[Atualizado] Flash/Batman: O que pode acontecer no crossover com Watchmen?

O que foi aberto como possibilidade pela DC em sua revista especial DC Universe Rebirth, lançada ano passado e ainda inédita por aqui, vai se tornar realidade em poucos dias. Com Barry Allen e Bruce Wayne, as testemunhas (quando se fala da Liga da Justiça) das mudanças causada por Flashpoint e pelos Novos 52, a editora fará o que todos acreditavam ser impensável: um crossover com Watchmen, o seminal quadrinho desconstrutor do gênero criado por Alan Moore e Dave Gibbons nos anos 1980.

[Nota do coordenador editorial: se você não está acompanhando o que está acontecendo nos Estados Unidos, pare por aqui! Bastante do que vem a seguir pode ser considerado, por muitos, spoiler!]

Tudo começou ainda em 2011, com Barry Allen aportando no novo universo, intitulado pela DC de Novos 52, com uma carta de Thomas Wayne, o Batman de Flashpoint, para seu filho no mundo que temos como nosso, onde ele é o Homem-Morcego. De acordo com DC Universe Rebirth, uma das aberrações espaçotemporais foi o emblema do Comediante escondido na Bat-Caverna, descoberto pelo Batman justamente em DC Universe Rebirth.

Batman encontra o símbolo do Comediante, de Watchmen, na batcaverna. Arte de Gary Frank.
Batman encontra o símbolo do Comediante, de Watchmen, na batcaverna. Arte de Gary Frank.

Na mesma revista ficou implícito que o Dr. Manhattan pode ter sido responsável pelo “roubo cronológico” que causou a transição da velha DC para a nova. Agora, isso ficará melhor esclarecido das nas revistas do Batman, do Flash e em algo muito misterioso que Geoff Johns vem armando há meses.

Johns, além de ser um dos principais escritores da DC dos últimos 20 anos, ascendeu a Diretor Criativo e agora, é presidente do grupo DC Entertainment, que comanda a DC Comics e as adaptações de suas propriedades para outras mídias. Ou seja, ele é o cara grande da galera toda, e a pessoa em que a editora mais confia para tocar num material tão delicado como Watchmen. Vale lembrar da iniciativa de 2012, Antes de Watchmen, que contou as histórias dos principais personagens da obra antes de seus eventos pelas mãos dos maiores talentos da indústria no momento. Não deu certo.

Tudo começa com o arco de histórias The Button, que começa a sair em abril nas revistas Batman e The Flash (feitas, respectivamente, por Tom King e Jason Fabok e Joshua Williamson e Howard Porter). Vamos ler suas sinopses para entender melhor o que está por vir:

Arte de Jason Fabok.
Arte de Jason Fabok.

BATMAN #21 & THE FLASH #21
“The Button”, partes um e dois! Os cataclísmicos eventos de DC Universe Rebirth continuam aqui! O Cavaleiro das Trevas e o Homem Mais Rápido do Mundo, dois dos maiores detetives que existem, se unem para explorar o mistério por trás de uma certa insígnia com sangue encontrado na batcaverna. O que começa como uma simples investigação se torna um evento mortal quando os segredos da insígnia se provam irresistíveis para uma terceira figura – e é alguém que ninguém imagina! Este é um mistério calcado no tempo e o relógio começa a girar agora!

Capa de The Flash #22 por Jason Fabok.
Capa de The Flash #22 por Jason Fabok.

As sinopses de Batman #22 e The Flash #22 são as mesmas, o que reforça o mistério que a DC vem fazendo em cima desse crossover. Porém, quem não está acompanhando o Universo DC como um todo não sabe que várias dicas estão sendo jogadas em diversas revistas mensais. Em um dos típicos bate-papos conspiradores do grupo do Terra Zero no Telegram, o Brunão (sempre ele) deu a letra do que vem por aí. Editamos e formatamos tudo que ele falou para que vocês entendam melhor:

Em Detective Comics #950 rolou um flashback com o Tim Drake perguntando pro Bruce “por que ele estava se preparando para a guerra”, com todas as equipes que ele está montando e o escambau.

O Bats sabe que está rolando alguma merda, mas enquanto geral tá focando na galera de Watchmen, tem outra questão aí que é o Mr. Oz [Nota do redator: o personagem vem aparecendo desde que o Rebirth começou a dar suas caras ainda em Convergência, mais especificamente com o Superman]. Todo mundo está chutando que o Oz é o Ozymandias, mas o Johns gosta de uma pegadinha. Como o Oz tá prioritariamente ligado ao Superman, vou ressuscitar uma hipótese que eu e o Grisa levantamos tempos atrás, cujo M.O. bate por “n” razões: Superman Tangente [Nota do redator: saiba mais sobre este personagem e seu universo clicando aqui].

