DC: Dark Matter, iniciativa com personagens inéditos e diversidade

Parece que foi ontem que a Valiant Entertainment voltou a publicar quadrinhos, trazendo consigo uma nova forma de caracterizar super-heróis graças à criatividade dos novos profissionais e de tudo que se aprendeu sobre o começo do século 21 ao término de sua primeira década. O tempo passou, a editora cresceu e diversificou seu conteúdo criando séries e personagens cada vez mais condizentes com a sociedade atual – Faith é, provavelmente, o mais exemplo disso.

Enquanto isso, na DC, o esforço para que seus super-heróis sempre reflitam a sociedade que consome os quadrinhos tem aumentado a cada ano. Em 2017, exatamente ontem, dia 20 de abril, ela seguiu o que a Valiant tem tornado uma tradição (“summits“, reuniões com apresentações dedicadas a anunciar projetos diferenciados e empolgantes para os fãs e para a indústria – curiosamente, a última da Valiant aconteceu na segunda-feira) e anunciou a iniciativa Dark Matter nos bastidores da C2E2 para os lojistas dos EUA.

Bem mais contida que o Rebirth do ano passado, a iniciativa do Dark Matter trará artistas trabalhando em propostas inéditas dentro do próprio Universo DC. No segundo semestre, mais exatamente durante o período de primavera no Brasil, serão colocadas nas lojas as revistas The Silencer, Sideways, Immortal Men, Damage, New Challengers e Dark Nights: Metal.

Como o título da última publicação sugere, a iniciativa é um spin-off do mais novo evento do Batman, também intitulado Dark Nights: Metal, noticiado pelo Terra Zero há poucos dias. Farão parte deste iniciativa Greg Capullo, Andy Kubert, Jim Lee e John Romita Jr., como líderes, além de Dan Abnett, Tony S. Daniel, Dan DiDio, Justin Jordan, Kenneth Rocafort, Scott Snyder, James Tynion IV e Robert Venditti.

Durante a apresentação, alguns dos presentes mostraram as primeiras artes de Dark Matter e, como já era de se esperar, foram questionados sobre a importância da diversidade nos quadrinhos. Isso porque as artes mostram que o elenco desta iniciativa é muito diversificado, mesmo que a formação de criadores seja o contrário. Todos que estavam lá falaram um pouco das motivações por trás da iniciativa e das suas experiências de vida. Enquanto isso, os lojistas e jornalistas presentes ficavam atentos para ouvir todos, principalmente depois das recentes polêmicas envolvendo a Marvel.

“Crescendo em Nova York vi pessoas diferentes daquelas que eu desenhava. Quando tinha uma cena de multidão, eu fazia todo mundo caucasiano. Mas na rua, em plenta Manhattan, você vê gente de todo tipo, todo mundo está lá. Mas amadureci. Hoje, quando desenho algo assim, coloco todo tipo de gente, pois não faz sentido não colocar todo mundo”, disse Capullo.

O artista ainda contou que, como um descendente de italianos, era importante pra ele, quando pequeno, ter um ídolo no âmbito esportivo com origens semelhantes. Por isso, ele se tornou um grande fã do lutador Bruno Sammartino, que nasceu em Pizzoferrato e foi para os Estados Unidos.

Em seguida, enquanto o co-publisher Dan DiDio falava sobre a naturalidade que a DC encontrou para lidar com diversidade nos seus produtos, John Romita Jr. resolveu ser um pouco mais provocativo:

Existe um lado mais cínico nisso que vocês estão apontando. “Por que vocês estão criando estes personagens para adicionar diversidade quando todo mundo sabe que vocês estão fazendo exatamente isso, de propósito?”.

Se alguém pegasse o Justiceiro e o transformasse em uma mulher (Frank Castle virando Francine Castle), isso me deixaria irritado. Tínhamos duas escolhas – bem, três, na verdade, mas optamos por ainda não trabalhar com personagens transgêneros. Eu não vejo isso como diversidade. Eu vejo como novos personagens. É ótimo ter novos personagens. Só não vejo a coisa exclusivamente como diversidade, pois sempre houve grandes personagens femininos ou de cor durante as décadas.

