[Catarse] O quarto volume de Mayara & Annabelle busca financiamento

Um dos títulos nacionais que tem mais conquistado leitores é as aventura da dupla dinâmica Mayara & Annabelle. O título independente, criado por Talles Rodrigues e Pablo Casado, está buscando o financiamento coletivo via Catarse para o lançamento do quarto volume de aventuras das investigadoras do sobrenatural.

Após três aventuras ambientadas no nordeste brasileiro, onde as protagonistas enfrentaram demônios, rixas de família e coisas que até deus duvida. Mayara e Annabelle vão ter que viajar para uma metrópole, sua próxima aventura se passará em São Paulo. Lá, Mayara vai investigar um ataque ao seu mentor e reencontrar seu passado.

O Terra Zero conversou com a equipe criativa — o criador e ilustrador Talles Rodrigues, o roteirista da série Pablo Casado e a colorista Brendda Lima –, sobre o impacto da série, como foi a evolução dos personagens, forma de trabalho da equipe e futuro da série.

Terra Zero: Pablo, Talles e Brendda, é o quarto volume de Mayara & Annabelle. Como se sentem chegando tão longe?

Pablo Casado: Eu custo a acreditar às vezes. E não é falsa modéstia ou coisa do tipo, mas uma forma de manter os pés no chão, sabe? Se chegamos até aqui, foi porque focamos em fazer um bom trabalho e soubemos nutrir o carinho dos leitores que tornaram isso possível. Então fico grato pela oportunidade e só tento melhorar o que deu certo.

Talles Rodrigues: Eu amo essas duas personagens, e dedico muito tempo do meu dia a pensar em ideias para mais histórias pra elas. Às vezes cai a ficha de que a gente realmente está transformando as ideias doidas que eu tenho no ônibus ou antes de dormir em realidade, e o quanto isso é raro. Eu só posso mesmo agradecer a todo mundo que continua me possibilitando tornar isso possível.

Brendda Lima: Pra mim é uma honra. Eu sou fã da saga desde a primeira edição e ainda não acredito que faço parte de algo tão grande.

Trabalhar com quadrinhos no Brasil é algo difícil, com editora, mas vocês estão conseguindo manter um público fiel e fazendo um trabalho excelente totalmente independente. Existe alguma editora procurado vocês?

PC: Já aconteceu ano passado, pode ser que esteja acontecendo de novo este ano. Mas ainda é cedo pra falar qualquer coisa. A nossa ideia é concluir o primeiro arco ano que vem com o Vol. 5, e aí tentar fechar com alguma editora.

Como funciona o processo criativo de vocês três?

PC: Engraçado pensar sobre isso agora, quatro anos desde que começamos a HQ. No primeiro volume, depois que Talles e eu definimos a trama, escrevi um argumento razoavelmente detalhado da trama. No segundo, resumi a tópicos. Já no terceiro foi basicamente uma sinopse, só especificando o começo e o final. No quarto usei um plataforma de kanban e montei uma estrutura de cinco atos com todo o percurso. Em todos os casos, a história sofreu mudanças durante a feitura do roteiro, fosse pra corrigir problemas no plot ou ritmo.

TR: Enquanto o Pablo vai escrevendo o roteiro, eu tento ir fazendo concepts dos personagens e de momentos interessantes pra história, mas como eu sou muito ruim nisso, acabo mudando tudo depois rs. Quando o Pablo termina o roteiro eu crio layouts pras páginas (meus layouts também são horrorosos e eu também mudo tudo depois). Depois, começo a desenhar as páginas, mostrando cada uma pro Pablo e pra Brendda, pra ver se eu não esqueci nada, ou se algo não faz sentido etc. Daí a Brendda pega as páginas e finaliza.

BL: A escolha da cor é feita antes mesmo das páginas serem produzidas. Acredito que os tons de azul pro volume 4 vão trazer uma atmosfera bem diferente pra narrativa e vão ajudar o leitor a perceber a diferença entre os cenários dos volumes anteriores. Na hora de colorir, o roteiro é meu melhor amigo. É através da leitura dele que eu vou entender onde é necessário colocar retícula e onde eu preciso de cores mais fortes.

A história da dupla de investigadoras mistura o folclore nordestino e cultura pop. Qual é meta para o quarto volume?

PC: Estamos chegando no final do primeiro arco, então o momento é de retomar pontos vistos no Vol. 1 e preparar o terreno para a batalha final. O que não significa que esse Vol. será só pra amarrar pontas de roteiro, pelo contrário. Voltamos para São Paulo, onde vamos saber mais sobre Mayara, por exemplo. E o gancho para o próximo é o meu favorito.

