[Entrevista] Raphael Fernandes: Influências e novidades da Editora Draco

O Ano de 2017 tem dado muitos frutos para os leitores de quadrinhos. São muitos lançamento e ideias sendo trazidas para os leitores, mas talvez a Editora Draco seja uma das que mais investe em talentos nacionais. A editora vem criando várias coletâneas e trazendo novos artistas para o profissionalismo na produção de quadrinhos.

O editor e roteirista Raphael Fernandes vem trabalhando com muito afinco em criações e explorando cada vez mais a forma de contar histórias em quadrinhos nos gêneros de horror e ficção cientifica em várias publicações da editora. O ano de 2017 já trouxe títulos como Space Opera em Quadrinhos, coletânea de histórias de FC; Fome dos Mortos, álbum com 8 histórias com a temática zumbi; e o livro Ryotiras com trabalhos do quadrinista mineiro Ryot que foi lançado em janeiro deste ano.

Nos planos da editora estão para sair neste ano ainda o terceiro volume de horror cósmico Demônios de Goétia, que faz parte da coleção Rei de AmareloO Despertar de Cthulhu, além de estar recebendo histórias insperadas no estilo de  Edgar Alan Poe para mais uma coletânea.

O Terra Zero conversou um pouco com Raphael Fernandes sobre as influências que ele traz de outras casa editoriais e sobre como funcionam os planos da Draco para o ano de 2017 e deixa dicas de novos lançamentos da editora.

Terra Zero: A Draco vem se tornando uma casa que está sempre em busca de novos talentos, criando oportunidades para esses novos artistas. O que inspira vocês para fazer essa busca e triagem?

Raphael Fernandes: O principal objetivo da Draco é ser uma casa criativa, uma empresa que desenvolve projetos originais de quadrinhos e literatura. Por isso, nosso recurso mais importante são os autores, que são a força motora das histórias divertidas e exclusivas da editora Draco. A busca por novos talentos está diretamente ligada à formação de um time de autores da casa, que queiram desenvolver um trabalho em histórias curtas, álbuns e séries.

Com essa mistura de novos talentos e experientes, vocês criaram coletâneas em quadrinhos como Imaginários, O Rei de Amarelo, Space Opera e O Despertar de Cthulhu. No que esse formato ajuda a vocês para lançar histórias?

Produzir uma história em quadrinhos longa leva um bom tempo tanto dos roteiristas como dos desenhistas. Por isso um projeto composto por várias histórias curtas fica pronto muito mais rápido. Além de oferecer a oportunidade do leitor conhecer várias facetas dos temas propostos em cada um desses livros. Porém, já começamos a formar o time dos Dragões que acabam se repetindo no decorrer das coletâneas e apresentando todo um potencial inovador. Isso aconteceu na literatura e agora a história se repete na linha de HQ.

Agora a Draco lançou a coletânea Fome dos Mortos, sobre zumbis. Imagino que pelo gosto pela contracultura essa obra deve ter uma forte influência de George Romero e outros grandes artistas do Horror, certo?

Na verdade, o mote do projeto era reunir visões diferentes das histórias de zumbi e tentar encontrar outras versões do mitos, novos ambientes e perspectivas diferentes. A coletânea tem histórias diversas, como um presídio de segurança máxima para mortos-vivos, um ataque no meio de manifestações de um país em crise, uma modelo que faria absolutamente qualquer coisa para emagrecer e muitas outras HQs. Indiscutível que qualquer história que envolva essas criaturas tenha influências do grande George A. Romero, que deu bases para a popularização dos zumbis através de seus filmes, principalmente a trilogia Noite dos Mortos-Vivos, Despertar dos Mortos e Dia dos Mortos.

Durante o ComicPod sobre EC Comics, ficou latente a influência dessa casa de terror. Quais os ensinamentos e inspiração que vocês usam para a editoria na Draco?

Passei muito tempo estudando a EC Comics quando fui editor da revista MAD. Por isso posso confirmar que os processos editoriais, criados por Bill Gaines, Harvey Kurtzman e, especialmente, Al Feldstein, eram realmente fora da casinha. Eles revolucionaram o horror visual com a criação das três mais doentias revistas de horror dos anos 50: Tales from the Crypt, Vault of Horror e The Haunt of Fear. Depois disso, o cinema e a literatura de horror norte-americanos foram carregados de um peso nunca antes imaginado e muito gore.

Desse projeto buscamos nos inspirar na ousadia, na produção de quadrinhos pensando no público consumidor e no prazer de criar HQs de horror cada vez mais doentias, bizarras e provocadoras. Reza a lenda que Gaines e Feldstein disputavam mês a mês quem tinha as ideias mais profanas para os quadrinhos da casa. É exatamente assim que a gente faz na Draco!

Porém, não queremos criar cópias dessas publicações clássicas, a ideia é seguir em frente buscando um estilo próprio e também trazendo outras influências de nomes como Stephen King, Clive Barker, David Cronenberg, Takashi Miike, Dario Argento e muitos outros. Estamos sempre pesquisando, conhecendo coisas novas e resgatando clássicos do gênero.

A próxima seletiva da Draco para novos talentos vai abordar Edgar Allan Poe, uma das grandes referências do horror mundial. Como vocês lidam com esse planejamento? Vocês pretendem fazer várias coletâneas com temas com artistas específicos, já que falaram de Robert Chambers e HP Lovecraft?

Na verdade, a trilogia de horror cósmico sempre foi pensado com o tema e não com os autores. Porém, esse vínculo com os pais dessas mitologias acabou gerando interesse do público em um livro totalmente dedicado ao trabalho do escritor de O Corvo. Como somos grandes discípulos do baixinho atormentado, surgiu a ideia da coletânea Delirium Tremens de Edgar Allan Poe, que terá oito histórias em quadrinhos totalmente coloridas e inspiradas na obra do mestre. Nosso planejamento para coletâneas leva em conta os interesses dos nossos leitores, busca construir tendências narrativas e criar desafios para os autores. Porém, em alguns casos trabalhamos mais os gêneros em si, como foi com Space Opera em Quadrinhos, que trouxe influências de Star Wars, Star Trek, Arthur C. Clarke, Spaceballs, Guardiões da Galáxia, etc. O mesmo será para as que já estão no forno!

Para os desavisados: sobre o que se trata Os Demônios da Goétia? Qual a previsão de lançamento?

Será a terceira e última parte da trilogia de horror cósmico duotone inicada em O Rei Amarelo e O Despertar de Cthulhu. Em Os Demônios da Goétia, os leitores serão atentados por algumas das 72 manifestações satânicas do sistema mágico proibido Goétia. As oito HQs estão sendo produzidas e já podemos dizer que tem uma pegada bem diferente das anteriores, numa levada mais próxima do subgênero body horror e das histórias de pactos, maldições e nascimentos do capiroto. Se não formos excomungados até lá, a previsão de lançamento é no segundo semestre deste ano.

O Rei Amarelo Em Quadrinhos. Arte de capa de João Pirolla.

Além de HQs de horror e ficção cientifica, existem planos para novos mangás e HQs de humor para 2017?

Estamos preparando uma nova leva de séries de mangá e um segundo volume da coletânea Dracomics Shonen. Além dos lançamentos que serão revelados em breve, vamos lançar continuações para Quack, Tools Challenge e Zikas. Já no humor, estamos com um livro reunindo diversas tiras de um conhecido cartunista da web, nunca antes impressas. Será um trabalho ousado e é um quadrinho totalmente colorido. O bitelo tem previsão para o mês que vem!

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com