[Sobre a Marvel e afirmação de Axel Alonso de que é difícil promover artistas hoje em dia] Ela parece não estar mais interessada em contratar artistas de alto calibre. Estão dando preferência a escritores de alto calibre para depois descobrir que artistas usar. É aqui que aponto como somos exceções. Nós escrevemos estas revistas [de Dark Matter]. Ajudamos a criar a história, nos manifestamos. É a parceria entre escritores e artistas que criam grandes quadrinhos.

Aparentemente, o que Romita Jr. quis dizer a respeito da diversidade é que ela não é simplesmente um nicho, é parte da evolução do universo e não pode ser colocada num canto só pra ela. Em seguida, DiDio retomou a palavra e falou um pouco mais sobre a atual cultura da DC, com Dark Matter ou não:

Precisamos ficar um passo a frente e criar coisas novas. Em algum momento ficamos assustados e paramos de criar novas ideias. Ficamos preocupados demais em agradar o mesmo tipo de público. Temos de ser mais destemidos no nosso ramo, mas, ao invés de nos arriscarmos com personagens já estabelecidos e decepcionarmos as pessoas, vamos criar coisas novas e trazer essas pessoas para conhecê-las.

[Romita Jr. complementou] Uma de essas mudanças não funcionarem é que você pega um personagem conhecido por todos a muitos anos e, porque se quer criar diversidade, você pensa: “Ah, vou mudar isso aqui” e isso é forçado, é forçar uma alteração. Nunca vai funcinoar, nunca será confortável. O legal é criar novos personagens, ser julgado nos seus próprios méritos.

Além de noticiar a iniciativa, a DC também ofereceu detalhes dos títulos, apesar de nenhuma arte oficial e de alta qualidade ter sido divulgada até o fechamento desta matéria:

Dark Nights: Metal
Publicação: Agosto
Roteiro e arte: Scott Snyder e Greg Capullo
Tudo começa com Dark Nights: Metal, uma história que examinará cada escolha que um herói não faz, cada caminho que ele não trilha, abrindo mundos que são forjados por pesadelos. Personagens e histórias de revista da Dark Matter aparecerá nesta série.

The Silencer
Publicação: Setembro
Roteiro e arte: Dan Abnett & John Romita Jr.
Honor Guest era a assassina mais mortal do mundo, até que ela deixou tudo isso pra trás em troca de uma vida “normal” nos subúrbios, livre da morte e da destruição. Porém, quando sua vida pregressa volta para assombrá-la, Honor deve deixar sua persona suburbana pra trás para proteger sua família como The Silencer.

Sideways
Publicação: Setembro
Roteiro e arte: Dan DiDio, Justin Jordan & Kenneth Rocafort
Mudado para sempre após os eventos de Dark Nights: Metal, um adolescente sofre para viver o ensino médio ao ter contato com a Dark Matter e ganha o poder de teletransporte através da Dark Dimension. Mas cada salto leva o jovem herói um passo mais próximo de sucumbir às consequências de seu novo poder e sua origem sombria.

Immortal Men
Publicação: Outubro
Roteiro e arte: James Tynion IV & Jim Lee
Nascidos na aurora do tempo, cinco irmãos descobrem que, com a vida eterna vêm guerras eternas. Enquanto as forças de destruição marcham para o mundo moderno, eles operam nas sombras, recrutando uma elite contra os inimigos que buscam trazer o Armagedom. Eles são a esperança da humanidade… eles são os Immortal Men.

Damage
Publicação: Novembro
Roteiro e arte: Robert Venditti & Tony S. Daniel
Ethan Avery só queria servir seu país, mas promessas de se tornar o soldado definitivo deixam o novo recruta vivendo um pesadelo. Amaldiçoado com a habilidade de liberar um monstro implacável por uma hora, Ethan só quer viver sua vida em paz. Mas, se ele puder domar o monstro dentro de si, ele pode fazer mais bem pelo país que Ethan jamais esperou.

