Adam West e a inocência do heroísmo

Como diversos sites já noticiaram nesta manhã de sábado, Adam West, o intérprete mais icônico do personagem Batman, morreu aos 88 anos, após enfrentar aquele que seria seu último inimigo: a leucemia.

O comunicado oficial da família é emblemático e resume algo que está internalizado na memória de todos os seus fãs:

Nosso pai sempre se viu como O Cavaleiro da Luz e aspirava ter um impacto positivo nas vidas de seus fãs. Ele foi e sempre será nosso herói.

No início de 2014, Burt Ward, que foi o Robin da série clássica de tevê dos anos 1960, foi enfático quando lhe perguntaram sobre quem era o melhor intérprete do Homem-Morcego:

Todos os atores que interpretaram o papel são ótimos. Mas quando você pensa em que realmente é o Batman, quem as crianças acreditam ser o Batman, só há um e é Adam West.

Ward não está errado. Mesmo para as novas gerações, as constantes reprises de Batman, vídeos que se espalham pelo mundo e todo tipo de homenagem (no Brasil, a mais famosa delas é a paródia Feira da Fruta) fazem com que a imagem de West com o Cruzado Embuçado permaneça vívida na memória de todos.

West não conseguiu se livrar da sombra do Morcego, por toda a sua vida pós-Batman, de modo similar ao que aconteceu a outros atores notáveis do mesmo período, em especial Leonard Nimoy. Porém, em determinado momento, ele decidiu que não iria mais combater esse estigma, como revelado em entrevista à revista Variety:

Há alguns anos, eu fiz um acordo com Batman. Houve um tempo em que Batman realmente me impediu de pegar alguns papéis muito bons, e me pediram para fazer o que eu percebi serem personagens importantes. No entanto, Batman estava lá e pouquíssimas pessoas me dariam a chance de desfilar pela tela. E eles estariam afastando pessoas da história. Então eu decidi que, já que tantas pessoas amavam Batman, eu também iria amá-lo. Por que não? Pois eu comecei a reatar com Batman. E eu vi a comédia. Eu vi o amor que as pessoas tinham por ela e eu assumi este amor.

Mesmo tendo feito papéis interessantes antes de ser escalado para a série de William Dozier em 1966, atuando inclusive com Paul Newman quando estreou no cinema, West encarnou, com sua atuação marcada, sua fala lenta e seu bom mocismo excessivo — mesmo com o humor anedótico em que Batman foi calcado desde o início –, um arquétipo heroico que moldou a memória de muitas crianças e adultos. Repentinamente, Batman (o herói) se tornava uma resposta inusitada aos argumentos destrutivos de A Sedução do Inocente, de Fredric Wertham.

Tanto os vilões como os heróis que desfilaram por Batman, a série, tinham a beleza de serem inocentes e sedutores, valorizando o heroísmo da Dupla Dinâmica e de seus fiéis aliados. As grandes armadilhas, as soluções espertamente encontradas, as lutas coreografadas, as onomatopeias que anteciparam a Pop Art, tudo se misturava em um caldo estranho e envolvente, que nos hipnotizava e nos deixava irresistivelmente presos ao compromisso de retornarmos à frente da televisão, naquela mesma bat-hora e no mesmo bat-canal.

O desencanto com heroísmo na década de 1970 e as lições mal aprendidas com as obras mais icônicas dos anos 1980 fizeram com que o humor camp daquela série de tevê fosse brutalmente desdenhado e, por algum tempo, relegado ao esquecimento.

Porém, esse mesmo desencanto hoje em dia não faz mais sentido. A realidade, hipernormalizada, parece saída de um pesadelo nos últimos anos. E é justamente o brilho, a inocência heroica, o que nos faz falta, não apenas para que a realidade que nos é imposta se torne suportável, mas também para que possamos manter a esperança de dias radiantes, com leveza, sem que nos esqueçamos que as coisas podem ser melhores. É algo que o novo filme da Mulher-Maravilha nos lembra. É o que o Superman de Richard Donner fazia conosco. É o que o Batman de Adam West continua a fazer até hoje.

Então, pouco importaria publicar aqui no Terra Zero uma notícia fria sobre a morte de um dos maiores ícones pop relativo aos quadrinhos. Adam West, em suas inúmeras incursões como ele mesmo (em animações como Family Guy e Os Padrinhos Mágicos) ou em referências diretas ao seu trabalho mais conhecido (como em Bob Esponja), mostrou durante os anos que realmente abraçou a herança cultural que sua atuação peculiar deixou impressa em corações e mentes de diversas gerações. Isto também está impresso em nós. E em cada um que está lendo este texto, agora.

