[Review] X-Men Gold #1, de Guggenheim e Syaf

A linha mutante da Marvel vem sofrendo reveses criativos que datam de muito antes deste universo ser reformulado pelas Guerras Secretas. Entra equipe, sai equipe e o editorial da Marvel não consegue resgatar a fé e a confiança dos antigos fãs dos X-Men e muito menos angariar novos fãs para esta querida franquia. Após a saga Inhumans vs X-Men, mais uma vez tivemos mudanças de times criativos, reformulação da linha inteira e novas propostas para os Filhos do Átomo. Para apresentar esta nova proposta a Marvel inicialmente lançou uma edição compilando histórias de seus principais novos títulos mutantes chamada X-Men Prime. X-Men Goldportanto, é a primeira publicação desta nova fase e o primeiro passo nesta nova tentativa de um futuro menos sombrio para os discípulos de Charles Xavier.

Em X-Men Gold, vemos a equipe tida como principal de X-Men sendo liderada por Kitty Pryde. A Lince Negra tem uma atitude muito mais incisiva e proativa que os líderes que a precederam. Kitty pretende tornar os X-Men um time de super-heróis e não somente um bando de mutantes. Alguns desafios, portanto, devem ser superados pela equipe composta pelo Velho Logan, Tempestade, Prestígio (Rachel Summers), Colossus e Noturno. O principal é um desafio bem realista: arcar com os custos da Mansão Xavier, agora instalada no meio do Central Park em Manhattan, Nova York.

O roteiro de Marc Guggenheim para X-Men Gold é bastante linear e básico. Com uma equipe pequena em suas mãos, o autor pode focar nas relações interpessoais entre os membros do time. Muitos acontecimentos trágicos ocorreram entre estes X-Men. E, usando seu conhecimento sobre a franquia, o autor lentamente dá indícios de que irá construir ou renovar alguns laços pré-existentes. Tirando a nova liderança de Kitty e a proposta mais positiva do time, a estreia não tem, no entanto, nada de muito revolucionário em termos de X-Men.

Guggenheim apela bastante para o saudosismo. Desta forma, o quadrinho é pontuado com atuações heroicas, discursos fortes de sua líder e até uma cena descontraída no quintal da mansão. Logicamente, em uma equipe com Kitty Pryde e Piotr Nikolaievitch Rasputin, teremos fagulhas de um romance, algo até bem saudável nesta nova fase. Estes elementos tornam o roteiro de Guggenheim bastante mundano, mas palatável e bastante convidativo para novos leitores e veteranos afastados.

Tirando a polêmica envolvendo referências fundamentalistas, a arte de Ardian Syaf em X-Men Gold #1 tem a mesma consistência que vemos no roteiro de Guggenheim. Boa caracterização, excelente entendimento do roteiro, fotografia funcional, fluxo de quadros eficaz e um acabamento bastante caprichado. O ilustrador demonstra bastante intimidade com esta equipe já em início de trabalho o que é um excelente cartão de visitas para os curiosos. Temos um quadrinho com uma apresentação digna da franquia, mas nada espetacular.

Para quem vem acompanhando os títulos mutantes nos últimos anos é muito difícil se empolgar com qualquer proposta da Marvel em relação à franquia. Marc Guggenheim tem um trabalho bastante ingrato nesta empreitada, mas usando elementos que já funcionaram em outras ocasiões pode, ao menos tentar administrar uma audiência com boa vontade. Em geral, X-Men Gold #1 tem um roteiro bastante são, uma arte razoável e é praticamente um cobertor de segurança para leitores que já haviam passado do ponto do desespero, mas nada que vá reinventar sua maneira de enxergar os X-Men, por enquanto.

  • Eduardo

    Bom, enquanto não acabar a guerra Marvel x Fox, nenhuma evolução pros X-Men.

  • Adilson Alves

    Acompanho X- Men regularmente nos últimos anos, e posso afirmar categoricamente, a Marvel conseguiu acabar com o universo criado por Claremont.

    • Drigoo

      Fato.