Karen Berger, Dark Horse e o impacto no mercado de quadrinhos

A editora Karen Berger dispensa apresentações. Considerada a pedra fundamental do selo Vertigo (DC Comics), uma gerente de talentos excelente e tendo em seu currículo descobertas como Grant Morrison, Peter Milligan, Neil Gaiman, Dave McKean, Dave Gibbons. Ou seja, a pessoa culpada pela invasão britânica nos quadrinhos dos Estados Unidos. Na última sexta-feira (17), Berger anunciou uma parceria com a editora Dark Horse para uma linha  de HQs editadas por ela.

O anuncio oficial aconteceu na ComicPRO, evento destinado aos donos de comic shops do EUA. De acordo com  a Dark Horse, Berger vai “adquirir, editar e supervisionar” todos os títulos do seu selo. O selo consiste em trabalhar com material autoral dos selecionados pela editora com lançamento pela Dark Horse. No evento de anúncio não foram apresentados títulos e nem os artistas que participarão do selo.

Karen Berger trabalhou como editora na DC Comics por 30 anos. Seu trabalho iniciou em meio a década de 1980, trabalhando em títulos como Casa Dos Mistérios e Legião dos Super-heróis. Berger despontou quando, em 1993, passou a trabalhar no selo Vertigo dentro da editora das lendas. O seu trabalho consistia em descobrir talentos e ajudá-los e desenvolver suas obras em quadrinhos. A Vertigo se tornou uma casa muito prolifera e com 20 anos de mercado produziu ou deu continuidade a títulos como Preacher, 100 Balas, Y –  O Último Homem, Fábulas, Transmetropolitan e muitos outros. Durante seu tempo como editora-chefe da Vertigo o selo teve mais 100 títulos produzidos.

No ano de 2013, Karen Berger se despediu da DC após 30 anos de trabalho na editora. Após 20 anos chefiando a Vertigo, ela considerou que estava na hora de buscar outros rumos na carreira e entregou seu cargo para sua colega desde a abertura do selo adulto, Shelly Bond.

Depois de longas férias, Berger, anunciou no ano passado que voltaria a trabalhar com quadrinhos editando o título Surgeon X para a Image Comics. Todos esperavam que a editora se aproximasse mais desta casa de publicações indie, já que a Image nos últimos anos sob a batuta de Eric Stephenson se aproxima muito do formato que a Vertigo usava nas suas publicações durante os anos 1990.

A Dark Horse aparecer como a nova casa de Berger não chega a ser uma surpresa. A editora do cavalo negro sempre prezou muito por títulos independentes e é casa de títulos indie de grande respeito dos quadrinhos estadunidenses. Seu maior expoente é Mike Mignola trabalhando com Hellboy, mas a editora também vem fazendo um excelente trabalho com a franquia do Conan e se tornou a primeira casa criativa de Gerard Way com seu título Umbrella Academy.

Berger no release do anúncio explica sua chegada a Dark Horse da seguinte forma.

A Dark Horse tem estado na linha de frente de quadrinhos independentes e autorais por décadas. É ótimo trabalhar com uma empresa que tem uma história tão rica em publicação. Dezenas de livros incríveis, de alguns dos melhores escritores e artistas em quadrinhos. Estou muito entusiasmada por estar de volta no jogo, em grande estilo e estar produzindo esta nova linha com  ótimos talentos criativos, emocionantes e novas e vozes originais .

O presidente da Dark Horse, Mike Richardson, comenta a chegada de Berger da seguinte forma:

Karen foi fundamental para lançar as carreiras de muitos escritores de quadrinhos e artistas que passaram a se tornar algumas das maiores estrelas da indústria. Karen tem uma habilidade afiada para cultivar vozes criativas e estou pessoalmente animado para ver os nomes de novos talentos ao lado dos nomes dos criadores mais vendidos que serão lançados pela Berger Books.

A ligação entre Karen Berger e Dark Horse tem potencial imenso para criar algo muito relevante para as HQs. Berger tem em seu currículo trabalhos de grande qualidade, tudo que ela toca ganha rapidamente espaço em veículos de HQs. A editora ela vai ganhar espaço e liberdade para trabalhar seus títulos, um dos motivos que dificultaram seu trabalho durante seus últimos anos na DC Comics e que a levaram Berger a uma ruptura com a DC. Por outro lado, a Dark Horse só tem a ganhar com essa parceria, já que a empresa ganha em divulgação e uma cartilha de autores e histórias que Berger carrega com ela.

Agora temos que ficar de orelha em pé, esperando as novidades dessa parceria que promete chacoalhar muito o mercado de quadrinhos estadunidense.

1 Comentário

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  • […] Como a BOOM! Studios agora tem a licença da franquia, os antigos quadrinhos da Dark Horse serão reimpressos por ela. Esta é a terceira grande franquia que a editora perde para outra empresa nos últimos. Star Wars e Conan, que ficaram anos com a Dark Horse, voltaram para a Marvel. Contudo, isso não indica que a companhia esteja mal das pernas; na verdade, ao que parece o foco dela é em quadrinhos autorais, mais lucrativos para ela e seus artistas. Vide maior espaço dado para nomes como Mike Mignola, Jeff Lemire e a recém chegada lendária editora Karen Berger. […]

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