Kirkman com Amazon, Millar com Netflix: o que se esperar disso?

Nunca a vida de um artista de quadrinhos foi glamourosa. Tirando alguns artistas como Neil Gaiman, Alan Moore e Stan Lee, era difícil os operários de quadrinhos serem reconhecidos pelo grande público. Porém, parece que o século XXI abriu os olhos para os artistas que estão trabalhando nesse segmento. Basta observar que a Netflix e a Amazon fecharam acordos milionários para ter roteiristas de HQs trabalhando para eles com exclusividade.

Na semana passada, fomos pegos de surpresa pelo anúncio da Millarworld sendo comprado pelo Netflix. O selo de quadrinhos que pertence à Mark Millar fechou um acordo de exclusividade de criação de conteúdo para o canal de streaming, fazendo que todas suas obras criadas com a marca ficassem disponíveis para que o canal fizesse adaptações de filmes ou séries.

Durante a última sexta-feira (11), foi anunciado que Robert Kirkman, criador de The Walking Dead, Invencível e Outcast, assinou um contrato de parceria a Amazon Prime, outro canal de streaming com séries originais, tendo como destaques as séries Transparent e as adaptações dos livros O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick, e Deuses Americanos, de Neil Gaiman. Kirkman e sua empresa, Skybound, afirmam que essa ideia é para expandir seus horizontes e que a Amazon pode chegar a lugares que outras emissoras ainda não conseguiram.

Olhando para essas duas notícias e ligando elas ao fato de que Disney e Warner estão criando canais de streaming com seus próprios conteúdos, empresas como Netflix e Amazon olham com carinho para artistas de quadrinhos. Primeiro, porque hoje adaptações de personagens de HQs estão mais na moda e tem facilidades junto ao público; com os artistas corretos, eles conseguem com que os leitores e fãs desses artistas participem da promoção dos programas.

Netflix e Amazon parece terem entendido essas mudanças antes do restante do mercado. Se analisarem, uma dessas empresas acaba de assinar contrato com Gerard Way e Gabriel Bá para criar uma série de The Umbrella Academy, um universo fora do eixo Marvel/DC que tem o nome de um rockstar com uma gigantesca massa de fãs. Enquanto a Amazon adapta Deuses Americanos, obra de outro artista de quadrinhos que move multidões. Fugindo de títulos que são possuídos por grandes empresas e negociando diretamente com os autores, diminui-se grande quantidade das barreiras contratuais.

Umbrella Academy. Arte do brasileiro Gabriel Bá.
Umbrella Academy. Arte do brasileiro Gabriel Bá.

Não vamos também tirar o reconhecimento de Mark Millar, que é um artista que sabe muito bem fazer seu marketing pessoal, talvez abaixo apenas de Stan Lee no quesito autopromoção. Robert Kirkman é outro roteirista que entendeu muito bem como funcionava o mundo da transmídia e cuida muito bem das adaptações de seus trabalhos. Tanto que tornou The Walking Dead em uma das franquias mais rentáveis da TV estadunidense.

O interessante é perceber que esses movimentos podem ser muito bons para os artistas de quadrinhos em geral, que podem ter seus quadrinhos sendo reconhecidos por empresa e incentivando os quadrinistas a criarem mais trabalhos autorais. Se Millar, Kirkman, Way e Gaiman conseguirem sucesso em suas empreitadas, portas serão abertas para outros criadores. Isso também vai incentivar os conglomerados de mídia a começarem a adaptar os vários projetos de que eles detém direitos, mas que apodrecem na geladeira esperando a boa vontade dos executivos.

Só nos resta aguardar os próximos capítulos dessa história. E o Terra Zero estará, como sempre, de olho!

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com