Homem-Aranha chegou! Vamos aproveitar e falar da Salvat?

É muito bacana ver coleções específicas sendo lançadas nas bancas e livrarias para os fãs de quadrinhos. Particularmente não ligo para essa coisa lombadas. Em casa nem tenho prateleiras, fica tudo guardado no armário do quarto. Só tenho uma estante na sala com alguns dos meus livros, action figures e quadrinhos mais bacanas e bonitos, como Absolute Final Crisis, Absolute Sandman, G.I. Joe – The IDW Collection etc. Um dia falo deles. Hoje quero falar do Homem-Aranha.

Aqui no Terra Zero todo mundo gosta do Homem-Aranha. Disse algo semelhante há poucos dias, quando falei do Quarteto Fantástico, mas é verdade. Os que não gostam tanto do Peter Parker adoram o Miles Morales. Só mostra o quanto o “efeito Homem-Aranha” é avassalador, quebrador de barreiras de idioma, cultura e idade.

Uma prova irrefutável do quanto nós gostamos dele está em um ComicPod bem antigo, no qual falamos da famigerada Saga do Clone. Acreditem se quiserem, falamos bem dela na maior parte do tempo!

O Homem-Aranha de Mark Bagley.
O Homem-Aranha de Mark Bagley.

Com a chegada de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, estamos todos empolgados com o monte de notícias saindo em diversos veículos jornalísticos. Mas não vivemos só disso. Fazemos nosso papel de informar vocês, leitores, mas também consumimos quadrinhos. Muitos. Amamos fazê-lo. E quero falar um pouquinho do mais novo produto que o fã do Homem-Aranha está encontrando nas bancas e livrarias há algumas semanas: a coleção da Salvat dedicada ao personagem.

O formato e o estilo da editora já são bem conhecidos do público, que acompanham os lançamentos que eles fazem da Marvel nas coleções de capas preta e vermelha há alguns anos. O valor também é o mesmo. É acessível apenas por uma parcela de leitores que tem o poder de consumo necessário para uma coleção deste calibre, mas fã que é fã dá um jeito de comprar seu gibizinho. Eu mesmo não tenho a menor condição financeira de sustentar essa coleção, mas, ao ver o que sairia nos primeiros volumes, guardei um dinheiro para uma ou outra edição que queria comprar.

Peça divulgando a coleção da Salvat com os quatro primeiros encadernados.
Peça divulgando a coleção da Salvat com os quatro primeiros encadernados.

A primeira que adquiri foi a republicação da Saga do Clone original, dos anos 1970 (aparentemente tenho um quê com clones que nem sabia; ainda chamo um filho ou cachorro meu de Albieri). Ainda é uma história bem boa, envelheceu bem. É um prazer reler o texto esperto de Gerry Conway com o mesmo deslumbre de quando eu era pequeno.

Todos sabem que a Marvel foi bombardeada de cartas depois de Gwen Stacy ser morta. A Saga original trouxe a garota de volta, clonada, ao lado de um clone de Peter também. Em plenos anos 1970, ter clones nos quadrinhos era novidade e Conway se aproveitou disso para criar uma narrativa muito dramática, com uma carga emocional típica de sua escrita. Como se isso não bastasse, a Saga toda teve artes de gente do calibre de Sal Buscema, Gil Kane e Ross Andru. Todos estavam no auge. Virou um clássico.

Comprei também O Mal no Coração dos Homens, republicando uma minissérie original de Kevin Smith e Terry & Rachel Dodson. Normalmente não sou fã do trabalho do cara e nem gosto muito dele. Já nem sei mais por quê. Acho que “o santo não bate”, como diria minha avó. Mas dou todo o crédito para ele por criar um mistério intrigante e nos fazer desejar que o Aranha e a Gata Negra resolvam aquilo o quanto antes. Sim, Zeronauta, ambos estão juntos nessa história, e Felicia Hardy, com o perdão do trocadilho, é dura na queda. Smith também explora temas como romance, amizade, ética e temas ainda mais complexos, como abuso sexual e traumas de infância. É uma história do Homem-Aranha como os leitores poucas vezes viram.