TR: Mayara & Annabelle é, de uma maneira muito doida, superbaseado em experiências pessoais da gente, e no vol. 4 a história se passa em São Paulo, uma cidade completamente diferente de Fortaleza. Eu estou tentando passar essa sensação nos desenhos, pois pra mim a cidade onde as histórias se passam acaba se tornando um personagem da HQ também.

Com um universo tão estabelecido da série, já pensaram em criar spin-offs da série e convidar outros artistas para trabalhar?

PC: Uma das metas que não conseguimos implementar na campanha passada e na atual era justamente uma coletânea com artistas convidados onde eles abordariam personagens distintos da série. Quem sabe ano que vem, pro Vol. 5, role.

TR: Eu tenho milhares de ideias de mais histórias no universo de M&A. Quem sabe a gente consegue continuar a contando elas.

BL: Eu torço por um spin-off da Silvana. Ela é a personagem vilã mais divertida do quadrinho e eu gostaria de ver ela como líder de uma girl gang.

TZ: Mayara e Annabelle ganharam espaço nos corações das garotas. Algumas consideram uma obra que representa bem as mulheres brasileiras fortes. Como é ver esse reconhecimento feminino?

PC: Ah, é legal demais! É gratificante poder escrever personagens que gera essa empatia com o público.

TR: Meus filmes, séries e quadrinhos favoritos envolvem de alguma forma uma amizade forte e genuína entre mulheres. Esse tema sempre me encantou, pois mesmo eu sendo um homem cis, essas amizades falam muito mais sobre como eu me sinto e os meus relacionamentos interpessoais do que aquelas amizades entre personagens masculinos. Dessa forma, eu sempre pensei em M&A como uma história sobre o crescimento e fortalecimento de uma amizade entre duas personagens que se admiram e se respeitam. Eu fico muito feliz que as pessoas estão gostando da Mayara e da Annabelle e se identificando com elas, é sinal de que a gente está fazendo o nosso trabalho direito.

BL: Quando eu era mais nova eu via aquelas mulheres lindas e sensuais das HQs como algo distante de quem eu era. A gente não imagina, mas o impacto da reprodução de padrões e a divisão entre coisas pra menino e coisas pra menina acaba afastando muita gente de materiais incríveis. Foi assim comigo e com várias amigas que hoje constituem o cenário de quadrinhos independentes. Eu cresci preferindo assistir desenho, então o meu referencial de super heroína se constituiu com personagens como a Sakura e a Tomoyo (do Sakura Card Captors), a Bulma da primeira saga de Dragon Ball e a Batgirl (a versão de Batman: Animated Series) pela força de vontade que elas tinham de fazer o bem e principalmente por que elas eram bem diferentes umas das outras. Hoje, como produtora de quadrinhos costumo conversar bastante com as leitoras e elas relatam que é legal ver personagens se vestindo e falando como elas. Sem mencionar no exemplo positivo que a gente tá passando pras novas gerações. Fico imaginando que daqui a cinco ou dez anos nós vamos ter cada vez mais meninas como protagonistas de suas histórias dentro e fora da ficção e isso me deixa muito animada.

Deixem um recado para os leitores do Terra Zero e chamem eles para apoiar o quarto volume de Mayara & Annabelle.

PC: Se você ainda não leu Mayara & Annabelle, a hora é essa: você pode apoiar e receber não só o Vol. 4 como os 3 anteriores. Serão as 280 páginas de magia, katana e girl power mais divertidas que você vai ler.

TR: Mayara & Annabelle é, de longe, a coisa mais legal na qual eu trabalhei na vida, e eu adoraria poder fazer isso por muito mais tempo. Se você já conhece e gosta das meninas, muito obrigado! Enquanto existirem vocês apoiando a gente, elas vão continuar existindo de alguma forma. Se você nunca leu M&A, o Pablo falou e disse ali em cima, apoia lá! ;)

BL: M&A é meu quadrinho favorito. Ao longo dos quatro volumes eu me surpreendi muito com o crescimento das personagens, como o desenvolvimento da relação de amizade entre as meninas e AMEI toda a pancadaria que rola no quadrinho. Se você ainda não conhece a história, apoia a gente no Catarse. Tenho certeza que você não vai se arrepender.


Apoie o quarto volume de Mayara & Annabelle aqui!