Não há jeito melhor de homenagear a memória de Adam West do que compartilhar este sentimento. Então, convidamos cada Zeronauta a nos contar sobre o impacto de Batman em suas vidas. Certamente, teremos boas histórias para trocar. E segunda-feira estaremos de volta, neste mesmo bat-canal.

  • Celso Moraes F

    Tão logo me vi adulto e com olhos de gente grande fui assistir novamente às aventuras do Batman de West, essa inocência me fez pensar em como a realidade vai matando a crença que temos de ter nos nossos semelhantes. Na verdade, nunca pude deixar de ver na evolução do uniforme, dos veículos e dos acessórios do herói um espelho da realidade cada vez mais brutal em que vivemos. O Batmóvel, que hoje em dia é um verdadeiro tanque de guerra, naqueles tempos era aberto, conversível, e nunca foi roubado por qualquer dos vilões que aporrinhavam Gotham City (também naquela versão uma cidadezinha normal como a dos nossos cenários interioranos – depois viraria algo cada vez mais soturno, a não ser na versão cabaré do cinema de Joel Schumacher). Quanto ao uniforme, um sniper bem colocado colocaria fim ao Morcegão na primeira noite de ronda com aquela camiseta de malha; hoje o uniforme é uma verdadeira armadura, inclusive teve sua época de apetrechos letais quando Azrael vestiu o manto do Cavaleiro das Trevas. E naquela série que jamais será esquecida por mim e por milhões de pessoas que a assistiram quando crianças, ninguém morria, não havia sangue, venenos que te deixavam um defunto sorridente, não havia pés-de-cabra nem colunas cervicais destroçadas. O mundo mudou, para pior. A ficção teve que acompanhar, sob pena de se tornar inverossímil. E o Batman teve que endurecer e perder a ternura. O clima de comédia pastelão também é História. A gente chega a ter medo de um Batman 2057, por exemplo. Por tudo isso, é preciso preservar a memória desse que encarnou o NOSSO Batman. Descanse em paz, Adam “Bruce Wayne” West. Jamais o esqueceremos.

    • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

      seu batman, meu não.
      o meu batman é o de affleck/snyder.

      vc esquece que na época dessa série havia guerra do vietnã?
      vc esquece que na época dessa série havia ditaduras militares sanguinárias na américa latina?
      e entre tantas outras coisas como essas?

      a evolução da roupa e dos apetrechos de batman vem da percepção do público de que a realidade sempre foi e é cruel e sanguinária; que séries como essa batman 66 apenas anestesiam adultos destes fatos; que o mundo sempre foi violento, e sempre muito violento para cada época.

      se você olha para o passado quando assiste batman 66 e imagina tempos de inocência, se acalme; pegue uma camisa de força; se tranque em um quarto com paredes revestidas de algodão. isso só demonstra que o seriado cumpriu seu papel de impor uma realidade que nem na época do mesmo era verdadeira.

      • Fritz Bálor

        Quantos anos você tem?

        Chuto uns 15, porque só um adolescente conseguiria ser tão obtuso.

        • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

          ?
          pode argumentar ou apenas figuras de retórica te satisfazem.
          mais argumento, menos ornamento.

          • Marcelo Pereira

            “Juíz Moro”, né? Tá explicado.

          • Fritz Bálor

            “A evolução da roupa e dos apetrechos de batman vem da percepção do público de que a realidade sempre foi e é cruel e sanguinária; que séries como essa batman 66 apenas anestesiam adultos destes fatos; que o mundo sempre foi violento, e sempre muito violento para cada época.”

            Ficção é escapismo, não tem de refletir o mundo em que vivemos. Esse seu argumento é idiota, coisa de moleque pseudo niilista que quer bancar o adultão. Que assiste Laranja Mecânica e se acha O FODÃO por isso.

          • Amyh Swan

            Imaginando esse mesmo comentário daqui 50 anos dizendo “não gosto do Batman do Ben Affleck, na época tinha ataques terroristas na Europa, o presidente Trump e a Coréia do Norte ameaçando jogar bombas altamente destrutíveis”.