Outro que foi para a coleção é o volume de Feroz. A Gata Negra novamente está presente em uma conto mais violento que as costumeiras aventuras do Teioso. Ela está mais selvagem que o normal, assim como o Lagarto, Rattus e até pessoas comuns! Em uma história bem divertida que acontece na meiúca da Guerra Civil, o escritor Roberto Aguirre-Sacasa atenta-se à agressividade do universo do Homem-Aranha de forma diferenciada e bem executada.

Com tantos elogios assim, a coleção Salvat é obrigatória, certo? Mais ou menos. Tudo dependa do resultado da combinação entre interesse, poder aquisitivo e qualidade do material. Até agora a Salvat divulgou o conteúdo dos 20 primeiros volumes da coleção:

1. Caído entre os mortos
2. Percepções
3. A saga original do clone
4. O mal no coração dos homens
5. Feroz
6. Herói da resistência
7. Tormento
8. A Morte de Jean DeWolff
9. Com grandes poderes…
10. O Fator Mutante
11. Potestade
12. Um Teia Embaraçada
13. A Vingança do Sexteto Secreto
14. O Casamento
15. Homem-Aranha Noir
16. Origens
17. A Saga do Uniforme Alienígena
18. O Nascimento de Venom
19. O Outro: Evolução ou Morte vol. 1
20. O Outro: Evolução ou Morte vol. 2

Nem tudo aí é interessante. Potestade, por exemplo, é uma história que não chega nem perto do que a Marvel originalmente prometeu. “O Cavaleiro das Trevas do Homem-Aranha”, disseram. Não é, nem de longe. Por outro lado, a dobradinha A Saga do Uniforme Alienígena e O Nascimento de Venom é uma ótima pedida, principalmente para os fãs que cresceram com o Aranha no fim dos anos 1980 e início/metade dos anos 1990. Desnecessário comentar também A Morte de Jean DeWolff. Relançada pela Panini anos atrás mas fora de catálogo há um bom tempo, ela é uma das publicações mais importantes da Marvel na década de 1980.

Um detalhe bacana, que enriquece o material, são os textos introdutórios do editor inglês da Marvel, Ed Hammond, e os posfácios, que trazem explicações, declarações e curiosidades sobre o que o leitor acabou de ler. Este material oferece uma experiência valiosa ao fã, agregando mais valor ao produto. De fato, o Homem-Aranha não possui clássicos no sentido de coisas como Cavaleiro das Trevas ou Batman: Ano Um, mas tem histórias boas o suficiente para, dentro de seu contexto, serem clássicos por si mesmas.

Lombada da coleção Homem-Aranha da Salvat.
Lombada da coleção Homem-Aranha da Salvat.

No fim das contas, até para os fissurados por lombadas na estante, esta coleção não é 100% interessante (ainda mais sabendo que, mesmo depois das críticas que recebem desde que começaram no mercado, a Salvat continua lançando produtos com erros problemáticos de português). Sim, a coleção toda formará uma arte muito bonita, mas a gente que coleciona, lê e comenta quadrinhos há anos sabe que a capa nem sempre representa a qualidade do conteúdo. Em tempos em que o Homem-Aranha está de volta ao cinema, recomeçando sua trajetória, o ideal é se ater às grandes histórias. Seu TOC pode tilintar como o sentido de aranha num primeiro instante, mas tudo ficará bem no final.

