[Review] Wonder Woman: The True Amazon by Jill Thompson

Hoje vamos falar da graphic novel que foi indicada ao Prêmio Einser 2017 na categoria Best Graphic Album (New), criada por Jill Thompson, também indicada à premiação como Melhor Pintor(a)/Artista Multimídia. Trata-se de Wonder Woman: The True Amazon.

A história, lançada pela DC em 2016 como homenagem aos 75 anos de Diana Prince, faz uma releitura da origem da personagem. O que parecia ser mais uma versão do que já foi contado em histórias como os contos da revista mensal da heroína feita por George Perez no pós-Crise nas Infinitas Terras, em Mulher-Maravilha: Terra Um (Grant Morrison & Yanick Paquette) e The Legends of Wonder Woman (Renae De Liz), se mostra uma versão nunca vista da princesa amazona mas que não se perde do material original.

Muito da origem das amazonas e Themyscira foi mantido, assim como a forma de seu nascimento, que foi do barro. A grande diferença aqui está na ausência de Steve Trevor e na grande presença da própria Diana; nesta história, vemos o crescimento da maior heroína de todas, sua infância e juventude. E mais: ela é uma tremenda babaca!

Sim, Zeronautas! Jill Thompson diferencia sua história das outras ao alterar esse lado da Mulher-Maravilha. Na trama, vemos uma menina que, por ser um presente dos deuses e única criança da ilha, acaba sendo extremamente mimada por todas as amazonas. Somando isso a seus dons concedidos pelos deuses, Diana cresce como uma garota cheia de vontades, manipuladora e uma arrogante, capaz de fazer tudo para conseguir o que quer.

Diana é a amazona mais bela e valente da Ilha. Suas aventuras lhe concederam tesouros, honrarias e a admiração de todas. Bem, quase todas. Dentre  as amazonas temos uma jovem que não é tão impressionada por ela, a Alethea. Não acostumada a não ser adorada , vemos Diana buscando agradar a jovem a fim de tê-la a seu favor. Porém, o que ela não entendeu é que Alethea não se importava com feitos, tesouros e aventuras, e sim com atitudes e comportamento.

Como já diz o ditado, o orgulho precede à ruína. E o orgulho de Diana a leva à sua ruína. Buscando ser a melhor de todas e constantes vitórias pessoais, sua vaidade leva a um evento que faz com que as suas irmãs na ilha sofram as consequências de seus atos, sendo marcadas para sempre pelas consequências das ações de sua princesa, o que provoca, enfim, seu amadurecimento e mudança de atitude.

O que Jill Thompson conta nesta graphic novel é uma origem amarga da Mulher-Maravilha, uma na qual suas virtudes nascem como aprendizado de seus erros, onde a perda quebrou seu orgulho e forjou seu caráter altruísta.

O volume em si é uma verdadeira obra de arte em narrativa e arte gráfica colorida. Apesar das camadas sombrias de sua história, ela conduz a trama como se fosse um conto de fadas, onde a narrativa é majoritariamente em linguagem poética e música. A cena do nascimento de Diana é uma das mais belas do encadernado. Aliás, a pintura como um todo também é excelente, graciosa, com cores vivas e bem colocadas para dar os contrastes corretos entre ambientes e rostos. Thompson também e expressões corporais bem feitas, com muito respeito com a personagem.

Wonder Woman: The True Amazon, é uma releitura da origem da heroína que respeita elementos da origem clássica e adiciona um lado mais sombrio à ela, um que ainda não tinha sido explorado. Contudo, ele é contado com muita delicadeza e poesia por Jill Thompson.

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