É oficial: Akira vem aí! Cassius Medauar tira dúvidas dos leitores

Após vários meses de espera, a JBC, na última sexta-feira (05) liberou em seu vlog no canal Henshin todos detalhes do lançamento do mangá clássico de Katsuhiro Otomo, Akira, o que fez a internet ficar em polvorosa nesses últimos dias.

Akira é um mangá de ficção cientifica cyberpunk que teve lançamento entre 1982 e 1990. Entretanto, o título se popularizou graças a uma adaptação cinematográfica de 1988, que transformou a história em um ícone da cultura pop. Em 2015, a JBC anunciou que detinha os direitos da obra e que iria relançar o título no Brasil.

A história de Akira no país é bem interessante. Ele foi lançando pela Editora Globo entre 1990-1998 em 38 edições, sendo que 33 delas foram lançadas no período de 1990 a 1993. O restante saiu em 1997 e 1998 por conta de problemas da Editora Globo. A JBC, que agora detém os direitos da obra, afirma que vai trazer a coleção toda respeitando o formato que está sendo lançado no restante do mundo, com arte em preto e branco e separada em seis edições.

O Terra Zero já havia conversado com o editor Cassius Medauar durante a CCXP, num papo em que o editor explicou que as negociações de Akira estavam bastante avançadas e haveria um anuncio oficial do título no primeiro semestre de 2017. Aproveitando este anúncio oficial e a chegada do produto em pré-venda, fomos bater um papo com Medauar sobre o formato do mangá e tirar outras duvidas dos leitores.

Terra Zero: Cassius, não vemos Akira no Brasil desde época da Editora Globo. Como é a sensação de trazer esse clássico novamente com todas as devidas honrarias?
Cassius Medauar: É indescritível. Sem duvida alguma é um sonho sendo realizado. Eu queria muito poder editar Akira por aqui e a JBC me proporcionou a chance de realizar este sonho. Foi uma grande luta, tanto pra gente conseguir os direitos quanto na produção e aprovações. Mas finalmente está chegando a hora.

Durante a CCXP você conversou conosco e explicou alguns motivos da demora para a liberação de Akira, dizendo ainda que teríamos um anúncio oficial de data de lançamento ainda no primeiro semestre. Poderia explicar um pouco esses passos para chegar até o resultado da edição que chega às livrarias em junho?
Na própria CCXP tivemos uma reunião com um editor da Kodansha, que veio acompanhando o Tsutomu Nihei. Na época, já era a 2ª prova impressa de capa e miolo feita para eles analisarem. Tudo parecia ir bem, mas, no começo do ano, recebemos um e-mail com alguns questionamentos e alterações necessárias. Seguiu-se mais uma rodada de trocas de mensagens, mudanças pequenas e algumas até bem grandes, até chegar na sonhada aprovação final, o que ocorreu por volta da CCXP nordeste. Mas ainda faltava aprovar planos de marketing, imagens, etc, o que ocorreu apenas no fim daquele mês de abril. O resto é historia.

Alguns leitores reclamaram do preço das edições de Akira, já que vão custar R$ 69,90. Você poderia explicar para eles os motivos para a escolha do preço? E se vai haver oscilação de preços entre as edições, que era uma das preocupações dos leitores?
Claro. Primeiro, não há opção. O formato que Akira será publicado não tem margem pra discussão. Tem que ser esse, é o único que o autor permite. O resto é conta simples. Chegamos no valor simplesmente fazendo contas de acordo com os custos gráficos, numero de paginas, papel, formato, etc. Vou dar um detalhe interessante que influencia no preço. Como temos que fazer no exato formato japonês, esse formato não “encaixa” com as gráficas brasileiras, por isso há muita perda de papel e isso encarece o produto. Fora isso, tem contrato, negociação com as lojas, material de reprodução e mais um monte de coisas.

Sobre a oscilação, bom, não tem como a gente saber, depende da economia brasileira. O preço é, em principio, para cada volume sim, mas não tem como eu afirmar que será igual e, daqui 2 anos, termos sei la, 200% de inflação (espero que não) e não conseguimos manter.

AeEdição brasileira terá algum material exclusivo?
O fato de ser em português (risos). Mas não, fora isso ela é igual a edição francesa, a 1ª nova edição a sair no mundo e bem parecida (em estrutura) com ultima japonesa que saiu.

Akira e Ghost In The Shell são dois grandes mangás! A JBC conseguiu trazer essas duas obras para o Brasil e está inovando em formatos e estilos. Para você, Cassius, qual é o balanço após essas conquistas e quais os planos da JBC para o futuro?
Bom, fui contratado pela JBC exatamente para mudar a cara da editora e agora, cinco anos depois, acho que está bem claro que estamos conseguindo. Acho que GitS e Akira são grandes marcos dessas mudanças, dessa cara nova da JBC, com formatos e títulos diferentes e diversos para vários tipos de público. Pretendemos continuar nesse caminho de inovar em títulos e formatos, mas com o pé no chão, pois a situação do país não permitem fazer loucuras.

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  • Da Roça

    Tem que dar parabéns para o trabalho da JBC, tanto ao trazer Akira quanto a Ghost in The Shell. Quanto ao preço, vejo muito mimimi na internet. Pelo tamanho do volume, e pela importância da obra, eu não discuto, acho o preço justo.