          • Absolute Superman

            Calma, lá. Nem toda ficção é escapismo. Não é nada demais uma história ter um conteúdo que faça refletir. Agora, quem fica se jactando a respeito disso é quem tem algum problema, mesmo.

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            Juiz Moro.

    • Ogro da Floresta

      O Batman ’66 era o mais famoso em uma época complicada, também – como todo o século XX. Mas a aposta, nesse caso, era o escapismo, o riso, a galhofa, talvez para servir de escape dessa realidade dura.

      As várias versões continuam a coexistir hoje em dia: tem o clássico, o sério, o zueiro, o infantil, o de Lego, e em breve, o one-liner recauchutado do Tio Snyder.

      O Batman do Adam West não é o meu preferido, mas reconheço a importância que ele teve para a popularidade do meu personagem preferido. Em adaptações live-action, ele foi o pioneiro e talvez, sem ele, não teríamos chegado no BatFleck de hoje.

      Tem Batman pra todos os gostos. É sacramentar qual é o principal e qual é o melhor, de maneira absoluta, é um exercício fútil e desnecessário.

      Descanse em paz, Adam West. E obrigado por tudo.

    • Gladson Pendragon

      Sou um grande fã do Batman “camp” de Adam West, mas devemos deixar a paixão de lado ao fazer análises sobre a série e o porquê do morcego ser mais soturno atualmente. Há um equívoco em pensar que o motivo dele ter sido “clean” na TV ser a boa época em que foi criado: pelo contrário, ele era assim porque a perseguição aos quadrinhos do Batman tornou inviável continuar a fazer um Batman cruel e vingativo nos ano 50/60. Daí resultou quase dez anos depois (1966) no Batman da TV ser o bonachão West, que hoje lembramos e sentimos a perda, por ter feito parte de nossa infância no Brasil. Na primeira aventura do Coringa, lá nos anos 1940, já havia mortos com o sorriso no rosto. Batman matava homens geneticamente alterados por um cientista louco, usando uma arma de fogo para isso, que ele carregava na cintura. Não se equivoque, Batman foi e sempre será uma criatura da noite, os anos 1950-60, com seu Batman que combatia o crime nas tardes ensolaradas de Gotham foi um hiato de luz nas trevas do personagem.

  • Absolute Superman

    O comentário abaixo foi infelizmente equivocado ao afirmar que o mundo mudou para pior. Quando Batman começou a ser publicado, havia muito mais conflitos, fome, doenças incuráveis, baixa expectativa de vida, ignorância, etc. do que hoje. Os quadrinhos (e outras mídias de super-heróis) apenas resolveram abraçar e representar o pior que o mundo pode/poderia ser, atendendo a uma exigência do próprio público, inclusive.

    Todos sabem que a essência de Batman passa longe de Batman ’66. Em 1939, Detective Comics era um quadrinho violento e soturno, onde Batman usava até armas de fogo e eventualmente matava. Até Action Comics mostrava quadros bastante violentos, como um disco de corte estilhaçando na pele do Homem de Aço e vindo a atingir a jugular de um cientista maluco, vilão da história. Só que em Det. Comics, tudo mudou radicalmente com a chegada de Robin, trazendo um clima mais descontraído e fantasioso.

    Com todo o respeito ao Sr. Adam West, que descanse em paz, Batman ’66 não passa de uma chaga na história do morcego, na minha opinião, por mais lucrativa que tenha sido ou que tenha incentivado a venda de gibis (por pouco tempo, é verdade), servindo apenas como dispositivo para ridicularizá-lo. Essa versão de Batman chegou até a ser repelida com veemência por Neal Adams na reformulação em 1969, ao trazer o personagem às raízes. Enfim, atualmente só é relembrada pelo valor sentimental e nostálgico que muitos nutrem.

    • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

      exatamente isso.

      • Fritz Bálor

        Correção, dois adolescentes de 15 anos.

        Inseguros e donos da verdade, como todo pirralho.

        • Ogro da Floresta

          “Nunca discuta com um idiota, ele te rebaixa ao nível dele e vence pela experiência.”

          • Fritz Bálor

            Good point.

  • Luiz Magno

    Adam West, o eterno Batman, também participou do seriado (de curta duração) Deloucacia de Polícia.
    A melhor cena do seriado é no final, quando ele estaciona o carro e diz pra câmera: “até semana que vem, nessa mesma bat-hora, nesse mesmo bat-canal”. Aí toca o tema do seriado Batman. Eu vibrei!

  • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

    o impacto em mim?
    sempre considerei a série ridícula.
    e ela não é inocente, muito menos de uma inocência do heroísmo.
    ela é cômica, escrachada e nonsense.
    e não é batman nunca!
    quem suportaria ler batman nesse estilo? ninguém.
    simplesmente batman não seria o personagem que é hoje se esse estilo tivesse predominado.
    pode ter feito sucesso, mas não é batman e nem adam west é o melhor ou mais icônico intérprete do personagem batman.

    • Fritz Bálor

      Obrigado por determinar o que é, e o que não é Batman.

      Aliás, prazer em conhecê-lo, dono do Batman. Pensei que a DC Comics era proprietária do personagem, mas vejo que me enganei.

      • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

        só posso sentir muito se você na falta de argumentos vem com figuras retóricas. escute aqui. eu leio BATMAN desde os anos 80, eu sei sem dúvida que se este batman de west fosse o batman, o batman não seria o maior herói hoje, seria o maior palhaço. ninguém suporta essa série tosca, desajeitada e molenga. não é batman. e por falar em dono do batman, leia as primeiras edições de detective comics e batman para você ver se percebe esse nonsense, esse galhofa e essa risada que é este seriado.

        • Fábio da Luz

          Mas e na época em que saiu a série de 66, como eram os quadrinhos do Batman?

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            o’ neil e adams já estavam preparando sua visão soturna do personagem, resgatando o legitimo homem-morcego de finger e kane.

          • Pablo Sarmento

            Está errado. O Denis O’Neil começou a trabalhar com o Batman nos anos 70. A série do Batman 66 era exatamente como eram as aventuras do Batman no gibi. Lembrando que o personagem foi perseguido pelo Fredric Wertham.

            Véio, tu lê Batman desde os anos 80 e parece que não entende porra nenhuma do personagem. E já que estamos dando carteirada faz assim:

            Compra o Livro que escrevi sobre o Batman onde falamos de 12 autores que mudaram o personagem e mostra que não existe Batman certo. :)

          • Fritz Bálor

            Valeu, Pablo. Deus abençoe sua paciência.

            Também leio Batman desde os anos 80, e quer saber? EU ENTENDO A PORRA DO PERSONAGEM!!! De como ele (assim como todos os heróis de quadrinhos) passou por inúmeros escritores que o retrataram da forma que mais se adequava a eles e a era em que trabalharam.

            O Batman do Adam West não é menos válido que o do Neal Addams, ou que o do Bruce Timm, ou que o do Christopher Nolan. São todas interpretações válidas de um mesmo personagem. Assim como existem mil adaptações diferentes de Romeu e Julieta, podem existir mil do Batman e nenhuma vale menos que as demais.

            Mas de novo, o FODÃO que se acha o máximo porque gosta dos filmes do Snyder (um cara que definitivamente não entende, nem respeita o simbolismo dos heróis DC), vomita a retórica que ele acusa os outros de usarem, pra validar sua auto imagem de machão.

            Se a série do Adam West não tivesse implantado o Batman no imaginário popular, ele não teria um terço da popularidade que tem hoje. Cresce e aprende a respeitar o valor do trabalho artístico dos outros, guri.

          • Pablo Sarmento

            Sim. Essa série do Batman 66 tirou o personagem do ostracismo. Alavancou novamente o personagem e impactou diretamente os quadrinhos quando teve personagens que foram adicionada aos quadrinhos.

            Tem uma galera não entende isso nos quadrinhos. É sempre essa historinha que Batman tem que ser sisudo e mimimi. O cara falava que o O’Neil estava alinhado com Batman do Finger/Kane e está também errado, porque Finger sempre gostou muito do Robin e isso aproximava dos leitores. O O’Neil tirou o personagem de apoio do personagem e levou ele para um lado um pouco mais sombrio e detetivesco, inspirado em livros noir.

          • Fritz Bálor

            Não entendem Batman ou qualquer outro herói. É a molecada que gosta do Wolverine e do Justiceiro porque “ELES MATAM E HERÓI BOM É O QUE MATA”, mas não fazem questão de conhecer os personagens mais a fundo e saber porque eles fazem o que fazem. Depois cansam deles e viram fanboys insuportáveis do Deadpool e do Lobo, de novo porque “VIOLÊNCIA E PEITOS, HA-HIU”.

