[Entrevista] Javier Fernandez: O Renascimento do Asa Noturna

Parceiro mirim, herói de legado, protetor de Gotham, mentor, espião. A carreira de Dick Grayson no Universo DC é uma das mais prolíficas entre os membros da Bat-Família, quiçá da editora inteira. Mesmo entre leitores menos engajados com o personagem, todos tem o seu momento favorito na história do personagem. Com o advento da iniciativa do Renascimento, Dick retorna ao manto de Asa Noturna, finalmente com um título solo homônimo, após um longo período atuando como agente da Spyral. Para falar sobre esta nova fase do Asa, o Terra Zero conversou exclusivamente com o desenhista do novo título do personagem Javier Fernandez. Aqui conversamos sobre o retorno de Dick, seus novos desafios, o método de trabalho do artista nesta nova fase e a popularidade do Asa Noturna no Brasil.

Terra Zero: Então, em Asa Noturna temos Dick de volta ao preto e azul. O que o Renascimento significa para o homem que já foi Robin, Asa Noturna, Batman e Grayson? Todas estas personas são levadas em consideração para este título?

Javier Fernandez: Claro! Como você bem disse, Asa Noturna é o Asa Noturna, mas ele também já foi Robin, Batman, Dick. Todas essas etapas da vida de Dick fizeram dele o que é hoje e isso sempre estará presente na maturidade do personagem. Mas além disso, o Renascimento significa o retorno de Dick a Gotham, depois de sua vitoriosa fase como espião. Dick tinha que voltar e agora, lutando contra (e junto) [risos] de uns inimigos já bastante conhecidos. Sem dúvida que esse novo companheiro e estas novas aventuras serão apreciados pelos fãs, assim como estou apreciando desenhá-las.

Neste primeiro arco (ousadamente intitulado ‘Melhor que o Batman’), Dick lidará com repercussões de aventuras pré-Renascimento desde a Spyral até a Corte das Corujas. Qual a premissa desta primeira história?

A premissa deste primeiro arco pode responder a uma pergunta que aflige a mais de uma pessoa que você pode se questionar em algum momento de sua vida: e se tudo que você aprendeu até o momento não é adequado? Com Raptor [o novo personagem], esta ideia está sempre presente. Dick é forçado a lidar com um companheiro com um modus operandi e uns valores totalmente diferentes dos seus e de seu antigo mentor.

Neste primeiro arco, conheceremos este curioso companheiro. Não se sabe muito bem que ele é, de onde veio e o que ele quer realmente. Dick, coagido pela Corte da Corujas, se verá obrigado a trabalhar para esta organização. Mas está claro que nosso personagem tem algo mais a dizer.

Você está introduzindo Raptor, um novo aliado/mentor/adversário na vida de Dick. Como foi o processo de criação deste novo personagem? Quais foram as referências visuais utilizadas?

Todo processo de criação de personagem é sempre um trabalho conjunto entre o escritor e o ilustrador. Neste caso, Tim [Seeley] me passou uma ideia gráfica preliminar do personagem com umas linhas breves  de qual era sua intenção com ele. A partir daí, fomos reunindo e lançando as ideias para que, entre todos, Tim e meus editores, fôssemos ampliando o círculo até chegar a algo que todos estávamos satisfeitos. Os processos de criação de personagens, assim como o novo desenho do uniforme do Asa Noturna, é sem dúvida um dos mais divertidos.

O conceito da arma de Raptor, o Suyolak é muito interessante. Não fica claro se é algum tipo de tecnologia ou se é um artefato mágico… Você pode descrever como essa luva funciona?

Digamos que é a magia da tecnologia [risos]. Obviamente é um aparato mecânico, mas vivo. Nossa ideia era fazer algo que está em constante mudança. É por isso que não o desenho duas vezes da mesma forma. Para nós, o Suyolak não é somente uma luva e, sim, um outro personagem deste arco. Por isso recebe esse nome. Gosto da comparação com a bolsa mágica de Doraemon [do mangá ‘O Super Gato’]: você não sabe o que ele é capaz de fazer, mas sabe que ele vai te ajudar a todo momento [risos].

Asa Noturna é um quadrinho que leva Dick pelo mundo inteiro e de volta a Gotham. Qual é o desafio para você como artista ficar pulando de cenário em cenário?

Pois é mais que uma tarefa, para mim é algo que que posso desfrutar. Eu como desenhista aprecio muito muito desenhar cenários, arquitetura, buscar referências para desenhar lugares diferentes reais. Assim, cada vez que Dick “visita” um lugar que não seja Gotham, eu me divirto muitíssimo.

Por exemplo, um poste de iluminação não é o mesmo em Nova York e na Sicília. Cada cidade tem uma essência diferente e suas pessoas se vestem diferentes. E poder pesquisar isso e reunir referências para poder fazer isso é um prazer para mim e um dos (muitos) aspectos que adoro nesta profissão.

Que tipo de referência visual você usa para a fantástica fotografia acrobática que vemos em Asa Noturna?

Eu uso tudo que chega às minhas mãos. Desde que, lógico, pode ser acrobatas do Cirque du Soleil, até bailarinos, parkour. Dick tem uma forma muito peculiar de se mover e ela é inspirada nela mesma. De forma que posso estar vendo umas fotografias de jogadores de futebol e a postura das pernas pode dizer algo, assim como as de Dick. Por sorte, hoje em dia, a internet amplia de uma maneira incrível a capacidade e a variedade de pesquisa. Assim, quanto mais se ampliam as referências, mais amplos e ricos serão os movimentos de Dick.

Você se familiarizou com a Bat-Família trabalhando em alguns títulos da linha nos últimos anos. Então, qual é seu personagem favorito de desenhar?

Adoro todo o universo de Batman. A solenidade de Batman, a arrogância de Damian, a inocência que a Batgirl transmite… e seus vilões!! Coringa, Pinguim, Duas Caras. Desde sempre me identifiquei muito com este universo. No entanto, há algo que paira sobre todos eles, alguém que acho que posso estar horas trabalhando com ela sem me cansar e, sem dúvida, é Gotham. Espero poder continuar a me perder por suas ruas durante muito tempo.

As pessoas aqui no Brasil são meio que obcecadas com a bunda do Dick [risos]. Que tipo de feedback você recebe dos fãs desenhando um dos heróis mais sexy dos quadrinhos?

HAHAHA… Bom, eu poderia resumir em uma frase: conte-nos mais sobre isso!


Para mais sobre o Renascimento da DC Comics, leia também nossa entrevista exclusiva com Rafa Sandoval, o artista de Hal Jordan and the Green Lantern Corps.