  • Ultra MULHÉMARAVILHISTA

    De fato, o Homem-Aranha não possui clássicos no sentido de coisas …
    NEM A MARVEL!
    #PAES

    • Todos sabem que a Marvel foi bombardeada de cartas depois de Gwen Stacy ser morta. A Saga original trouxe a garota de volta, clonada, ao lado de um clone de Peter também. Em plenos anos 1970, ter clones nos quadrinhos era novidade e Conway se aproveitou disso para criar uma narrativa muito dramática, com uma carga emocional típica de sua escrita. Como se isso não bastasse, a Saga toda teve artes de gente do calibre de Sal Buscema, Gil Kane e Ross Andru. Todos estavam no auge. Virou um clássico.

      • Ultra MULHÉMARAVILHISTA

        UM CLÁSSICO ” DA MARVEL”
        É TIPO: CAMPEÃO BRASILEIRO DA CATEGORIA SUB-15!

        • Leandro Damasceno

          Vai falar com o moleque de 14 anos que o campeonato que ele ganhou não vale nada, vai.

          • Cassiano Cordeiro Alves

            Seguindo as analogias futebolísticas, dizer “a Marvel não tem clássicos” é como dizer “time grande não cai”.

  • Eu sou fã do homem-aranha, e o aranha era meu super-herói preferido até os meus 15 anos… Nestes anos li quase absolutamente TUDO do personagem, TODAS as 700 edições da Amazing Spider-Man original, e dezenas de outras revistas de outros títulos (como The Spectacular Spider-Man, Web of Spider-Man, Peter Parker e Spider-Man).Mas tenho que admitir uma coisa: embora tenha histórias legais, provavelmente um dos melhores elencos de coadjuvantes que já vi nos quadrinhos, uma parte de mim lamenta infinitamente que o BATMAN não tenha coleção similar. E não porque o Batman seja um “personagem melhor”, não é esse o ponto. Em todos estes anos lendo absolutamente todos os super-heróis da Marvel e DC, cheguei a conclusão que nenhum deles teve tantos CLÁSSICOS obrigatórios na lista de leitura de todo fã de quadrinhos quanto o Homem-Morcego. Só pra citar os mais conhecidos: ANO UM, O CAVALEIRO DAS TREVAS, LONGO DIA DAS BRUXAS, A QUEDA DO MORCEGO, BRUCE WAYNE ASSASSINO, CONTÁGIO, FILHO PRÓDIGO… Daria pra ficar citando histórias o dia inteiro. Acho inclusive que a popularidade do Morcego se deve justamente por ter tido tantas boas histórias ao longo dos anos do que qualquer outro fator. Uma lástima que a Panini não se arrisque nessas coleções semanais/quinzenais, e os direitos de publicação desses encadernados da DC estejam nas mãos de uma editora careira e com pouco planejamento como a Eaglemoss.

    • Marcelo Pereira

      Cara, o Batman já tem uma linha editorial alternativa dentro da DC, TUDO é Batman, já deu no saco rsrsrs

  • Moroni Machado

    Morte da gwen veio antes e mudou os quadrinhos antes de batman ano um e cavaleiro das trevas

    • Pop Art’s

      Só Se você estiver falando de super herói
      Mesmo assim está viajando
      É uma história ok
      Nada mais

      • Moroni Machado

        Bem, estou falando em quadrinho em geral, sim. Não esqueça que a história foi na década de 70. E influenciou muito até hoje. Sem Morte de Gwen não tinha, morte de elektra, Cavaleiro das Trevas, Morte de Robin.

  • Strider_Tag

    Fui ler “a morte de Jean DeWolff” COM O PAUL NA MÃO, mas sinceramente não é essa coca-cola toda. Tem lances interessantes, como o ASSASSYNO MYSTERYOZO e a violência crescente dos anos 80 (talvez uma influência do Grim ‘n Gritty da época nas historias do Aranha), mas como é do Peter David, todo mundo enche a bola.

  • marcelo miranda

    O problema dessa coleçao da Salvat é distribuição. Em Belo Horizonte, salvo engano, não chegou nenhum volume.
    PS: essa trollagem de “a Marvel não tem clássicos”, sinceramente, já cansou, né?