            Imaturidade.

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            não querido.
            eu detesto deadpool, lobo, arlequina e similares.
            também não sou chegado em violência e peitos.
            eu tenho formação, e sei que isso atrairá mais e mais críticas e gracejos ridículos, infelizmente.
            mas eu só quero que você saiba que você não está falando com um adolescente punheteiro que não sabe o que fala.
            se “leio quadrinho desde os ano 80” como falei, e fui zombado aqui por isso. é porque eu tenho orgulho de minha formação humanista. é porque eu tenho orgulho de ter conhecido nietzsche e heidegger aos 17 anos, em 1992; é por que eu tenho orgulho de ter conhecido beethoven, verdi, mozart e wagner aos 17 anos; é porque eu tenho orgulho de ter lido, desde esse tempo, wilde, proust, joyce, v. wolff, g. rosa, lispector, m de assis, cruz e souza, alphonsus de guimaraens, karl marx, durkehim, weber e tantos outros.
            infelizmente na net passamos vergonha nas mãos de pessoas que nem nos conhecem e já chegam agredindo e dando carteiradas. triste.

          • Absolute Superman

            Tirou do ostracismo e afundou novamente. Por isso fizeram a reformulação.

          • Pablo Sarmento

            Aha… senta lá, Claudia.

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            calma. parece que aqui é proibido discordar, sobretudo de quem já escreveu um livro sobre o assunto.
            (e existem milhões de livros sobre o assunto e tenho certeza com conclusões diferentes das de sarmento e tão válidos quanto).

          • Absolute Superman

            Sim, sim, e ainda excluem comentários.

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            o’ neil se aproximou de características que kane e finger desenvolveram na década de 30. se afastou de outras, ok. mas não deturpou o personagem como o seriado de 66 fez. se atraiu mais gente para o batman, se chamou novos leitores, se revitalizou batman, ok. mas com certeza se o batman de 66 tivesse sobrevivido, o personagem não teria a importância que tem hoje. é só perguntar: quem quer batman à la seriado de 66?

            até no cinema. burton ou schumacher?

          • Fábio da Luz

            Concordo, até porque o seriado dos anos 60 foi influência para muitas crianças, inclusive aquelas que iria vir a trabalhar com o Batman, como Paul Dini e Bruce Timm.

          • Cassiano Cordeiro Alves

            Como escrevi no meu comentário, eu me afastei do Batman 66 na minha adolescência, pois veio o pensamento de que “aquilo não era o verdadeiro Batman”. Somente depois que voltei a colecionar hqs, e com mais maturidade, percebi que uma versão não exclui a outra no imaginário popular (exceto no gosto pessoal de cada um). Em tempo: eu sempre pensei em “Batman e Robin” do Joel Schumacher como uma espécie de homenagem à série 66. Mas recentemente tentei assistir novamente no Netflix, e não consegui ir até o fim. O Batman do George Clooney é uma versão menos válida por que eu não gostei?

          • Fábio da Luz

            Eu li e recomendo! 😁

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            não. eu não estou errado.
            o’neil começou a trabalhar com o batman em 1970, último ano dos anos 60, sendo assim, como falei, final dos anos 60.
            e se você prestasse mais atenção ao que falei, ao invés de malhar por conta do meu nickname e do meu avatar, como você fez no twitter, perceberia que falei que o’neil resgatou o batman de bob kane e bill finger, posto que por conta do livro de wertham os quadrinhos tiveram que mudar seu foco, temática e mesmo as características dos personagens. apenas não contextualizei com a questão desse livro, mas por ter usado o verbo resgatar já se nota que aquele batman não é batman.
            e sua conclusão de que não existe batman certo, também não é petrificada como verdade absoluta.
            há um batman certo sim. o de kane e o de finger. suas características estão lá: delineadas, mostradas e desenvolvidas, um outro autor pode se afastar de uma característica e se aproximar de outra, mas a comicidade do seriado de 66 o comic de 30 não tem.
            a questão com o seriado é que é fruto de uma época ruim para os quadrinhos em geral, com censura, acusações e debates no senado americano.

            e sobre meu nickname e avatar. é o Brasil de hoje. quem gosta deste juiz teve que engolir a absolvição da ingênua cláudia cruz.

          • Neo

            Viva Sérgio Moro!!!!

