X-Men, Fênix Negra e a magia da franquia da Fox

Parece que foi ontem que vi X-Men (2000) no conforto da minha casa durante as férias do colégio. Na época não pude vê-lo no cinema (não lembro a razão) e foram longos meses aguardando sua chegada em home video. Dezessete anos no futuro, estou como o jovem Morcelli aguardando o próximo filme dos X-Men. O que é irônico, já que não sou versado nos quadrinhos mutantes e nem tenho muito interesse em ser – saiba mais sobre isso aqui – mas alguma coisa neste universo criado pela 20th Century Fox sempre me deixa empolgado quando há novidades sólidas.

Após o tropeço que foi X-Men: Apocalipse, lançado no ano passado, o estúdio pretende se redimir adaptando a trajetória mais importante da franquia mutante nos quadrinhos: a transformação de Jean Grey em Fênix Negra. Para isso, segundo as informações oferecidas até agora pelo estúdio, o produtor de longa data da franquia, Simon Kinberg, fará sua estreia na direção de uma história que se passará nos anos 1990.

Não tem como não associar X-Men com Jim Lee. Ainda mais nos anos 1990.
Não tem como não associar X-Men com Jim Lee. Ainda mais nos anos 1990.

O mais interessante é notar que, no elenco, estarão novamente James McAvoy (Professor Xavier), Michael Fassbender (Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Nicholas Hoult (Fera), Alexandra Shipp (Tempestade), Sophie Turner (Jean Grey), Tye Sheridan (Ciclope) e Kodi Smit-McPhee (Noturno). Ou seja, segunda e terceira gerações de X-Men cinematográficos darão continuidade à franquia no que é, oficialmente, o sétimo filme da franquia principal.

É engraçado perceber isso, pois, normalmente, são filmes de terror que têm a fama de ir tão longe (e piorando a cada tentativa). Neste caso, há um bom equilíbrio, com pelo menos quatro dos longas sendo muito bons. E mais: há o fator legado aí. Papéis que foram transferidos por gerações mitológicas da atuação a outros que estão em constante crescimento, com uma parte do núcleo original ressurgindo na pele de atores mais jovens que eles eram lá no ano 2000. Isso vai muito além do que James Bond conseguiu, trocando atores através das décadas para se manter vivo e atualizado.

Vamos dar uma olhadinha em como as coisas mudaram?

2000 a 2003
2006
2011
2014
2016

Parece uma grande dinastia em que algumas pessoas se vão, envelhecem, passam o bastão para os mais novos e tal. E completando isso, a transição absoluta finalmente foi feita também: Bryan Singer, enfim, largou o osso da franquia e a passou para outra pessoa. Tudo bem, Kinberg está por trás da produção de todos os filmes dos X-Men desde X2 (2003), mas ter outro cargo e trabalhar com Lauren Shuler Donner novamente pode se provar refrescantes para a franquia.

#torchpass @xmenmovies @simondavidkinberg #xmen #darkphoenix Epic story in great hands!

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Claro que esticar uma franquia assim, ainda mais baseada em quadrinhos, está sujeito a cometer os mesmos erros do material original – ainda está para nascer uma cronologia mais confusa que a dos X-Men nas revistas. De qualquer forma, existe uma magia nestes filmes, algo elemental que faz deste universo algo totalmente diferente do que vemos nos filmes de gibis, da Marvel, da DC ou de editoras independentes. Isso pode ter a ver com o sentido dos personagens, que representam minorias e conflitos que nunca ficam velhos.

Os filmes não mostram isso o tempo, e acho até que deveriam mostrar mais, mas são produtos do seu tempo que conseguem lidar com temas atemporais. É um paradoxo cativante, especialmente por ser repleto de atores fantásticos que entregam o melhor de si, diferente do que acontece em produtos da Marvel Studios ou da DC Films.

X-Men: O Confronto Final (2006) e X-Men: Apocalipse (2016) podem ter sido tropeços (afinal, ruim mesmo é X-Men Origens: Wolverine, de 2009), contendo inclusive atuações duvidáveis, mas a franquia tem um histórico tão bom que a partir do momento em que se pense “por que outro X-Men”, dá para raciocinar em seguida que “porque é bom”, “porque é válido”, “porque ainda importa” e “porque os personagens merecem”.

Como disse, eu nunca fui muito fã deles nos quadrinhos, mas ter crescido vendo o desenho animado clássico que era exibido na Globo me faz ter paixão pelos heróis de alguma forma. Aquele mesmo Morcelli que ficou feliz ao ver o primeiro X-Men continua se empolgando com as notícias relacionadas a este universo. Mesmo que ele tenha defeitos; mesmo que todo mundo dependa demais do Wolverine às vezes (e isso vai ser um problema agora que ele não existe mais). Mas agora parece que vai ser diferente.

