[Review] X-Men Blue #1, de Bunn, Molina e Buffagni

Por mais indigesto que possa parecer para os fãs mais tradicionais, os jovens X-Men, também conhecidos como a “Primeira Classe” ou os “X-Men Novinhos” são uma realidade nas publicações mutantes do universo Marvel desde 2012, quando o autor Brian Michael Bendis decidiu que seria uma boa trazer de volta do passado a turma original dos Filhos do Átomo para a continuidade atual da editora.

De lá para cá, muita coisa mudou na vida dessa “turminha do barulho”: Ciclope reencontrou seu pai, o Corsário, viveu aventuras espaciais e ajudou na formação da nova equipe de legado os Campeões; Anjo foi completamente alterado pelo artefato cósmico chamado Vórtice Negro e ganhou asas flamejantes e outros poderes; Fera começou a estudar as artes arcanas e hoje, além de cientista, é um aprendiz de mago; Bobby Drake teve sua homossexualidade revelada; e Jean Grey teve contato com tudo que seu poder causou a esta realidade. X-Men Blue, portanto é o título da nova linha mutante da Marvel que foca especificamente nas novas aventuras desta esquipe de jovens X-Men.

Após uma nova reformulação e realocação da Escola Xavier e a formação da nova equipe principal liderada por Kitty Pryde, Jean sente que seu time de X-Men precisa seguir seu próprio caminho, aprender com seus próprios erros e que ela, principalmente, deve caminhar para frente como pessoa, e liderar estes X-Men. Este é o mote de X-Men Blue de Cullen Bunn (SinestroDeadpool), Matteo Buffagni (The Amazing Spider-Man) e Jorge Moline (A-Force).

Seguindo a orientação editorial de manter as histórias dos X-Men bastante simples e calcadas em elementos clássicos da mitologia dos mutantes. O argumento de Bunn, coloca os jovens filhos do átomo em missões por vários lugares do planeta Terra combatendo terroristas mutantes que ameaçam a humanidade de forma heróica. Bunn escreve os X-Men quase como um desenho animado: Há bastante ação, interações divertidas, mas burocráicas, entre os membros da equipe, certo grau de profundidade nas personalidades e um final com algo que já não era surpresa, mas serve como gancho. A revista conta com um epílogo curto apresentando de forma misteriosa James Hudson, filho de Wolverine do universo Ultimate, agora vivendo na Terra primordial da Marvel.

Os X-Men são liderados por Jean em campo. Isso é um diferencial muito grande para este título. A jovem telepata e telecinética se mostra muito mais segura agora no roteiro de Bunn. A evolução da moça desde que chegou a continuidade da Marvel em 2012 foi levada em consideração. O respeito que os outros membros do time tem por Jean também é um ponto positivo para este título. Pode parecer trivial, mas este novo status da personagem é um grande ponto de ruptura nesta linha, apesar de apresentado de forma discreta pelo autor.

A arte de Matteo Buffagni e Jorge Molina em X-Men Blue #1 é muito convidativa para novos leitores. O redesenho dos uniformes dos jovens X-Men deixou o visual da equipe com um ar moderno, mas lembrando elementos clássicos. O traço dos dois ilustradores se alternam: Enquanto Jorge desenha o “grosso” da história, Matteo fica responsável pelo epílogo.  O quadrinho no geral tem boas cenas de ação, fotografia e design de páginas muito dinâmicas e caracterizações com cara de desenho adolescente tornam X-Men Blue um quadrinho visualmente muito jovial. Apesar da história bastante burocrática, a arte consegue algumas páginas com impacto visual digno da franquia. Principalmente a história final desenhada por Buffagni, que é 100% visual.

X-Men Blue é mais um cobertor de segurança para os leitores de X-Men. No geral temos um roteiro com certa fluidez, diálogos razoáveis, boas cenas de ação e, apesar de ainda termos estes personagens na continuidade do universo Marvel atual, há um senso de segurança para leitores antigos. Entretanto, o quadrinho apesar de ter uma equipe de arte que acerta em cheio na proposta jovem da equipe, não tem atrativo específico algum para chamar a atenção de um público que está afastado há algum tempo destes personagens. X-Men Blue é consistente, leve, simples e despojada, mas não há tempero, não há nada novo e não há peso algum. Cabe ao leitor decidir se é isto que quer ver em histórias dos X-Men.