Os Mundos de Jack Kirby: artistas brasileiros homenageiam o Rei

Em agosto de 1917, nascia no Bronx, em Nova York, um pequeno filho de imigrantes judeus chamado Jacob Kurtzberg. O nome, de origem austríaca, pode não ser tão famoso quanto o pseudônimo: Jack Kirby.

Foto: ComicBook.com.

Em 2017, cem anos depois do nascimento daquele que viria a ser conhecido como o Rei dos Quadrinhos, homenagens estão sendo prestadas em todo o mundo, e o Brasil não vai ficar de fora. Organizado por Edson Diogo (do site Guia dos Quadrinhos) e o artista Will Sideralman, o artbook Os Mundos de Jack Kirby vai trazer o depoimento e a arte de cem diferentes artistas brasileiros, referenciando a obra de um dos mais importantes desenhistas de quadrinhos da história.

“A ideia surgiu no final do ano passado. Eu já iria fazer uma exposição para comemorar os cem anos de Jack Kirby no Festival Guia dos Quadrinhos 2017 e teria que chamar alguns artistas para fazer essa homenagem”, conta Diogo. “Daí surgiu a ideia do livro, que inicialmente teria só 50 artistas. Foi quando um amigo, Wilson Simonetto, sugeriu que o livro tivesse cem artistas. Comentei com o Will sobre isso e ele ficou logo empolgado. Uma semana depois ele já tinha uma lista com cem artistas com que a gente poderia entrar em contato”, relata.

Will conta que não encontrou dificuldades de encontrar artistas que quisessem participar do projeto – a maior parte dos quadrinistas parece concordar em reverenciar o Rei. “[Foi] Bastante fácil. A maioria topou de cara. Alguns que não quiseram participar por vários motivos, desde não se identificar com o trabalho do Kirby até estar com a agenda cheia”, diz. O organizador está feliz com a composição de colaboradores do livro, mas com um contraponto: a ausência de mulheres. “Queríamos de ter mais mulheres participando do projeto mas não conseguimos, pelos mesmo motivos: não identificação e falta de tempo”, conta.

Segundo Will, a importância de Jack Kirby transcende a mera criação de visuais estonteantes para os universos Marvel e DC. E embora muitos jovens não conheçam o impacto de sua obra, seu legado é sentido até os dias de hoje.

A questão é que aconteceu muita coisa nos quadrinhos, estamos falando de uma carreira que começa em 1935, século passado. Para as novas gerações de leitores, principalmente aqueles que se formam no cinema e só depois vão descobrir que o personagem que ele gostou tem a idade de seus avós, fica difícil enxergar o valor da obra do Kirby. Há exceções, tem gente que procura saber da história e consegue fazer uma leitura levando em consideração a época em que tal ou qual personagem foi criado, sem querer que ele se siga as noções culturais do momento.

Não queremos viver no passado. Dá pra fazer livros e livros sobre muitos criadores, e eles até existem. Este livro tenta mostrar a diversidade do trabalho do Kirby revitalizada aqui nos traços, tanto de desenhistas veteranos e, portanto um provável leitor dele, quanto de novos talentos, reconhecendo o mérito e se entusiasmando com o desenho que está fazendo.

Terra Zero conversou com os artistas Antonio Eder (O Gralha), Daniel HDR (Smallville, X-Men Forever) e Hugo Canuto (A Canção de Mayrube) sobre a participação no projeto. Confira abaixo:

Antonio Eder:

Foi uma tarefa curiosa, porque a arte de Jack Kirby não fez parte de minha formação inicial como artista. Só descobri ele muito tempo depois. É impressionante a força do traço, a categorização dos valores de linha, a composição e os elementos de cena.

Acredito que um artista quer seguir na carreira de desenhar super heróis deve sem sombra de dúvidas estudar os mestres destas áreas. Um quadrinista que se diga fã de super heróis se não conhecer a obra de Kirby equivale a um estudante de artes plásticas não conhecer Da Vinci ou Picasso.

Daniel HDR:

O projeto é posterior ao Kyrbians, exposição que o Dínamo Estúdio organizou (com a bênção da familia Kirby), a 2 anos atrás. O legal do livro é que mais gente pode ser reunida no projeto – foi algo que cheguei a cogitar na época do Kirbyans, mas o pouco tempo me permite. Mas fiquei muito, muito feliz que isso tenha sido feito pelo Edson e Will, bem como ter sido convidado para participar.

Hugo Canuto:

Eu tô muito feliz porque Jack Kirby vai fazer cem anos, e é um homem universal, né? Um homem que criou uma linguagem estética que dura até hoje. Se você ver no cinema, o que a Marvel tá fazendo, vem dele, as cores, as composições, as armaduras, os uniformes. Ele é um artista cada vez mais atual dentro da linguagem da cultura pop.

E ele não era só um grande artista, mas também era um homem fantástico. Ele é um homem que lutou contra o fascismo, contra o nazismo, ou seja, tinha um lado engajado dele. Quando eu homenageei o Kirby lá atrás, lá nos Contos de Òrun Àiyé, era nisso que eu estava pensando.


Os Mundos de Jack Kirby está no Catarse. O livro terá 224 páginas, em capa dura e impressão colorida em couché fosco 150g, no tamanho de 21 cm x 31 cm. Ainda restam 21 dias para colaborar com o projeto.

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[Terra 10] Trabalhos memoráveis de Jack Kirby

  • Gaiolis Nutellis

    Só desenho merda. Passo.

    • O Gato Socialista

      não diria isso… mas que o desenho de caio cacau é clichê até o âmago, isso é!
      que pose e que expressão corriqueiras.