[Review] Universo DC Renascimento: Aquaman – Volume 1, da Panini

Com artistas como Scot Eaton e Philippe Briones, coube ao autor Dan Abnett dar o pontapé inicial à nova fase do Aquaman, que faz parte da iniciativa Renascimento. Levando-se em conta que o personagem ainda não tem mercado para manter uma revista mensal saindo por aqui (o que pode mudar depois do filme da Liga da Justiça, agendado para novembro), a Panini lançou o primeiro arco de histórias deste título em uma encadernado de valor bem acessível (R$ 22,90).

A nova fase do personagem tem a promessa de oferecer algo inédito a um protagonista que já é quase octogenário, de fato começa de um jeito diferente e, de certa forma, inovador; Abnett optou por oferecer ao público a primeira tentativa real do mundo da superfície de fazer as pazes com os atlantes, criando uma embaixada da Atlântida em terra firme. Mas será que isso vai dar certo?

A ideia deu certo, sem dúvidas. Abnett nunca esteve tão afiado em sua carreira, pois criou um quadrinho competente e criativo, oferecendo discussões sobre diferenças e intolerância em níveis nunca antes imaginados por nós. Apesar de parecerem humanos como nós, os atlantes têm constituições e culturas como nunca imaginamos, o que leva o chamado “choque cultural” a níveis jamais explorados no mundo do Aquaman.

Verdade seja dita, os problemas dos atlantes e do próprio protagonista para com o mundo da superfície não é algo inédito. Contudo, a abordagem que Abnett dá à história, oferecendo uma solução diplomática e política a este conflito, é que dá tempero ao quadrinho. Ora, se o Aquaman é uma figura de poder, assim como Mera, por que não colocá-los em uma posição de diplomacia e tentar ajambrar um acordo como nunca antes aconteceu?

Abnett também não deixa de mostrar (ou citar) alguns dos vilões mais clássicos do herói, utilizando um deles para levantar novamente o questionamento sobre terrorismo, que veio depois do 11 de Setembro, criando novamente a paranoia de que o inimigo está logo ao lado.

Ou seja, com diversas ideias interessantes, mas apresentadas de forma muito coesa, arrumada e empolgante, Abnett deu uma baita pontapé com este novo Aquaman, e certamente trará mais contos interessantes para o futuro desta revista.

Por fim, é importante ressaltar que a Panini fez um bom trabalho editorial com o encadernado, oferecendo a história de forma correta, com boa tradução e preço bem acessível para o material que está contido nele. Obrigatório para fãs de super-heróis.

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