New Challengers
Publicação: Dezembro
Roteiro e arte: Scott Snyder & Andy Kubert
Personagens vivem com tempo adicional, correndo da morte atrás de grandes mistérios, maravilhas e horrores do universo! É um novo elenco, uma nova missão, mas uma que anda lado a lado com a grandeza e a história dos Desafiadores do Desconhecido originais. A história começa com a desafiador Mountain retornando depois de anos desaparecido. E coisas só ficam piores daí pra frente…

Fiquem ligados no Terra Zero para maiores novidades sobre Dark Matter.

  • Tem coisa interessante aí, vou torcer para dar certo.

  • Samuel Almeida

    Isso vai ser muito foda

  • Washington Jose

    Espero que de tudo certo com essa iniciativa. Fiquei muito empolgado com isso!

  • Mateus Rodrigues

    FODA! Espero que mais criadores apareçam se tudo der certo.

  • Daniel

    DC acertando demais ultimamente.
    Que dê tudo certo!

  • Adilson Alves

    A DC fazendo o caminho para o sucesso. Grandes talentos reunidos. Tô empolgado com alguns títulos.

  • Eduardo

    Diversidade??? Onde???
    Fizeram um “Novo Universo Batman” com elementos da Image dos anos 90 – só vi clones do Spawn até agora.

    E comparar essa iniciativa com a Valiant??

    Por favor, apenas parem.

    • Neo

      Já leu? Conhece os personagens??
      Me diz aí sobre eles.

      • Eduardo

        Leia os desenhos até entender.

        Diversidade = monstros, pesadelos, “lugares sombrios”, destruição. É isso mesmo, produção?

        • Neo

          Cara, pode ser parecido . Mas temos que a abordagem. Em todos a história da indústria de quadrinhos tivemos personagens parecidos ou que foram inspirados em outros.

          • Adriano DeSouza

            Se ter personagens com poderes ou visual parecido fosse proibido, a Marvel teria que fechar as portas…

  • Neo

    Mas que bela notícia!!!
    Agora fez o certo: apostar em personagens novos sem precisar modificar os já existentes para agradar grupos sociais.
    Precisamos de coisas novas mesmo. Ufa!!!

    Tomara que voltem com o selo Elseworld também kk. E invistam em mais minisséries de personagens que não possuem HQs mensais.

    Espero que acertem no roteiro também para emplacar.

  • Morpheus, O Purista

    Ótimo, esse negócio de mudar o personagem não tá com nada mesmo, mas nisso podemos ter novos personagens ganhando espaço, tendo a diversidade deles, assim que sair, eu leio.

  • Carlos Henrique

    Gostei da proposta, precisamos sim de diversidade nos Quadrinhos, mas da maneira certa.
    Sendo algo natural e não forçado.

  • Glaydson Melo

    Só não curti a afirmação do Capullo de que a Marvel não quer investir em “artistas de alto calibre”. Não pela Marvel, mas porque me pareceu que na visão dele os artistas na Marvel, sem exceção, são ruins ou “fracos”, e achei meio equivocado e oportunista esse comentário.

  • Adriano DeSouza

    A série que com certeza não deixarei de conferir é New Challengers… Scotty Snyder + Andy Kubert recuperando a fórmula dos desafiadores do desconhecido – que foi de onde a Marvel chupou o Quarteto Fantástico. Agora que a Marvel fez a burrada de cancelar o quarteto, tem uma baita deixa pra esse gênero de histórias, seria muito ironico isso dar certo, a Marvel com certeza virá correndo restaurar o Quarteto de novo, ahaha.

  • Neo

    O universo de antimateria da DC é aproveitado nos quadrinhos?

  • Erick Viana

    Boa DC! Agora sim!

  • Guylherme Lobo

    Até agora não vi muita diversidade não, mas tomara que dê certo.

    A propósito: a DC ainda não tem os direitos da Milestone? Por que não fundir os universos mais uma vez? Já tem material pra diversidade, só não fazem porque não sabem trabalhar com isso.

  • Ferro de Ferro

    Sei, mais uma linha Young Animal, que é pura vaporcomics.

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