[Emulador de Críticas] O MELHOR EMULADOR DE CRÍTICAS DO MULTIVERSO…SQN

E aí, pessoal! Garanto que muitas pessoas caíram na isca desse título. Bom, a ideia é exatamente essa, discutir até que ponto esse forma de empregar hipérboles, sejam positivas ou negativas, ajudam na avaliação dos produtos da cultura pop.

Antes que você se questione se ler esse texto é mesmo necessário, aviso que ele será. Se será o melhor Emulador de Críticas? Certamente sim, ou não. Isso depende de cada um. Porém, está na hora de questionarmos o problema da forma que são usadas as palavras melhor e horrível. Estamos vivendo em um tempo de banalização de muitos termos, mas essas duas palavras vem sofrendo muito nas nossas mãos.

Besouro Azul & Gladiador Dourado por Kevin Maguire.
Esta é a única imagem que você verá neste Emulador. Pense num motivo.

Ao abrir o navegador vamos encontrar várias matérias falando de criações de cultura pop usando chamadas: O Melhor Filme Que Você Vai Assistir, O Melhor Quadrinhos Que Já Pensou em Ler. E na mesma proporção vai encontrar chamadas usando palavras do O Pior Personagem de Todos Os Tempos, O pior álbum de determinada banda.

Esse tipo de efeito não abre espaço para diálogo. Estamos experimentando momentos que não dão espaço para nos questionarmos se algo é realmente bom ou ruim. Tudo é ou excelente ou a pior coisa que já aconteceu. Querem unanimidade.

O problema de ideias absolutas assim são que elas causam, na mesma proporção, comportamentos extremos. No ano passado vivemos isso, com  Batman Vs Superman, tema pelo qual a internet não aceitou pensamentos diferentes daqueles que não gostaram do filme. Estamos nos preparando para experimentar isso novamente, com o lançamento da série Punho de Ferro, a qual a crítica não recebeu muito bem.

O motivo desses comportamentos tem muito a ver com a forma com que a internet tenta mastigar a informação para os usuários. Você vai abrir os trabalhos de um site especializado em cultura pop com uma resenha: vai ter uma grande texto, onde o redator se esforçou para poder fazer uma boa análise sobre algum quadrinho/filme/álbum/game/etc. E muitas pessoas vão pular todo esse texto, ir direto para a avaliação ou nota numeral e, após isso, correr para o ringue do Twitter ou do Facebook para combater as pessoas que gostaram ou que não concordaram.

Outro fator que vem sendo um dos motivadores de discussões são os agregadores de notas e resenhas. O Rotten Tomatoes, por exemplo, nada mais é do que um “termômetro” para o público. Porém, ele traz várias ferramentas de avaliação aliadas ao símbolo do tomate vermelho (bom) ou do tomate podre (ruim). As resenhas ligadas a páginas tem poucos caracteres e apenas uma pequena parte da analise do crítico. Se você realmente estiver a fim de procurar as críticas, vai gastar alguns bons minutos e vai sair satisfeito. Porém, sabemos que só uma pequena porcentagem dos usuários desse site fazem isso.

Alie os fatores acima a pessoas babacas (sobre as quais discorri na minha última coluna) e pronto. Você tem gigantescas discussões nas quais nenhum dos lados quer se entender. Apenas firmar seu ponto de melhor ou pior. São em momentos como esse que pessoas se afastam, ou que brigamos por coisas bobas. Apenas porque, em algum ponto dessa curva narrativa, desaprendemos a debater e a tentarmos nos entender.

Claro que existe uma responsabilidade dos criadores de conteúdo nessa equação. A busca louca pelo clique se tornou uma competição absurda. Redatores, vloggers e podcasters têm que, cada vez mais, procurar uma forma de manter sua comunidade ativa, sendo vistos e chamando atenção. Logo, nessa brincadeira, temos textos de qualidade pior, mas com títulos explosivos (como o dessa coluna),  para chamar a atenção das pessoas na internet.

Juntando todos esses elementos, algo que era para ser um momento divertido acaba se tornando algo maçante. As pessoas se esquecem de aproveitar a parte legal dos produtos da cultura pop, que é a interação entre amigos e os longos papos conversando, sem tentarem provar que A é melhor que B, questionando inteligências e gostos, dizendo que a oura parte não entendeu o filme, o quadrinho, a música, a peça.

Para finalizar, vamos lembrar aquela linda frase de Nelson Rodrigues:

Toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.

Questione, discuta, cague para astros e estrelas. Procure vivenciar e ler vários pontos de vista, mas, principalmente, experimente e tente se divertir, seja qual for o produto da cultura pop que esteja degustando. Não tenha medo de achar que algo é apenas medíocre, ou qualquer outra coisa que o valha. Eu mesmo fui medíocre a faculdade inteira (desculpa, mãe!) e estou aqui, vivo.

Até a próxima! Mesmo porque eu sei que essa coluna está longe de ser a melhor que você já leu.

  • IDRIS ELBA RAMALHO

    Sabe o que é pior?
    Você fala, “ah esse filme é muito bom, é ótimo, mas tem tal defeito”, ou “esse filme é incrível sim, mas acho que não merece um oscar”
    E parece que você detonou o filme, e ofendeu de forma pessoal para com os fans.

    ótimo texto, Pab.

  • Ermicão

    O problema maior que eu vejo nessas discussões é a total falta de parametro; tudo bem você avaliar e comparar obras diferentes, é a maneira mais fácil e objetiva de você avaliar uma obra, se você tiver parâmetros. Eu posso comparar o Pele com o Guga, por exemplo, tendo como parametro a carreira que de cada um como atleta. Mas se eu simplesmente for dizer: o pelé é melhor do que o Guga, não tem fundamento algum.