Falece George A. Romero, aos 77 anos de idade

George A. Romero faleceu neste domingo aos 77 anos. Muito mais do que ser celebrado pelos fãs de quadrinhos pelo legado que deixou para a cultura zumbi e por sua parceria com a Marvel, feita nos últimos anos, o diretor americano-canadense praticamente criou a forma como enxergamos o zumbi na cultura pop, tendo seus conceitos espalhados por filmes, livros e quadrinhos de toda sorte.

Romero estava enfrentando uma dura batalha contra o câncer há algum tempo. Segundo as notas divulgadas pela imprensa internacional, o diretor dormiu o sono eterno ao som das trilhas sonoras de seu filme favorito, Depois do Vendaval (1952), de John Ford. Ele estava acompanhado de sua esposa e filha.

George A. Romero nasceu no Bronx em fevereiro de 1940 e, durante boa parte de sua vida como cineasta, criou produtos relacionados à cultura zumbi, uma que ele mesmo ajudou a criar com A Noite dos Mortos Vivos, de 1968. Com poucos efeitos especiais mas muita história pra contar, Romero deu início ao estilo chamado de “apocalipse zumbi”, mas, em plena Guerra do Vietnã, também deu fruto a um produto que entre outras coisas, criticava o capitalismo selvagem.

Durante os anos Romero voltou ao tema e criou outros filmes, como Despertar dos Mortos (de 1978, que ganhou um remake de Zack Snyder em 2004), Dia dos Mortos (1985), Terra dos Mortos (2005), Diário dos Mortos (2007) e A Ilha dos Mortos (2009). Apesar disso, o diretor não costumava mostrar interesse no ressurgimento da cultura zumbi que aconteceu na década passada, principalmente graças a filmes como Extermínio e o remake de Snyder. Em uma entrevista de 2013, ele afirmou que foi convidado para dirigir episódios de The Walking Dead e recusou: “É basicamente uma novela com zumbis que aparecem ocasionalmente. Sempre usei os zumbis como personagens para sátiras ou críticas políticas, mas não encontro isso no que acontece agora”.

Mesmo que ele só tenha trabalhado com quadrinhos no fim da vida, o que George A. Romero criou nos anos 1960 se espalhou pela contracultura e, posteriormente, para a cultura mainstream. Logo, qualquer releitura zumbi mostrada em qualquer tipo de quadrinho referenciava, invariavelmente, o que o diretor criou.

Empire of the Dead, a histórica parceria entre George A. Romero e Marvel com arte de Alex Maleev.
Empire of the Dead, a histórica parceria entre George A. Romero e Marvel com arte de Alex Maleev.

Um dos últimos trabalhos de Romero foi uma histórica parceria com a Marvel Comics para a criação de uma minissérie de 15 edições chamada Empire of the Dead. Quebrada em três atos de cinco edições, a série deve se tornar televisiva em breve. Romero estava na produção dela. Vale lembrar, contudo, que esta não foi a única investida dele na mídia que mais amamos. Entre 2004 e 2005 a DC lançou uma antologia de histórias chamada Toe Tags. Romero participou dela escrevendo a história The Death of Death.

O Terra Zero sente a perda deste mestre do horror. Que ele descanse em paz.

  • Felagund

    Se não fosse por Romero, possivelmente não existiria os filmes do gênero de Zumbi.

    Se não me falha a memória, a primeira vez que ouvi falar dele foi quando vi o remake de A Noite dos Mortos-Vivos quando ainda era criança. Bizarro. Até hoje lembro do filme. Depois disso que foi procurar os filmes dele, os quais são excelentes.

    Me lembro de uma entrevista antiga em que ele dizia que o primeiro conceito dos filmes de zumbi eram para ser uma critica ao capitalismo e a condição social do proletariado. Uma loucura. O cara era um gênio.