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            também acho.
            mesmo com provas da suíça meu juiz me absolveu!
            é como eu digo: chupa, justiça! eu sou rica, eu gasto teu dinheiro e eu tenho juiz de estimação: VIVA SÉRGIO MORO SIM!

          • Neo

            Vc conhece os autos do processo? Sabe os detalhes? Hoje mesmo ele condenou Cabral a 14 anos.

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            claro que conheço, eu fui a julgada e inocentada.

          • Sim, embora o Batman tenha sido amenizado um pouco antes do Wertham, tanto que o Comics Code era baseado nos códigos da DC e da Archie, o Carmine Infantino chegou a fazer um Batman diferente, mas acabaram revertendo pros estilos do Moldoff e do Sprang, com o sucesso da série, mantiveram por mais tempo.

          • Fábio da Luz

            Desculpe, mas isso não responde a pergunta, até porque os quadrinhos do Neal Adams e Dennis O’Neil ainda não existia na época em que se teve a idéia do seriado. Aí continua a pergunta, vc sabe como eram os quadrinhos do Batman nessa época?

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            na década de 50, e isso perdurou nos anos 60, houve uma refração no gênero super-herói, que passou a ser creditado de aliciadores de crianças entre outras coisas, por isso houve uma infantilização dos temas e dos personagens, mas já no final da década de 60, como lhe disse denni o’neil assume a revista batman e retorna ao batman original, esquecendo a seboseira que estava sendo feita na tv.

          • Fábio da Luz

            Então podemos concordar que o seriado foi um produto inspirado nos quadrinhos do Batman daquela época. O fato de você desmerecer o seriado com base na fase do Adams e O’Neil (década de 70) ou pelo argumento relacionado as histórias do personagem dos anos 80 não faz o menor sentido. É como eu chegar aqui e falar que os filmes do Nolan são uma porcaria porque no ano 2025 o Batman é diferente daquilo que foi retratado no filme do diretor.

            E bom… veja, você mesmo disse que começou a ler Batman a partir dos anos 80… talvez você devesse voltar um pouco e ler Batman desde os anos 40 para perceber quais foram as tendencias do personagem em cada década e o que cada produto do homem-morcego em outras mídias teve como inspiração, para poder assim falar se houve ou não uma descaracterização.

            Batman é um personagem que foi retratado de várias maneiras ao longo dos seus quase 80 anos. Cada pessoa tem a sua preferência em relação a ele e temos que respeitar.

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            eu respeito.
            mas eu tenho o direito de não concordar que aquela palhaçada de 66 seja batman. para mim não é.
            o comic da década de 30 não possui a comicidade do seriado de 66.
            é outra coisa.

          • Fritz Bálor

            “eu tenho formação, e sei que isso atrairá mais e mais críticas e gracejos ridículos, infelizmente.
            mas eu só quero que você saiba que você não está falando com um adolescente punheteiro que não sabe o que fala.
            se “leio quadrinho desde os ano 80” como falei, e fui zombado aqui por isso. é porque eu tenho orgulho de minha formação humanista. é porque eu tenho orgulho de ter conhecido nietzsche e heidegger aos 17 anos, em 1992; é por que eu tenho orgulho de ter conhecido beethoven, verdi, mozart e wagner aos 17 anos; é porque eu tenho orgulho de ter lido, desde esse tempo, wilde, proust, joyce, v. wolff, g. rosa, lispector, m de assis, cruz e souza, alphonsus de guimaraens, karl marx, durkehim, weber e tantos outros. aliados ás minhas leituras de quadrinhos, que nunca foram de “violência e peitos”, mas sempre se centralizaram em moore, gaiman e morrison.”

            Meu Deus, quanta auto congratulação!!!

            “Olhem pra mim, tenho bagagem cultural superior a de vocês camponeses. Curvem-se diante de mim!”

            Amigo, quem possui tanta cultura não fica esfregando ela na cara das pessoas como você fez agora pra ter vantagem em discussão na internet. Gente culta de verdade compartilha o que conhece com gosto, com boa vontade, pois quer que mais gente desfrute do que ela gosta. Não fica dando carteirada.

            É, eu provavelmente estou errado. Você não deve ter 15 anos, deve ser um daqueles sujeitos de 45 anos que nunca fizeram algo de importante na vida e que associam a própria personalidade a um personagem de quadrinhos, pois é a única coisa que o faz sentir que tem valor.

