[Review] Homem-Aranha: De Volta ao Lar, uma ode ao aracnídeo

Depois de dois filmes do Homem-Aranha que não tiveram boa recepção pelo público, a Marvel Studios e a Sony entraram em um consenso e colocaram o personagem mais popular da Casa das Ideias na grande tela e no MCU. Foram escolhas pontuais, abraçando os fãs que queriam tanto essa reunião. O resultado é um filme de ótima qualidade. Iria ainda mais longe, talvez: memorável é uma palavra melhor.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é o filme de estreia em aventuras solo do aracnídeo no MCU. Após a aparição explosiva do personagem em Capitão América 3: Guerra Civil, os fãs esperavam muito o conhecer esse novo Peter Parker, entender as suas motivações heroicas e como eram as aventuras do jovem carismático. Nesse filme de estreia, muitas respostas são dadas e outras foram, digamos, ignoradas.

A nova aventura do cabeça de teia é assinada pelo diretor Jon Watts com roteiro de John Francis DaleyJonathan Goldstein. No elenco destacam-se o retorno do talentoso Tom Holland no papel do protagonista Peter Parker/Homem-Aranha, Robert Downey Jr como Tony Stark/Homem de Ferro, Michael Keaton interpretando o Adrian Toomes/Abutre, Zendaya como a enigmática Michelle e Marisa Tomei encarnando May Parker.

De Volta ao Lar é uma referência no título ao retorno do Homem-Aranha à Marvel, claro, mas também é o tema do baile que vai acontecer na escola do jovem herói. Peter Parker é retratado como um adolescente talentoso, que se destaca em vários em campos de conhecimento como, química, mecânica, linguística e afins. Porém, quando não está em sala de aula, ele é o Amigão da Vizinhança, salvando a população do seu bairro de furtos, ajudando velhinhas e comendo um sanduíche de atum entre uma teia e outra.

Por mostrar o personagem passos à frente da conhecida da origem clássica do Aranha, Watts aproveita para explorar o universo em torno do personagem e utilizando o personagem de Adrian Toomes como um link com as aventuras do Vingadores. O Abutre é um personagem que amarra a história com o restante do MCU. Seu trabalho é basicamente trazer o jovem Parker e para dentro desse universo que vem sendo explorado desde 2008 com Homem De Ferro. Aliás, é digna de nota a atualização desse personagem. Ele se torna um personagem interessante com o andamento do filme e sua motivação tem profundidade: além de um ladrão de destroços da invasão Chitauri, ele tem um código moral que vai impressionar os espectadores.

Não existe uma origem em si do personagem. Não vamos novamente nos defrontar com aqueles fatos que marcam a história do aracnídeo. Os acontecimentos são muito naturais. Parker comenta sobre a transformação dele de uma forma bastante simples, mas não é aprofundado em nenhuma vez no filme. Porque aqui ele está aprendendo a ser um herói e passando pela fase de amadurecimento. O papel de Tony Stark é ser o mentor do jovem garoto, dando dicas para ele de como utilizar bem os seus dons. Ao contrário de que muitas pessoas esperavam (inclusive eu) o Homem de Ferro não tem grande participação no filme.

Trabalhando de forma muito fluida o elenco de apoio de Peter Parker funciona dentro do proposto. Seu amigo Ned Leeds é a personificação de Ganke (melhor amigo de Miles Morales nos quadrinhos) e seu papel é importante para o andamento do filme, inspirando o herói em alguns momentos. Vale mencionar, no entanto, que a maior inspiração do núcleo da escola é o universo Ultimate da Marvel nos quadrinhos: a forma com que herói lida com valentões, sua relações com as garotas e professores, são baseadas naquele contexto criativo. Liz é o interesse romântico e, também, a pessoa que sofre com os bolos do herói. Michelle é a personagem que quase não tem falas e interações, mas ela guarda algo interessante. E Flash Thompson é o valentão que persegue o Cabeça de Teia na escola. A May Parker de Marisa Tomei é uma personagem pouco explorada. Suas cenas são pontuais e fica o vácuo de uma melhor caracterização dessa personagem, que é um dos pilares do mito.

O grande barato deste filme é a interpretação de Tom Holland. O ator consegue se tornar o Homem-Aranha de uma nova geração. É possível conhecer várias das facetas dos personagem dos quadrinhos a partir da história proposta. A atuação mostra como ele consegue surfar entre momentos caricatos, drama, tensão e redenção. Durante a jornada do herói, quem assiste ao filme vai passar a se importar com ele e torcer para que o herói consiga salvar todos que ele ama e até quem lhe odeia. Afinal, é isso que o Amigão da Vizinhança faz.

