DC Films: Liga, Batgirl, Coringa, incertezas e o movimento cíclico

O roteiro da Liga da Justiça Dark está sendo reescrito por Gerard Johnstone enquanto o filme não tem diretor. Coringa pode ter nada menos que dois filmes nos próximos anos, um compartilhado com a Arlequina e outro que contará sua origem e seu passado. A Batgirl sequer seria cogitada para um longa metragem solo se Joss Whedon não tivesse sido contratado pela Warner para terminar Liga da Justiça, o que lhe deu a chance de vender a ideia para o estúdio. Esquadrão Suicida 2 só será filmado no final do ano que vem, já que Will Smith está com a agenda megacheia.

Este é o atual estado do DC Films. Com exceção do que já está certo, é claro, como os filmes da Liga da Justiça, do Aquaman e do Shazam, que estão em diferentes fases de produção e com datas agendadas para lançamento. Até que as informações mudem, The Batman, Flash/Flashpoint e Cyborg continuam no páreo também. Falta apenas ser definido como o segundo longa da Mulher-Maravilha será, já que a diretora Patty Jenkins ainda está acertando os ponteiros com a Warner para comandá-lo também.

Montagem com a galera toda do DC Films.
Montagem com a galera toda do DC Films.

Mas, falando sobre as incertezas que temos em relação ao estúdio, esse monte de coisa nos faz pensar uma coisa: nada disso é novo. Pode parecer distante, mas em 2015 o jornalista, ator e cineasta Jon Schnepp conseguiu financiar um dos melhores documentários já lançados sobre quadrinhos: The Death of Superman Lives.

Superman Lives seria o quinto filme do Superman, que se valeria de eventos importantes dos longas anteriores (lançados entre 1978 e 1987, com Christopher Reeve no papel principal) para contar os seus. Ele adaptaria a Morte e o Retorno do Superman com ninguém menos que Nicolas Cage no papel principal e Tim Burton na direção. O documentário mostra várias coisas inéditas para os fãs, como testes de Cage com o uniforme, concept arts jamais reveladas anteriormente e muitas outras coisas interessantes, incluindo entrevistas com gente que esteve lá. Sim, Schnepp falou com Tim Burton. E por um bom tempo!

Já imaginou se isso saíssem e desse início a um outro tipo de DC Films? Em alguma Terra do Multiverso, rolou.
Já imaginou se isso saíssem e desse início a um outro tipo de DC Films? Em alguma Terra do Multiverso, rolou.

O que quero dizer com tudo isso? Que propostas cinematográficas envolvendo super-heróis que não vingam são imensas. Datam de algumas décadas, na verdade. Este é um dos casos mais famosos, pois envolveu talentos de altíssimo calibre em Hollywood e tem impacto no mundo nerd até hoje. Mas isso aconteceu também com a Liga da Justiça de George Miller, em 2008, cuja produção e elenco foram até a Austrália para começar as filmagens e ficaram chupando o dedo – a Warner não financiou a bagaça, e tudo foi enterrado.

Podemos ir até um pouco mais pra trás, quando Roger Corman produziu uma das coisas mais trashs já feitas neste meio, o condenado primeiro filme do Quarteto Fantástico, de 1994. Ele até foi produzido, com um orçamento que daria vergonha até às novelas do SBT, mas nunca foi lançado em circuito cinematográfico. No meio-tempo de todas essas produções que estou citando, as informações iam e vinham o tempo todo. Começaram a crescer com Superman: Flyby, o projeto que surgiu após o enterro de Superman Lives. Ele teria conceitos de seu antecessor, com roteiro de J.J. Abrams e diretores que variaram de McG a… nem sei quem mais.

Os boatos em torno desses longas circulavam insanamente nos primórdios da internet. Quando deixamos de ler revistas como a Set para procurar informações nas ~interwebz~, a boataria passou a crescer. Virou um mercado. Hoje, um anúncio qualquer de determinado estúdio faz com que suas ações na bolsa subam ou desçam. É impressionante!

Portanto, essa maluquice toda em volta da DC Films, que de fato está com problemas para decidir qual caminho seguir com suas adaptações no cinema, não é um evento inédito. Só está com proporções muito maiores porque hoje as informações estão espalhadas por mais sites, com alcance para diversos públicos, mas, principalmente, pelas redes sociais, onde toda essa galera se concentra. E boatos são um mercado. Dos bons. Mantém os estúdios e suas produções na boca do povo (ou no toque de uma tela), o que traz especulação, milhares de citações nas redes sociais e tudo o mais que for bom (e ruim) para estes conglomerados em termos de popularidade.

Ou seja, por mais que seja um saco os sites (inclusive a gente) falando sobre isso o tempo todo, as informações estão correndo e, como veículo, todos precisamos ao mesmo tempo filtrar e fornecer fatos (e às vezes boatos) a todos os leitores. É o que fazemos. E isso não vai diminuir; quanto mais filmes e séries de HQs vieram, mais isso tende a crescer. Não se enganem: a gente também fica cansado desse vai-e-volta às vezes.

Tendo dito tudo isso, o que comentar sobre essas notícias todas? Bem, diz-se que o tal filme de origem do Coringa mostrará um garoto que fica com um sorriso na cara o tempo todo enquanto é escorraçado pelos colegas. Ele crescerá assim, com gente cada vez pior do lado dele. Na teoria, este longa será produzido por Martin Scorsese, cuja experiência dispensa apresentações. O boato sobre o argumento que virará roteiro veio do agente de uma das pessoas envolvidas na concepção deste Coringa. Portanto, deve ser tomada com extremo cuidado.

