[Review] Secret Empire #4, de Spencer, Yu e Reis

O domínio de Steve Rogers está ameaçado quando os Vingadores que formam a força de resistência a seu regime se organizam e buscam reaver os fragmentos do Cubo Cósmico. Na quarta edição de Secret Empire começa de fato a “corrida do tesouro” pelo artefato que pode mudar os rumos da história. Enquanto isso, os jovens Campeões descobrem como as coisas podem ficar feias e sujas ao se aliarem a uma espiã impiedosa como a Viúva Negra em um período como este.

Ainda no prólogo temos a misteriosa versão barbuda e amnéstica de Steve Rogers reencontrando aliados e tentando achar uma saída da realidade etérea na qual se encontra.

O primeiro embate entre as duas facções opostas em Secret Empire é um tanto quanto inusitado. Nick Spencer utiliza uma encarnação completamente transtornada e imprevisível de Hank Pym, fundida ao seu “filho” Ultron, em uma cena icônica em forma de jantar. Nesta passagem específica, vemos Spencer destilando um certa dose de crítica às sagas Marvel em geral. Mas o destaque é a “lavação de roupa suja” entre os Vingadores, algo que tem tudo para entreter fãs de longa data da franquia.

O uso do Homem-Formiga (Scott Lang) é providencial, e a cena é equilibrada com drama, comédia e ação na medida certa para um quadrinho de super-heróis e, principalmente, para um grupo tão conturbado quanto os Vingadores.

Spencer ainda faz um bom trabalho nas outras cenas. No entanto o encontro entre os dois grupos de Vingadores é tão marcante que ofusca totalmente qualquer outro núcleo narrativo mostrado nesta edição. Aos poucos o autor vai dando pequenas pistas dos rumos futuros de sua história. Isso se dá principalmente através do prólogo, que é um pouco desmotivante, principalmente se você já está acostumado com a fórmula editorial corrente nas últimas sagas da editora. Fica difícil não encarar as cenas do Steve Barbudo como uma solução para tudo que está rolando na “realidade” ao final da saga.

A arte na quarta edição de Secret Empire é consistente na maior parte da revista. Leinil Yu é um experiente ilustrador em se tratando de Vingadores e tem bastante intimidade com este elenco. Apesar de seu estilo com traços rústicos e closes frontais funcionar melhor em histórias com elencos menores, o desenhista tem munição de sobra para retratar com propriedade desde cenas com Namor até as protagonizadas pelos jovens Campeões.

O destaque no entanto fica para as passagens no jantar de Ultron. Ali Yu dá o impacto necessário para todos os tons de diálogo propostos por Spencer. Rod Reis tem uma participação novamente pequena porém marcante nesta edição. Utilzando técnicas muito sutis de colorização, o artista garante o clima certo para as cenas do prólogo que são misteriosas e cheias de lacunas a serem preenchidas.

Tirando a infinidade de tie ins que já dominaram as publicações da Marvel, Secret Empire, se for desfrutada livre dos filtros polêmicos, torna-se uma leitura bastante gratificante a cada edição. Nesta quarta parte, Nick Spencer dá seu recado principalmente em relação às sagas anteriores da Marvel ao mesmo tempo em que coloca duas facções de Vingadores em um embate bastante divertido. Mesmo com rotatividade de ilustradores, a arte continua atendendo ao nível do roteiro.

O conjunto torna esta minissérie algo que nasce de uma premissa que tinha tudo para ser desastrosa e além de ter uma incrível consistência em ritmo e diálogos, toca pontos muito válidos na cronologia da editora e eventualmente faz uma ou outra crítica social pertinente.