[Entrevista] Warren Simons apresenta a Valiant ao Brasil

Conforme informamos recentemente, o material publicado pela Valiant teve um grande relançamento recente no Brasil através da plataforma digital Social Comics e também pela editora Jambô. Com a perspectiva de lançamento de material antigo e inédito, o interesse do público por este relativamente novo universo de quadrinhos aumentou bastante. Portanto para apresentar este novo universo aos leitores brasileiros, o Terra Zero entrou em contato com a editora e teve acesso ao editor-chefe da Valiant, Warren Simons.

Com mais de quinze anos de experiência no mercado de quadrinhos e tendo trabalhado com os principais títulos da Marvel nas década de 2000, Warren participou ativamente do relançamento de toda a linha da Valiant em 2012 e hoje, além de ser responsável por todo este universo ficcional, ainda é um dos curadores das franquias da editora em sua vindoura transição para outras mídias.

Aqui, Warren apresenta exclusivamente os principais lançamentos da Valiant no Brasil este ano, comenta sobre o futuro deste universo nos quadrinhos e em outras mídias.

Terra Zero: Divinity finalmente está ganhando um lançamento completo aqui no Brasil. Você poderia apresentar a história desta franquia para o leitor que não está familiarizado?

Warren Simons: No final dos anos 1960, os Estados Unidos tinham ambições de chegar à Lua, os russos tinham ambições de chegar aos limites da galáxia. Os russos, então, enviaram múltiplos cosmonautas aos confins do espaço e Divinity é a história de uma desses cosmonautas, Abram Adams, e sua jornada desde criança abandonada até um semideus que retorna a Terra quarenta anos após o início de sua missão.

Em Divinity II nós conhecemos o destino dos outros dois cosmonautas. A história é protagonizada por Myshka. Ela é uma marxista ferrenha e retorna à Terra somente para ver a União Soviética dissolvida e, logicamente, ela não fica feliz. Então, em Divinity III: Stalinverso vemos a história da União Soviética que venceu a Guerra Fria. Abram é internado em uma instituição para doentes mentais. Myshka se torna uma agente do governo. Algo deu muito errado…

A Valiant fez um trabalho muito bom com Divinity, expandindo a série em duas sequências. Como essa franquia ficou tão grande na editora?

Bem, eu acho que com Divinity a coisa se tornou um sucesso orgânico. Matt Kindt é um talento extraordinário e nós não poderíamos estar mais orgulhosos de seu trabalho. Trevor Hairsine é um dos ilustradores mais competentes da indústria – e um contador de histórias absolutamente brilhante — e esses dois juntamente com Ryan Winn, David Baron, e Dave Lanphear fizeram um trabalho incrível com essa franquia.

O primeiro [livro de] Divinity já teve onze reimpressões e estamos incrivelmente orgulhosos da história e desse time.

Como vocês equilibram a história em Divinity com esses personagem tão poderosos?

Esse é o brilhantismo de Matt e Trevor. Apesar de Abram ter os poderes de um deus, em seu âmago ele é somente um homem com falhas e anseios, como você e eu. E isso é a base para um personagem cativante. Acrescente a dinâmica de raça, ideologias econômicas e livre arbítrio e você tem uma história muito interessante.

Divinity parece buscar muitas histórias da época da Guerra Fria. Na sua opinião, o que faz desse período um terreno tão fértil para boas histórias?

É uma ótima pergunta. Eu acho que a corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética, assim como a luta pelos direitos civis nos anos 1950 e 1960 nos Estados Unidos, fazem um pano de fundo para ótimas tramas.

A diversidade parece surgir sem esforço em Divinity assim como em todo o Universo Valiant. Como editor, qual é o seu papel em promover a diversidade de personagens na linha da editora?

Meu papel como editor-chefe é ajudar a construir e promover histórias, personagens e criadores cativantes. Eu acho que a melhor maneira de fazer isso é contar histórias com as quais eu me importo, ou que acredito que o público vai achar interessante. Por exemplo, apesar de raça e gênero serem centrais em Divinity, elas são parte das histórias dos personagens, que é algo que podemos nos relacionar. Estes temas são centrais para a experiência humana, ao menos neste ponto da história da humanidade, em oposição a alguma jogada de marketing ou alguma demanda editorial superior. Se você começa deste ponto de partida, acho que vai fazer u bom trabalho.

O segundo encadernado a ser publicado aqui no Brasil pela Jambô será The Valiant, de Matt Kindt e Jeff Lemire. Você pode falar um pouquinho da história desse quadrinho?

Matt e Jeff são amigos há muitos anos. Ambos são grandes sujeitos e eles bolaram uma história juntos que reúne o universo Valiant para combater o Inimigo Eterno, uma força elemental praticamente imparável que exige todos os recursos dos personagens. Nós conhecemos muitos personagens novos em The Valiant — incluindo Tama, a Geomancer — e começamos a entender o papel vital que ela tem no universo Valiant.

Além disso, Paolo Rivera! Paolo é um dos melhores artistas da indústria, um ilustrador absolutamente brilhante que tem um estilo único e bastante clássico. Ele faz um baita trabalho nesses quadrinhos.

Uma das personagens mais adoradas da Valiant que chega ao Brasil esse ano em minissérie é Faith. Você pode explicar porque ela é tão importante para a Valiant agora?

Faith é uma aquisição maravilhosa porque ela é o coração do otimismo dentro do universo Valiant. Ela acredita no melhor que as pessoas podem oferecer. Jody Houser [que conversou com o Terra Zero na época do lançamento de Faith] escreveu uma história inicial maravilhosa, e há algo extraordinário sobre o âmago desta personagem que as pessoas do mundo inteiro se identificam.

Existem muitos projetos incríveis da Valiant sendo lançados esse ano. Desde Future Force, passando por Secret Weapons até o evento em Harbinger e uma sequência para Divinity III. Você pode nos falar um pouco sobre o que vem por aí?

Este é o ano do retorno aos nosso ícones. Nós tivemos um 2016 maravilhoso, no qual pudemos introduzir e construir uma porção de novos personagens como em Divinity, Savage e Britannia. Nós tivemos muitos quadrinhos de sucesso, mas esse ano voltamos aos nossos ícones. O primeiro em nossa linha e o X-O Manowar #1, que foi lançado este ano e teve uma recepção muito muito boa. Nós também temos Secret Weapons, War Mother, Bloodshot Salvation, Eternity, Ninja-K e Quantum & Woody vindo por aí! Então temos diversos lançamentos, mas é tudo um retorno aos nossos ícones.

Finalmente, o universo Valiant está se expandindo para outras mídias. Primeiramente na websérie Ninjak vs the Valiant Universe e depois em longa metragens. Você tem alguma atualização sobre esses projetos?

Uma das melhores partes do meu trabalho é supervisionar a transição de nossos personagens dos quadrinhos para outras mídias. Eu tive muita sorte de trabalhar para a Marvel por muitos anos, onde pude editar quadrinhos como o Homem de Ferro e Thor, e vê-los fazendo a transição para os filmes. Isso é uma das coisas mais gratificantes que um editor pode ver e acho que estamos na ponta do iceberg para nossos projetos transmídia vindouros, incluindo um contrato de cinco filmes com a Sony. Tem umas coisas incríveis vindo por aí. Fiquem ligados!


Para saber mais sobre o Universo Valiant, veja o nosso Guia da editora aqui.

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