            Não fez nada, não criou nada, não construiu nada… Porque lhe faltaram os culhões pra se arriscar. E hoje vomita arrogância, firma sua opinião juvenil como sendo a única válida, e quando vê seus argumentos adolescentes sendo rebatidos por pessoas que entendem de verdade do assunto em questão, dispara credenciais questionáveis, pra tentar intimidar com um currículo cultural que claramente você não tem.

            E sim, você tem o direito de desgostar do Batman dos anos 1960. Mas não entre vomitando prepotência e agressividade mal direcionada em um artigo homenageando um ator falecido que significou muito para a infância de muita gente. Você chegou comprando briga e a briga foi até você. Ao menos seja homem de assumir o que fez, ao invés de se fazer de vítima com “calma, aqui parece que é proibido discordar”.

            Isso era o que eu tinha a dizer. Fique aí com sua “cultura” e seja feliz.

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            meu amigo pare com isso.
            eu apenas reagi a sua fala.
            veja, por sua lógica.
            se você pode, sem me conhecer, colocar gostos e escolhas em minha vida, pois em um comentário mais abaixo você afirma que eu gosto de deadpool e similares e de violência e peitos; ora, se você pode afirmar isso de mim sem nem me conhecer, então eu creio que eu, sobretudo eu, posso afirmar coisas sobre mim.
            você afirmou coisas que nunca fizeram parte de minha formação: deadpool, lobo e similares e violência e peitos; eu não gosto destes gostos que você quis, e novamente repito, sem me conhecer, me impor.
            quando citei os autores que citei, não foi por esnobismo, meu amigo.
            foi apenas, como lhe falei, devido ao que você colocou para mim.
            e eu não gosto do que você disse que eu gosto.
            você não me conhece.
            então, devo, por conseguinte, dizer a verdade sobre mim.
            porque, se você que não me conhece e pode falar de mim, imagine eu mesmo?
            apenas lhe mostrei que o universo de preferências que você colocou em mim, nunca fizeram e não fazem parte de minha vivência.
            e lhe digo isto não com sentimento de inimizade ou petulância ou esnobismo, mas apenas porque você elencou características que não cabem e nunca caberão em meu gosto particular.

          • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

            tudo bem.
            eu não quis comprar briga com quem admira o seriado.
            peço desculpas a você e a quem mais tenha ofendido quando citei o que acho do seriado.
            mas com certeza não quis magoar a infância de ninguém, foram palavras que podem ter sido escolhidas mal, porém não foram com intenção de provocar o mal.

            todavia modere suas palavras.

            “É, eu provavelmente estou errado. Você não deve ter 15 anos, deve ser um daqueles sujeitos de 45 anos que nunca fizeram algo de importante na vida e que associam a própria personalidade a um personagem de quadrinhos, pois é a única coisa que o faz sentir que tem valor.

            Não fez nada, não criou nada, não construiu nada… Porque lhe faltaram os culhões pra se arriscar. E hoje vomita arrogância, firma sua opinião juvenil como sendo a única válida, e quando vê seus argumentos adolescentes sendo rebatidos por pessoas que entendem de verdade do assunto em questão, dispara credenciais questionáveis, pra tentar intimidar com um currículo cultural que claramente você não tem.”

            olha, eu não só criei como em breve publicarei minha dissertação de mestrado sobre a gesamtkunstwerk wagneriana; sairá em livro em breve. também nestas férias de meio ano inicio um novo livro chamado pedagogia do oprimido (ecoa paulo freire sim, mas é só no título), e criei o personagem Parsifal, cujo quadrinho está no número 3.

            mas novamente, eu não estou me jactando disso.
            mas você que me julga com palavras e frases e gostos que não tenho e que você, por não me conhecer, nem deveria dizer. e ainda diz que “disparo credenciais” questionáveis (quais? e por que?), “para tentar intimidar” (menos, novamente me coloca juízos) e por fim “que claramente você não tem”, bom, isso se tivermos chance de conversar, com calma, você pode julgar.

  • Cassiano Cordeiro Alves

    Primeiro, penso que perdemos o Batman mais icônico de todos os tempos, isso é um fato, pouco importa se é o seu intérprete favorito ou não. Adam West representou o Batman mais inocente, otimista e engraçado de todos. Descanse em paz, Adam West. Nós, fãs do Batman, nunca te esqueceremos.

