de ressonância com a atual situação estadunidense), na cena de tortura de Steve Rogers, no destino da força de resistência e até mesmo dentro da Hydra através de Thor e do próprio Capitão Hydra, que sofrem duros golpes. Spencer não perdoa ninguém aqui. O autor mostra de fato que, em cenários de paranoia, intolerância e autoritarismo, todos os lados saem perdendo alguma coisa.

Tirando a parte triste e a total falta de esperança, a sexta edição é uma das mais movimentadas da saga até o momento. Temos muita ação durante praticamente toda esta parte da história e a presença de um Vingador que retornou da morte na edição passada só acentua esse conflito. As cenas da invasão são aceleradas e há o tom de urgência e desespero que se espera nos diálogos entre os Vingadores.

Grande parte da arte nesta edição de Secret Empire é feita por Leinil Francis Yu com as já tradicionais cenas complementares de Rod Reis. Aqui não vemos o melhor trabalho da carreira de Yu, mas o ilustrador tem intimidade suficiente com o elenco para não comprometer em momento algum a narrativa. Reis continua muito consistente na caracterização do Vanishing Point e em termos de apresentação, Secret Empire não fica devendo nada a grandes sagas da Marvel. As cenas de ação funcionam bem e é divertido ver os embates gigantescos entre alguns dos principais personagens da editora na interpretação bruta de Yu.

O principal trunfo de Secret Empire nesta altura da história não são mais as analogias políticas com a atual administração estadunidense. Nick Spencer já passou desse ponto e não baseia seu roteiro em retórica e alegorias. A história se destaca pelo seu ritmo muito acelerado e mostrando conflitos internos entre todos os seus núcleos. Ninguém sai incólume e há perdas para todos os lados. Temos uma trama séria com profundidade e que busca em toda a história do seu elenco combustível para os conflitos propostos. O diálogo entre Rogers e um certo Doutor é o melhor exemplo disso. Com uma arte itinerante que não compromete e um gancho final bem executado novamente, Spencer e a Marvel conseguem manter os leitores que se interessam por uma boa história envolvidos e curiosos pelo futuro da saga.

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