No quesito técnico, temos um crescimento. As cenas de ação estão melhor acabadas e conseguimos embarcar melhor nos movimentos do herói, diferente de Guerra Civil. A equipe tem esmero em transpor o que vemos nos quadrinhos na película. São várias tomadas de câmeras que lembram quadros desenhados por Steve Ditko e John Romita, com a transposição das várias formas que o Homem-Aranha usa seu lançador de teias. A trilha sonora também é digna de nota: afinal, temos Ramones!

Para o fã que gosta de easter eggs, esse filme é um prato cheio! Existem tantos, em tantas falas e ganchos deixados para próximos filmes que os leitores com maior conhecimento do personagem vão ficar ainda mais imersos em De Volta Ao Lar. É interessante a mistura de elementos do universo Ultimate e do tradicional 616 criado neste primeiro filme. São muitas elementos interessantes para serem exploradas nos próximas aventuras do personagem.

O ponto negativo do filme é algo crônico na produção cinematográfica recente em geral: seu roteiro ter sido entregue todo nos trailers. O filme é bastante previsível, não existem grandes viradas de roteiro e não há grandes surpresas na trama. Os elementos estão lá e todos funcionam de forma bastante simples. Pessoas que aguardam algo mais intricado vão se decepcionar. Alguns fatores bastante importantes do personagem não são mencionados e o Sentido de Aranha sequer é mostrado durante a película. O uniforme tecnológico do personagem, com uma inteligencia artificial, ficou um tanto quanto forçado.  Porém, nada das menções acima chegam a incomodar o resultado final do filme.

É um Homem-Aranha para uma nova geração. Um personagem solar, que entende suas responsabilidades e traz um ar de frescor para o MCU. É bom rever esse personagem novamente nas grandes telas e em tão boa forma. Uma grande ode à esse aracnídeo tão importante para os quadrinhos.

Para finalizar, duas coisas importantes:

1) Não saia do filme sem ver a primeira cena pó-crédito, ela é importante. A segunda é uma piada de fazer barriga doer de rir.
2) A cena final do filme vai deixar todo mundo doido! Só por isso já vale o ingresso.

Agora feche essa resenha e corra para o cinema! :)

  • Ken-Oh

    OLHA AI!!!!
    Admito q quando vi o primeiro trailer desse filme eu n fiquei muito entusiasmado, pois parecia q era um novo Homem Aranha mirando um novo publico, um até mais jovem do q eu (Tó ficando velho).

    Mas pelo q vi ele faz isso sem abandonar o bom e velho espirito do aranha. Bem fico feliz e admito q fiquei bem empolgado de ver o filme pois a resenha.

  • IDRIS ELBA RAMALHO

    AêêÊ!
    Pab, pelos trailers e declarações do diretor, parece que eles ignorartam o Tio Ben, é isso mesmo?

  • Fernando Alves

    Boa sorte,mas nao e para mim o filme.Parece que esta mais para Ultimate com personagem dos filmes,se afastando dos quadrinhos e fixando em personagem dos filmes.Desde quando o HQ tem uniforme estilo Homem de Ferro,nunca vi.Pelo menos eu nao vou ver.

  • – Vamos fazer um filme do Homem-Aranha sem Tio Ben!
    – Ah, mas Tio Ben é o alicerce para a decisão de Peter em se tornar o Homem-Aranha!
    – Mas a gente esquece isso e o que importa é a “essência” do personagem.
    – Ah, tá, entendi, a essência…
    – Vamos fazer um filme do Homem-Aranha sem Tia May!
    – Ah, mas quem vai criar Peter?
    – Então a gente coloca uma Tia Milf!
    – Ah, sei… é o lance da essência né?
    – Sim. O negócio é Peter ter mãe adotiva!
    Vamos fazer um filme do Homem-Aranha sem Mary Jane!
    – Mas é o interesse amoroso de Peter, tipo Lois!
    – Ah, mas a gente coloca ele num High School Music e ele terá problemas de adolescente.
    – Ah, sei, é a essência…
    – Vamos fazer um filme do Homem-Aranha sem sensor aranha!
    – Peraí, caramba! Que porra de essência é essa?
    – Sem Tio Ben? Sem Tia May? Sem Mary Jane? Sem sensor aranha? É a essência do engano…

  • “O papel de Tony Stark é ser o mentor do jovem garoto, dando dicas para ele de como utilizar bem os seus dons. Ao contrário de que muitas pessoas esperavam (inclusive eu) o Homem de Ferro não tem grande participação no filme.”

    Isto está nos quadrinhos?
    Não.

    E sobre a participação do Homem de Ferro, quando não tem ele em pessoa, tem em falas e outras coisas similares, alem disso, a própria motivação de Peter nesse filme é ser um aluno exemplar de Tony Stark e se tornar um vingador. Por mais que no final ele diga não, mas a gente já viu o filme todo e ele tentando ser.