Agora teremos um filme dos X-Men como nenhum outro. Jessica Chastain, uma atriz é considerada uma especie de “herdeira de Meryl Streep” e que me ganhou profundamente em Interestelar e A Hora Mais Escura (e sei que estou me devendo ver outros marcos da carreira dela, como Dois Lados do Amor, em que ela contracena com James McAvoy, e O Ano Mais Violento), está fechando o acordo para interpretar Lilandra, a comandante do Império Shi’ar. Sim, Zeronauta, os X-Men finalmente irão ao espaço nos cinemas!

Mais do que adaptar fielmente a Saga da Fênix Negra (algo que foi tentado no filme de 2006, mas que falhou completamente), o novo longa fará as conexões disso com os shi’ar e Lilandra, tal qual foi feito nos quadrinhos e na animação.

Será que teremos uma cena assim no filme? Arte de Jim Lee.
Será que teremos uma cena assim no filme? Arte de Jim Lee.

Ainda que isso dilua um pouco o lado social e representativo dos personagens para com o mundo real, os aspectos fantástico e aventureiro ganham ineditismo. A escolha abre um leque de muitas possibilidades para o filme e suas possíveis sequências. Ou seja, pode ser a refrescância necessária para que os X-Men sobrevivam (bem) por mais alguns bons anos no cinema, pois, na TV eles já estão bem, com animações e as séries Legion e (a vindoura) Gifted.

Aliás, X-Men: Apocalipse até pode ter ido relativamente mal com a crítica e a maior parcela dos fãs, mas um faturamento de 543 milhões de dólares, o triplo do que ele custou, é suficiente para fazer o estúdio tentar de novo. Afinal, é uma franquia de seis filmes principais que somam quase 3 bilhões de faturamento em bilheteria. É um osso difícil de largar. E nem precisam largar.

Duvido que a Marvel Studios (e isso não é uma crítica, é só uma observação) consiga pegar esses personagens e criar um produto com a mesma combinação de estética, temática e narrativa. Esses longas têm cara de X-Men. Quando eu sento na poltrona do cinema e a abertura começa, na hora identifico: estou vendo um filme dos X-Men. Esse feito ninguém vai tirar da Fox.

Que continue assim.

  • IDRIS ELBA RAMALHO

    X-Men Apocalipse foi tão merda que conseguiu a façanha de ser pior que BvS.
    Só isso acho que demonstra que a franquia precisa ser rebootada…
    Até os atores tão de má vontade. a Jennifer Lawrense ligou tanto o foda-se que nem usa mais a maquiagem da mística.

    OBS: Fico pensando o quanto a vida maltratou o pobre Magneto, pra nos anos 80 ele ser o Fassabender, e no iniciozinho de 2000 ter a aparência do Ian Mackelen, Bwahahahaha

    • Ogro da Floresta

      Roubaram o Fator de Envelhecimento que usaram em Star Wars do Episódio III pro IV

  • O Chefe da Quadrilha!

    Bravo!

  • Ogro da Floresta

    Queria muito ter esperanças nesse novo filme, mas com produtor-que-vira diretor no comando, sei não… X-Men merece mais que isso – principalmente depois da decepção que foi “Apocalispe”.

    P.S.: Felipe Morcelli é o marveco enrustido mais descarado da internet brasileira!

  • Bruno Arcanjo

    Cara, curti muito o texto. Obrigado. ;)

  • Rafael Straus

    Precisamos:
    – Que o pássaro de fogo da Fênix apareça de verdade;
    – Que o Fera seja feito de computação gráfica;
    – Que a Tempestade de verdade apareça no filme.

    Não precisamos;
    – Da Mística (de novo)

  • Will

    Eu já perdi todo o interesse no filme ao descobrir que Fassbender e Lawrence vão retornar.
    Ninguém aguenta mais Magneto e Mística na franquia mutante.
    É um erro imenso não abandonarem esses plots batidos e se focarem no que prestou em X-men Apocalypse: o elenco jovem.

  • paulo nogueira

    Eu não concordei com nada, mas gostei do texto. kkkkkk
    Eu estou numa posição em que não tenho mais nenhum tipo de atração pelo universo mutante da Fox. Não reconheço mais como X-Men. Entretanto, tem muita gente, como o Morcelli, que gosta do que eles apresentam. A franquia tá aí faz 20 anos daqui a pouco. rsrs. Os filmes não tem que ser pra mim. Então, por que não?