[Review] Esquadrão Suicida nº 1, da Panini (e mais: #jabá!)

Vivemos em tempos diferentes. Quando eu era bem criança e nem sabia o que diabos era um Esquadrão Suicida, as histórias dele só poderiam ser lidas em um formatinho da Abril (“como os gibis antigamente eram”). Às vezes ele aparecia em Liga da Justiça, às vezes em DC 2000 ou algum outro gibi com o mesmo formato e várias histórias dentro. Agora não é mais assim. Esquadrão Suicida tem uma revista mensal, pela Panini Comics, publicada sob o selo do Renascimento no Brasil.

Sim, Zeronauta, não foram só Mulher-Maravilha, Superman e Batman que passaram pela reformulação proposta pela DC ano passado; Esquadrão Suicida, e todo o restante do universo ficcional da editora, também sofreram este tratamento e, como tal, estão apresentando novas e revigoradas propostas. O Esquadrão é um caso um pouco diferente do restante, pois o Renascimento aconteceu lá fora poucas semanas antes da estreia do longa-metragem da equipe. Portanto, algumas semelhanças em relação ao que foi apresentado no cinema (como a formação da equipe, por exemplo) podem ser vistas na HQ.

Querendo investir pesado em uma propriedade que estava perto de ficar milionária, a DC escalou um escritor novo mas com bastante talento para mostrar (Rob Williams) e um artistas ultra famoso para fazer deste retorno do Esquadrão Suicida algo explosivo: Jim Lee. Comercialmente deu certo, é verdade. Mas será que as histórias são boas? Conferimos o lançamento da revista aqui no Brasil e vamos falar um pouco dela.

Capa de Esquadrão Suicida #1, por Jim Lee.
Capa de Esquadrão Suicida #1, por Jim Lee.

Editorialmente, a Panini não cometeu erros. O produto segue o mesmo padrão das outras mensais do Renascimento, com as mesmas características e preço. Então, ponto positivo para a editora italiana por manter o padrão dos outros títulos em uma revista de acessibilidade diferenciada.

Em relação ao material, Williams e Lee apresentam uma boa aventura de ação que, dado o estilo artístico do desenhista, lembram um pouco que ele fez com outros grupos de super-heróis duas décadas atrás. Isso não significa que o novo Esquadrão Suicida seja comparável ao início da Image; não. Mas o material certamente passa bem longe do texto politizado escrito por John Ostrander nos anos 1980 e 1990. Este título não respeita a tradição da equipe, mas a atualiza para um público mais jovem e interessado em histórias de blackops, com muita ação e espionagem. A política fica em segundo (ou até terceiro) plano em meio às outras informações mostradas na HQ.

Portanto, quem pegar o novo Esquadrão Suicida nas mãos encontrará um produto dedicado a um público mais jovem e imediatista, preocupado com a ação e conflitos típicos de agentes governamentais, seus jogos e traições. Isso não é necessariamente ruim. Pelo contrário. Só não é o tipo de material normalmente associado à equipe. O material é, de certo, influenciado pelo que foi feito com eles no Esquadrão Suicida dos Novos 52 e, consequentemente, na série de TV Arrow e no cinema. Portanto, esse é um caminho que parece não ter retorno, para tristeza dos fãs antigos e alegria dos mais novos.

Se você está na vibe de uma coisa mais moderna, a nova Esquadrão Suicida é uma ótima pedida.

O Nosso Livro (#jabá!)

Aqui no Terra Zero gostamos muito do Esquadrão Suicida. Ano passado, para aproveitar o advento da ida deles ao cinema, escrevemos um livro sobre o time chamado Quem é Esquadrão Suicida?, publicado digitalmente pela Balão Editorial. Os autores do projeto foram este que vos fala e o querido amigo e colega de trabalho, Pab Sarmento. Dividimos o livro em fases que abrangem diversas décadas para o melhor entendimento do leitor.

No livro explicamos como o Esquadrão surgiu, contamos de como ele foi revolucionado por John Ostrander a partir de um conceito muito simples (e quase inocente), que transformou o primeiro título mensal do grupo em um dos quadrinhos mainstream mais politizados dos anos 1980 nos EUA. Com um escopo abrangente e personagens odiáveis (mas extremamente carismáticos), o título foi um sucesso comercial modesto para a DC. Contudo, seus fãs fiéis o fizeram durar diversas edições, criando um legado sem precedentes na editora. Falamos brevemente sobre isso em um ComicPod lançado ano passado.

Passamos também pela modernização do grupo e falamos brevemente do que se tornaria uma regra para o Esquadrão Suicida nos tempos modernos: a colocação de uma lupa no aspecto deles que é apenas um grupo blackops para fazer serviços sujos do governo e a retirada de temas políticos mais complexos. Isso facilitou a melhoria da dinâmica do grupo, garantindo a entrada de membros nunca antes imaginados, como a Arlequina, por exemplo.

Falando nela, explicamos como o fenômeno Arlequina mudou tudo para o Esquadrão; como ela surgiu, qual é a sua verdadeira relação com o Coringa (que, em tempos modernos, também passou a ter alguma relação com a equipe) e o que ela provocou na cultura pop.

Se você gosta do Esquadrão Suicida ou tem interesse em saber mais sobre eles sem pesquisar centenas de quadrinhos impressos no passado, Quem é Esquadrão Suicida? é perfeito para você ;) Compre aqui!

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