[Emulador de Críticas] Jack Kirby: Vida longa ao Rei!

Hoje é dia 28 de agosto de 2017 e esse é um dos dias mais importantes da existência das HQs, da forma como os conhecemos. Nesta data, seria festejado o centésimo aniversário do Rei dos Quadrinhos, Jack Kirby, se ele estivesse vivo. Um dos maiores artistas da arte sequencial que pisou na face da Terra, o homem que inspirou e se tornou a pedra fundamental de toda uma indústria, populando o imaginário coletivo com os mitos criados pelo autor.

Kirby sempre foi um grande operário dos quadrinhos. Um homem incansável: escrevia, desenhava, criava e editava, sendo um homem firme em suas ideias e também muito correto. Essa sua postura sempre foi muito admirada por alguns de seus pares, mesmo que isso também causasse problemas com algumas pessoas, que não gostavam do seu jeito turrão. Porém, Kirby, durante todo seu tempo nos quadrinhos, lutou pelo seu reconhecimento como artista e por seus pares. Suas criações movimentavam muito dinheiro e ele queria, também, receber o bônus, após tantos ônus durante sua vida de trabalho.

Desenhista de mão cheia, conseguiu criar vários ícones dos quadrinhos, começando pelo Capitão América, seu maior legado. Esse trabalho, criado ao lado de Joe Simon, fez com que o desenhista ganhasse reconhecimento e inflasse os soldados estadunidenses que estavam lutando na Segunda Grande Guerra. Um trabalho que, mesmo após 76 anos de existência, ainda consegue ser atual, sobre um homem incansável que nunca para de lutar pela liberdade do seu povo e contra o mal.

Dezenove anos mais tarde e com mais experiência, ao lado de Stan Lee, Kirby criou um universo, renovando e inspirando os leitores de seus quadrinhos. Ele é a pedra fundamental da Marvel, como nós, leitores com mais experiência, sabemos. O dedo do Rei está, de alguma forma, em todas as criações que aconteceram durante a Marvel Comics nos seus primeiros anos. São títulos como Quarteto Fantástico (sua mensal mais longeva, na qual desenhou cem edições), Thor, Hulk, X-Men, Homem de Ferro, Vingadores e outras centenas de personagens que valem hoje milhões de dólares. Stan Lee recebe há muito tempo mais créditos, mas isso é porque muitas pessoas que se esquecem ou sequer sabem que o desenhista do Brooklyn passava noites e dias desenhando muitas das coisas que lemos, torcemos e cultuamos diariamente.

Na DC, Kirby em suas passagens fez grandes trabalhos! Desde a década de 40, criou personagens marcantes como Legião Jovem (também com Joe Simon), Desafiadores do Desconhecido, Etrigan, Novos Deuses, Senhor Milagre, Kamandi, Povo da Eternidade, além de construir uma mitologia cósmica como poucas vezes foi vista nas HQs. Seus trabalhos formam uma espécie de bíblia que, hoje, é fundamental para todos os títulos da DC. São grandes as obras, personagens, artes estonteantes e ensinamentos que Kirby nos deixou nas suas páginas, por onde quer que passasse, mesmo em editoras pequenas e projetos autorais.

Eu fiquei pensando muito em como escrever esse texto. Cheguei à conclusão de que nada que eu faça vai conseguir representar este artista da maneira correta. Jack Kirby, para mim, representa tudo que os quadrinhos de herói deveriam ser. Uma história sobre mitos, deuses que erram e acertam, mas que no fim do dia vencem o mal. Trabalhos que nunca entediam, que trabalham nossa mente e que inspiram todos a procurarem dentro de cada um o melhor, a sonharem com um mundo melhor, a nos autoconhecermos.

Kirby é um Rei, não por causa de suas artes, mas porque, durante toda a vida, tentou lembrar em suas páginas que podemos encontrar cor e extrair de dentro de nós um herói mesmo em um mundo sujo e terrível, e que ele pode nascer a qualquer momento. Por isso, este artista inspirou e inspirará várias gerações.

Obrigado, Jack Kirby. Vida longa ao Rei!

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