Jared Leto, o Coringa do DC Films.
Jared Leto, o Coringa do DC Films.

Ainda falando do Coringa, e já emendando isso com Arlequina e Batgirl, teremos o spin-off do Esquadrão Suicida, Coringa & Arlequina. O que esperar disso tudo?

A primeira coisa, é que todas as informações que recebermos nas próximas semanas sobre os três projetos tendem a ser tão cíclicas quanto os exemplos citados no começo do texto. Muita coisa deve ir e vir por um bom tempo. De qualquer forma, quando se fala de Batgirl e Coringa & Arlequina, tudo depende da abordagem. No caso do primeiro, é importante que Whedon use toda sua experiência com personagens femininas fortes para quebrar mais barreiras em Hollywood enquanto conta a origem de uma das super-heroínas mais interessantes dos quadrinhos.

Em segundo lugar, Coringa & Arlequina precisa mostrar, em algum momento, o abuso do vilão sobre sua ex-psiquiatra, ou o lado mais sombrio (e verdadeiro) desta relação será enterrado em favor de uma diluição desnecessária de caráter do vilão, criada apenas para que haja “simpatia” por ele. O que nos leva ao filme solo do Coringa.

Capa de Batgirl #1. Arte de Rafael Albuquerque.

Se resolverem humanizar um autêntico agente do caos, essa autenticidade se vai, deixando para trás um produto pobre, capaz de oferecer pouca individualidade pensante para quem o vir em ação. Será só mais um cara problemático, para termos empatia. O Coringa nunca foi isso e jamais poderá ser!

Se querem tanto investir nele, que tal uma coisa legal? Um filme live-action da Piada Mortal? Não uma animação. Um filme mesmo, sequência do que quer que Whedon faça com a Batgirl nos próximos meses (se o filme sair mesmo, afinal, o diretor falar que vai sair não significa nada até que as filmagens comecem, com elenco e data de estreia).

Deixando de lado o jornalismo e falando como fã também, tudo isso me entristece um pouco. Primeiro, porque é cansativo. Segundo, porque há dezenas de propriedades que a Warner pode explorar, mas ela continua tomando as atitudes mais preguiçosas no que diz respeito à DC. Já elucubramos sobre isso em outras ocasiões.

A real é que, acima de tudo, precisamos de paciência com todas as informações que virão nos próximos meses. Não se surpreendam se metade dos filmes anunciados na SDCC deste ano não virarem realidade. É o mais provável, inclusive, e incluo a Batgirl aí. Whedon já mostrou com a Marvel que não leva desaforo pra casa por muito tempo; se a Warner não for boa pra ele, o projeto será enterrado. Simples assim.

O mesmo vale para o Esquadrão Suicida 2, caso os grandes nomes do elenco não consigam organizar suas agendas, ou até para The Batman, que está numa situação bem confusa, com informações desencontradas entre os envolvidos desde o ano passado.

A melhor coisa é não criar expectativa. Deixa o pessoal trabalhar. Quando filmagens, fotos e vídeos começarem a surgir, aí sim poderemos delinear nossos planos e expectativas, como jornalistas, leitores e fãs.

  • Adriano de Oliveira Ferreira

    Cara, se eu tivesse grana, eu nao ajudava no patrion, EU COMPRAVA o Terra Zero, só para ter mais matérias assim!

  • Da Roça

    Eu não entendo esse mimimi sobre rumores envolvendo filmes de heróis. Não tem como fugir, faz parte do mercado, é como as coisas funcionam em Hollywood. Vai haver rumores sempre. “Ainh, mas os rumores sobre filmes da DC são muito negativos”, Ora, mas pelo menos pra mim, tá bem claro que a Warner não está sabendo lidar com seu universo expandido. Parece que os caras faltaram às aulas de planejamento.

    • Cassiano Cordeiro Alves

      “Ora, mas pelo menos pra mim, tá bem claro que a Warner não está sabendo lidar com seu universo expandido”. Exato. Não são apenas a existência dos rumores, mas sim o que indicam, e neste caso indicam falta de planejamento.

    • Stiles Stilinski Nogitsune

      Baseado em quê vc afirma isso? Só existem 4 filmes neste universo e todos estão muito bem atrelados em continuidade e compartilhamento, ou seja seja, sua opinião é baseada em rumores e não em fatos, é isso é o problema de tanto rumores negativos sobre a DC.

      • Da Roça

        Vou dar um exemplo que mostra como a falta de planejamento da Warner vai desde os atores, passando por direção, roteirista até chegar ao mais alto escalão da empresa, usando somente informações vindas da Warner. Tem um rapaz lá na Warner chamado Kevin Tsujihara, ele não é nada mais nada menos que CEO da Warner (Imagino que vc saiba o que é um CEO). Esse moço deu uma entrevista confirmando que Ben Afleck seria diretor e roteirista do próximo filme do Batman. Meses depois, a Warner divulgou o ator escalado para ser o vilão, Joe Manganiello. Com direito a publicação de um traje do vilão. Quase um ano depois, o diretor é outro e ele vem a público dizer que o roteiro será reescrito. Pior, o ator convidado para ser o vilão já deu entrevista dizendo que não sabe se estará no filme. Isso só pra citar o filme do Batman, que hoje é reconhecidamente o produto ou personagem mais rentável da DC. Nem vou citar a mudança de “tom” dos filmes da DC, que pelas entrevistas de Zack Snyder e Geoff Jonhs, serão mais “heroísticos” e menos “sombrios”. Se isso não é falta de planejamento, eu não sei o que é.