  • Cassiano Cordeiro Alves

    Minha lembrança mais antiga do Batman é dos Super-Amigos. Me encantava com a ideia de um homem sem poderes, vestido de azul com o símbolo do morcego, estar junto com tantos poderosos. E ainda tinha o Robin, uma criança que era super-herói. Em minha imaginação infantil, sabia que teria de ser adulto para ser como o Batman, mas eu poderia ser o Robin. Por muito tempo chamei meu pai de Batman e fingia que eu era o Robin.
    A primeira vez que vi o Batman “em carne e osso” foi no seriado (passava no SBT). Como criança, ignorava os exageros, o humor sem noção, e até mesmo a tolice de algumas histórias. Só me importava o telefone vermelho tocar, ver meus heróis favoritos entrar no batmóvel (o meu favorito até hoje!) e pegar os bandidos. Mesmo com o Batman do Tim Burton, ainda gostava da série, só fui me afastar dela na adolescência. Hoje, ela é mais uma querida memória afetiva do que qualquer outra coisa. E mesmo com tantos filmes, desenhos e HQs, com tanta gente dando voz ao morcego, vestindo seu traje, Adam West tem seu lugar especial em minha memória e meu coração. Foi “meu” primeiro Batman “de verdade”. A ele, minha eterna admiração.

  • Ultra MULHÉMARAVILHISTA

    E AÊ SEUS SOMELLIEÉRES DE BATMAN!?

    • Léquinho Maniezo

      Nem vem que eu leio batman faz 80 minutos

  • Vitorious B.I.G

    fala seus “eu leio Batman desde a decada de 80!

    • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

      sim leio.
      e não gosto da palhaçada do seriado de 66.
      qual é o problema nisso?
      é para se ter obrigação de gostar?

      • Fish

        Tu é o mesmo cara do “já li mais de 2000 gibis do Batman” que apareceu uns anos atrás no Omelete, né?

        • Obg. Juiz Moro, Chupa Justiça!

          não amigo.
          eu sou outro.
          eu tenho mais de 4000 gibis em minha gibiteca.
          desde março de 1987 com os novos titãs nº 12.

          • Fish

            Óóó, que legal!

  • Léquinho Maniezo

    É tristíssima a morte de um ator que representou tanto para tanta gente, mesmo que esse já estivesse em idade avançada. Infelizmente, é a vida e é o que acontece com todos, ainda que ele viva para sempre em nossos corações, mentes e sorrisos (ou até de outras formas, dependendo de sua crença). Belo texto, Delfin, me tocou muito, principalmente pelo fato de eu, durante muito tempo, rechaçar esse Batman de várias formas, por ele ser um Batman que, na minha adolescência, não representava tudo aquilo que eu queria ver e que hoje, não muito tempo depois, passa exatamente essa esperança e pureza que você passou, passa uma diversão no fazer e no pensar da obra que muitos quadrinhos “”””sérios”””” e “”””adultos”””” não passam pela simples obrigação de serem tudo isso.

    A realidade é uma merda? SIM! Na maioria do tempo. Quadrinhos não tem a minima obrigação de serem fiéis a realidade, séries de TV também não, elas podem brincar com isso, tentando moldar um pouco a vida para que seja menos amarga, menos soturna, como o próprio Batman não precisa ser tudo isso. O triste é ver que a morte de um ator e um ser humano gera uma briga de egos, tudo por uma pretensão de saber a quem “pertence” o personagem que, mesmo tendo uma concepção original, não é SÓ a concepção original, da mesma forma que nós mudamos eles também mudam dependendo do humor e da vida de quem escreve/desenha/produz/edita/etc.

    Que Adam West descanse em paz pra sempre e que seu sorriso nunca morra, pois um Batman que ri sempre terá espaço num mundo sério.

  • Felagund

    Belo texto.

    Eu senti bastante a morte do Adam West, mas muito mais do que eu, quem mais sentiu foi meu pai. Ele, já beirando os 60, teve com Batman do West seu primeiro contato com um super herói, o qual por sinal, na opinião do meu pai, até hoje é o melhor Batman entre todos.
    Alias, foi graças a influencia do Batman do West no meu pai, que ele consequentemente me apresentou ao personagem quando eu ainda era bem criança.

    De certa forma, se hoje sou DCnauta, fã e leitor de quadrinhos, tudo é graças ao Adam West.