[Entrevista] Rapha Lobosco: um brasileiro com James Bond no MI-6

Warren Ellis, James Robinson, Andy Diggle… A Dynamite, nos últimos dois anos, vem investindo pesado em talentos consagrados da indústria de quadrinhos nos títulos da sua linha James Bond 007. Em 2017, a editora dá continuidade ao trabalho desenvolvido por estes autores e escala o primeiro artista brasileiro para trabalhar nos quadrinhos do espião criado por Ian Fleming nos anos 1950. Rapha Lobosco, artista com dez anos de experiência no mercado, residente em Dublin na Irlanda, topou conversar conosco sobre este novo volume nos quadrinhos de Bond ao lado do autor Benjamin Percy (Arqueiro Verde).
James Bond por Rapha Lobosco.
James Bond vem sendo publicado pela Dynamite desde 2015 como uma franquia de espionagem e ação. Qual a premissa deste novo volume do título agora, em 2017?
James Bond encontra-se na mira de um assassino que ataca outros assassinos. Esta é a primeira peça do quebra-cabeças. É um mistério de grande adrenalina que vai enviar Bond pelo mundo inteiro para investigar uma violação digital que ameaça a segurança global, enquanto ele tenta rastrear esse misterioso assassino.
Seja nas passagens recentes de Warren Ellis, James Robinson ou Andy Diggle, o quadrinho de Bond pela Dynamite tem sido composto por arcos fechados com leves interligações entre os trabalhos destes autores. Qual o grau de interação entre este novo volume de Ben Percy e os trabalhos anteriores?
 
Eu acredito que a Dynamite dá para os autores um certa liberdade para eles criarem o que eles acreditam que seja uma aventura do James Bond, mas sempre respeitando esse universo que foi criado por Ian Fleming. Acredito que a interação fica mais entre os personagens e o relacionamento entre eles, do que com a história em si. Então podemos ter citações ou outros personagens de outros arcos dentro da história.
Página de James Bond: Black Box #1
 
Como você foi convidado a participar deste quadrinho pela Dynamite?
 
Eu vou a muitas convenções aqui na Europa, e acabo conhecendo bastante gente e mostrando meu portfólio. A Dynamite deve ter visto meu trabalho e me mandou um email, dizendo que achavam que meu estilo combinaria com o próximo James Bond e se eu não gostaria de participar. E claro que eu aceitei, né? James Bond é um dos meus personagens favoritos então não tive muita duvida em relação ao trabalho.
 
Qual era a sua relação com este universo antes de começar a trabalhar nos quadrinhos de 007? Ela mudou muito?
 
Mudou para melhor! Eu digo isso porque eu sempre adorei os filmes, e o universo dos gadgets e espionagem sempre foi um assunto que me interessou muito! E poder criar uma parte desse universo, entrar na cabeça do personagem, estudar os livros, os filmes e entender um pouco mais como esse fenômeno foi criado é simplesmente sensacional.
Página de James Bond: Black Box #1
 
Que tipo de pesquisa para referência visual você tem usado para as cenas de ação em James Bond?
Eu não fico fechado somente aos filmes do Bond. Gosto muito de folhear as revistas que tenho, e também filmes de ação como John Wick, Matrix e etc… Mas procuro sempre usar uma câmera interessante e criar uma fluidez na pagina. Então eu gosto de olhar esse tipo de referência, ângulos interessantes, movimentos claros e também bastante expressão corporal.
 
Qual a diferença entre Benjamin Percy e os outros autores com quem você trabalhou anteriormente?
 
Benjamin é muito criativo. As ideias que saem da cabeça dele são extremamente divertidas! Acho que a diferença entre outros autores é que ele não tem medo de criar algo exorbitante. O trabalho dele em Arqueiro Verde é um exemplo disso: onde você tem um perseguição num trem subaquático, por exemplo. Em James Bond teremos luta com tubarões, um vilão mascarado, um briga de facas num torneio de sumô! Eu me sinto muito feliz em trabalhar com Ben, que é um gentleman, e por ele ser tão criativo e me fazer desenhar as coisas mais loucas! No bom sentido, é claro!
 
Você já sabe por quantas edições trabalhará em James Bond?
 
Serão seis edições. Não sei se eles vão fazer mais um arco depois desse, como fizeram com Ellis e [Jason] Masters, mas, por enquanto, serão somente seis edições.
 
Qual o nível de dificuldade para um artista brasileiro ser notado e contratado por uma editora como a Dynamite neste mercado atualmente?
 
Eu acredito que os brasileiros são muito bem vistos internacionalmente e as chances são bem altas se você tiver um bom trabalho e for um bom profissional. Estamos em uma época em que muitos quadrinhos estão sendo criados e consumidos. Então você tem um mercado com bastante trabalho e a procura de novos talentos.
Capa de James Bond 007 Black Box #1. Arte: John Cassaday
 
Você já tem algum outro projeto futuro que possa adiantar ou queira divulgar para o público? 
 
Eu tenho alguns projetos pessoais que estava começando antes de trabalhar com James Bond: um é uma graphic novel que estou fazendo com um escritor irlandês chamado Hugo Boylan. Será uma sci-fi de terror com monstros alienígenas e muita intriga e espionagem. E tenho uma história de 5 ou 6 paginas que talvez seja publicada mais para o final do ano. Só não posso dizer mais do que isso no momento (risos).