[Review] Mulher Maravilha: Mentiras

Mulher-Maravilha foi uma das personagens mais alteradas nos Novos 52. Em seu aclamado arco do Conto do Primogênito, Brian Azzarello mudou a origem da personagem, fazendo com que ela se tornasse filha de Zeus em vez do Barro. Algo elogiado por muitos e criticado por tantos outros, que, apesar de ter sido muito bem contado por Azzarello, mudou algo que era um diferencial da personagem por mais de 70 anos.

Além disto, vimos uma Ilha Paraíso mais agressiva, com Amazonas violentas e assassinas, matando os bebês meninos que nasciam na Ilha. Azzarello também transformou a Embaixadora da Paz na Deusa da Guerra.

Então, apesar da excelente narrativa, a personagem não era mais reconhecível pelo seu público e ela e as Amazonas perderam muito de seus ideais nesta saga.

Foi uma Mulher-Maravilha assim que Greg Rucka pegou. Filha de Zeus, portadora da guerra e vinda de uma Ilha genocida. Com isto veio seu primeiro arco com a personagem: Mentiras!

A personagem enfrenta, neste arco, as contradições em sua vida e suas lembranças, ficando confusa sobre quem é. Colocando o Laço da Verdade em si para conseguir respostas, descobre que estava sendo enganada e vivendo uma mentira. Como defensora da Verdade, a personagem sai em busca de suas origens pra descobrir o que aconteceu e, com isto, decide voltar para casa. Ela não consegue chegar em Themyscira e é rejeitada no Olimpo. Diana está perdida.

A fim de voltar pra casa, Diana encontra sua antiga amiga e atual rival, Mulher Leopardo (redesenhada por Liam Sharp, tendo agora um aspecto muito mais animalesco), que se vê escrava de uma espécie de deus em uma selva, na qual também está Steve Trevor, juntamente com outros militares, em uma missão liderada por Etta Candy com intuito de derrubar o deus que escraviza Barbara Minerva e as mulheres da comunidade local.

Nesta edição, como subtrama, temos um arco de Godwatch sendo apresentado, que se desenvolverá em edições futuras.

Mentiras homenageia a personagem e seus coadjuvantes clássicos, usando Etta Candy, Steve Trevor, Mulher Leopardo, Verônica Cale e outros. Vemos também, durante o arco na floresta, o empoderamento feminino, bem como Diana buscando sua verdadeira origem por meio de um temperamento gentil e corajoso.

Somos presenteados com a arte de Liam Sharp, simplesmente linda e com cores de uma paleta mais escura, e cheia de detalhes em seus personagens e cenários.

Mulher-Maravilha: Mentiras é só o começo do Rebirth da personagem. Descobrimos que seus anos nos Novos 52 foram uma mentira. Inclusive em relação a seu relacionamento com Superman e seu lar? E o que mais? Ainda não sabemos. Nos resta continuar acompanhando a história para, assim como Diana, descobrirmos a verdade.

  • Neo

    Em Ano Um parece que é explicado o porquê dela não ter voltado mais à ilha, quando cita que ela abriu mão de seu lar ao escolher vir ao mundo dos homens, algo do tipo.

    • Débora De Albuquerque Teixeira

      Sim, na review de Ano Um eu menciono que neste arco já nos dá algumas respostas sobre as mentiras.

  • Eu não consigo gostar dessa fase. Eu acho que o Rucka retrata a Diana muito bem, mas depois de 15 edições toda a história serviu apenas pra desfazer o que o Azzarello fez. Isso me incomoda pq eu gosto muito da fase do Azzarello, mas mesmo que seja o objetivo do Rebirth voltar ao clássico, dava pra fazer isso de forma mais orgânica, o próprio Azzarello partiu do conceito básico, contou uma grande história e fez mudanças grandes, mas pontuais na mitologia, ele não ignorou ela ser feita de barro ou as amazonas serem campeãs da paz, ele retconizou, de forma polêmica, mas que servia ao propósito dos novos 52 enquanto contava uma história épica (e indiscutivelmente uma das melhores da primeira fase dos N52). O objetivo da história não era apenas modificar a origem da personagem, o Rucka ta tão focado em mostrar que os N52 não valem, que ta impedindo que a história da Mulher Maravilha evolua, diferente do que o King ta fazendo em Batman ou o Tomasi em Superman.

  • Gus Mendonça

    Acho “mentiras” e “Ano Um” tecnicamente muito bem desenhadas e escritas, mas tenho a sensação que essa fase do Rucka ainda deixa a desejar. Sou muito fã da primeira fase do Rucka no título, talvez por isso eu ache que o título ainda não alcançou seu pleno potencial.