Superman Tangente que, até onde me lembro, não apareceu em ponto nenhum do último arco do Superman, com todos os Supermen do Multiverso, lançado no começo do ano [nos EUA]. O reboot temporal que rolou em Flashpoint causou uma subtração de dez anos. O pessoal está achando que essa subtração representa um bloco contínuo de uma década. Não é.

Na real, o que foi roubado foi um segundo ali, outro aqui etc. Por exemplo, rouba-se um segundo da história do universo há um milhão de anos, Krypton fica totalmente diferente. Rouba-se o segundo em que a Sociedade da Justiça voltou do Limbo, não temos mais SJA. E assim vai.

E como o Johns curte autorreferência, a gente cai no ser que anteriormente alterava um segundinho aqui e outro ali, que era o Eobard Thawne escrito pelo Johns (lembrem-se dos quadrinhos Flash Rebirth e Flashpoint). A questão é que, em Flashpoint, o Thawne já tinha mexido tanto com a linha do tempo que tinha se tornado uma anomalia. Mesmo que o futuro dele nunca existisse, ele existiria assim mesmo, pois a participação dele no passado era fundamental. Logo, o Thawne sobreviveria ao reboot sem mudanças e seria um refugo do universo antigo, por isso precisava não só morrer, mas ser eliminado das linhas do tempo das quais participou completamente, para não atrapalhar o Dr. Manhattan e seu roubo. O mesmo seria verdade para o Bart Allen, mas ele morreu em Flashpoint, definitivamente.

O problema é que essas coisas todas batem no ventilador por causa do Superdad e do Wally West que, em circunstâncias distintas, são refugos da continuidade pós-Crise nas Infinitas Terras.

Enfim, essas são as questões que eu acho que o Johns vai abordar, se continuar previsível como sempre foi. Aliás, reiterando a questão dos dez anos roubados não serem um bloco mas, sim, um segundinho aqui e outro ali, uma das principais falas do DC Universe Rebirth, última coisa que o Johns escreveu, era “every second counts” [“cada segundo importa”]. Pra mim, isso é o Dr. Manhattan removendo o Thawne completamente de todos os pontos da linha temporal em que ele aparece, pois ele era uma anomalia. Como disse, graças a Flashpoint, ele existiria mesmo que o futuro do qual vem tivesse sido eliminado. O reboot não o afetaria. Ou seja, quando se faz um reboot, ter um ser da linha temporal anterior com acesso à Força de Aceleração é pedir para que ele seja “desrebootado”.

O Flash Reverso envolvendo-se no mistério de Watchmen em arte de Jason Fabok.
O Flash Reverso envolvendo-se no mistério de Watchmen em arte de Jason Fabok.

Ok, as coisas são bem mais complexas do que pareciam. No entanto, vale lembrar que, no fim das contas, tudo se resume a acertos cronológicos. Como empresa, a DC precisa que seus quadrinhos vendam, é claro, e mexer com Watchmen novamente pode gerar altas cifras. Mas não é só isso. Ter a casa em ordem faz bem para os personagens e para os profissionais que trabalham nela. Amplia horizontes, oferece novas opções e deixa o leitor com mais ciência das coisas.

O Rebirth trouxe uma série de benefícios comerciais e editoriais para editora e fãs, mas algo ficou pra trás: a explicação. Como ele realmente aconteceu? Aficionados por cronologia (ou seja, uma grande parcela dos fãs da DC, já que este é um elemento muito atraente para nós) querem muito que esta resposta seja dada, e a editora tomou seu tempo para poder desenvolvê-la da forma que julgou mais apropriada. Isso significa que, enfim, veremos Rorschach e Batman juntos, por exemplo? Nada é certo nesta vida, mas o mais provável é que não. Como o Brunão bem disse, Johns gosta de uma pegadinha, e vai usar Watchmen apenas como base para fazer com que um personagem esquecido ou desconhecido tenha tanto destaque quanto um dos grandes. É sua especialidade. Desde sempre.

Por fim, o que o leitor pode esperar é um envolvimento “soft” de gente como Dr. Manhattan e talvez até o Ozymandias, mas, fora isso, Watchmen deve permanecer onde está. O que muda mesmo é o Universo DC, mas mais no sentido de explicação do que trilhar novos rumos; o Rebirth ainda é muito novo para uma nova iniciativa editorial revolucionária.

[Atualizado às 16:30]

Jason Fabok revelou a capa lenticular com o Flash Reverso, o que dá mais sustento às teorias comentadas originalmente nesta matéria.

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