[Review] Generations: Banner Hulk / Totally Awesome Hulk #1

Começa este mês, agosto de 2017, o movimento que leva a nova temporada de renovação das publicações da linha da Marvel. Generations se trata de uma série de histórias únicas reunindo personagens tradicionais da editora com seus correspondentes legados. As histórias se passam na dimensão denominada Vanishing Point, um lugar solto de qualquer amarra cronológica da editora e onde o tempo não tem importância. Isso, teoricamente, faz destas histórias um bom ponto de partida para conhecer estes personagens e um terreno fértil para autores explorarem a muitas vezes controversa relação de uma determinada franquia com seu personagem legado.

Iniciando os trabalhos em Generations, a Marvel escolheu um membro fundador dos Vingadores e talvez um de seus personagens mais incompreendidos: O Incrível Hulk. Na história do autor já veterano de Hulk, Greg Pak, ilustrada por Matteo Buffagni, o atual Hulk Amadeus Cho se vê subitamente no meio do deserto de Nevada tendo que mediar um dos tradicionais confrontos entre o velho Hulk Bruce Banner e o exército estadunidense liderado pelo General Thadeus “Thunderbolt” Ross.

O confronto em escala “hulkiana” leva a diversos questionamentos sobre a maneira como cada um dos dois protagonistas encara sua persona monstruosa. Mais do que uma apresentação dos dois personagens, Pak aproveita para transformar a ação brutamontes típica em histórias do verdão em uma sutil sessão de terapia na qual Cho aprende um pouco sobre manter o monstro na proverbial “mala do carro”.

O roteiro de Pak é bastante simples e o foco de sua história são os diálogos entre os dois personagens principais. Banner aqui já é um sujeito que se acostumou a sobreviver mantendo a fera sob controle e preservando seus entes queridos de algo que mal consegue controlar. Cho é o jovem cheio de energia querendo fazer algo diferente, mas alheio aos efeitos colaterais de se ter um Hulk em sua consciência. Ao final, o jovem Cho aprende que ele é um Hulk com tantas virtudes e limitações quanto Banner, ao contrário do que imaginava.

A arte geometricamente estilizada de Buffagni se encaixa perfeitamente com a proposta de Pak para esta revista. As cenas de combate são memoráveis, os Hulks têm suas personalidades visuais muito bem definidas, a escala de dano de um confronto dessas proporções é precisa e temos cenas de ação dignas de um quadrinho com os dois personagens mais fisicamente fortes da editora. Tudo com uma colorização de muito bom gosto e cheia de nuances de Dono Sánchez-Almara.

O encontro de dois Hulks em Generations tinha tudo para ser uma história genérica de passagem de bastão na Marvel. Com um personagem de legado mais jovem, energético e com uma proposta bem mais positiva que seu predecessor era natural que Greg Pak fizesse com que Banner se acomodasse e deixasse Cho assumir este fardo. No entanto, a história em Generations é alarmante e elucidativa para Cho. Aqui, Banner dá um grande alerta para o garoto. Ele não é um herói. Ele é um carcereiro mantendo uma besta descontrolada na jaula o tempo inteiro. Com isso, o autor nos diz que, no caso do Hulk, ninguém é melhor que ninguém. Tanto o personagem de origem quanto o seu legado tem um enorme fardo: o de ser uma incontrolável força da natureza que pode devastar todo o universo Marvel se não for administrada de forma correta.