Quimera: novo título do selo Pagu Comics

Pouco antes da CCXP, durante a loucura pré-convenção, foram lançadas algumas páginas e a capa de Quimera, novo título da Pagu Comics, selo criado pela Editora Cândido em parceria com a Social Comics.

Quimera tem roteiro de Cris Peter, com desenhos de Dika Araújo e Ariane Rauber. Bilquis Evely fez a capa da primeira edição, que estará disponível, via Social Comics, a partir do dia 20 de dezembro.

O Terra Zero conversou com Cris sobre Quimera, sobre roteiros e sobre seus trabalhos futuros. Confira abaixo:

Cris Peter. Divulgação.
Cris Peter. Divulgação.

Terra Zero: Vamos começar do começo. Do que se trata e de onde surgiu Quimera?

Cris Peter: Quimera trata de mudanças. Tanto Anna quanto Nicole (as personagens principais) estão passando por momentos peculiares. Enquanto Anna acaba de se separar e mudar para Porto Alegre, vinda de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul; Nicole acaba de descobrir superpoderes e ainda está se questionando qual a finalidade deles.

Tudo começou com um convite da Ana Recalde para que o Estúdio Complementares (coletivo do qual faço parte com Ariane Rauber, Ana Luiza Koehler e Ursula Dorada) encabeçasse um dos títulos do selo Pagu. Apesar das agendas cheias das outras meninas, eu quis muito participar, pois estou com muito interesse de desenvolver mais roteiros. Sou muito reconhecida pelos meus trabalhos de colorização, mas também tenho muito encanto pela parte de criação de histórias e quero muito trabalhar mais com isso pra descobrir se realmente levo jeito pra coisa, e estou achando que sim :D

A direção da Ana Recalde foi bem clara: ela precisava de um título de aventura/”massa véio” com heroínas. A partir daí, eu e as meninas do Estúdio começamos a trocar ideias, até que a Quimera surgiu. Mais do que isso não posso dizer, pois seria spoiler. Pessoal vai descobrir no final dessa primeira edição quem a Quimera é.

E quanto tempo levou desde as primeiras ideias até ter páginas prontas pra publicar?

Demorou muito, até mesmo porque a artista que desenharia o projeto originalmente era a Laura Athayde, com arte final da Aline Lemos. Mas por problemas de agenda, tivemos de procurar outra artista. Foi então que a Ana Recalde me mostrou o trabalho da Dika Araújo e eu quase surtei! Nem me recordo bem quanto tempo levou do convite até a produção das páginas em si, mas acredito que quase um ano, um pouco menos.

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As primeiras páginas de prévia mostram escolhas de narrativa visual muito interessantes. A história pede isso ou vocês estão aproveitando Quimera para experimentar diferentes formas de narrar?

Acho que Quimera está sendo uma maturação do meu trabalho de roteiro. Meu laboratório mesmo é o Patas Sujas, meu projeto independente. Quando chegou na hora de escrever Quimera, eu decidi colocar a cabeça pra funcionar mesmo e experimentar tudo o que eu já tinha visto de interessante em matéria de narrativa nos trabalhos que eu já havia colorido. Mas é óbvio que 50% do trabalho também é da Dika. Após ler o meu roteiro ela sempre acrescenta idéias que acabam por melhorar o trabalho de maneira geral.

O fato de ser pensada para publicação primeiro em uma plataforma digital muda alguma coisa na história ou na maneira de contá-la?

Poderia mudar, mas eu não deixei isso acontecer! Hahahaha! Eu me preocupo muito com a possibilidade de no futuro o trabalho ser publicado fisicamente, então acabei escrevendo o roteiro e colorindo a revista pensando numa futura impressão. Porém, sempre busquei deixar um gancho em cada página, pois, online, o leitor acaba vendo as páginas individualmente e não em duplas, como acontece nas revistas impressas. Tentei fazer um gancho a cada “virada” de página, mas nem sempre foi possível.

O que este selo representa para mulheres quadrinistas, especialmente neste momento que o mundo e o Brasil estão vivendo?

Com certeza a proposta do selo Pagu é importante. É uma vitrine maravilhosa para as meninas. Mostrar que fazemos material de qualidade e que nossa proposta não se restringe a romances e historinhas fofinhas. Outra questão importante da Pagu é justamente o foco de público. Não estamos fazendo histórias para mulheres. Estamos fazendo histórias, a equipe criativa é toda de mulheres, mas estamos escrevendo histórias que divirtam o público de forma geral e ponto final.

Você divide um apartamento com uma das desenhistas de Quimera. Isso muda a dinâmica do trabalho? Rola de discutir partes da história com ela pra saber o que ficaria melhor no traço dela e coisas do tipo?

Divido apartamento com uma das desenhistas. A Dika é a desenhista principal e a Ariane Rauber (que mora comigo) faz umas participações especiais que vão se revelar na história :)

Eu e a Ari estamos muito acostumadas a trabalhar juntas. Nos conhecemos desde a época do colégio, sempre gostamos de desenhar e criar histórias. É muito normal pra nós discutirmos ideias, faz parte da nossa rotina. Temos uma dinâmica bem tranquila e pensamos muito parecido, então considero que somos uma dupla pacífica e em sincronia. A escolha da Ari pra desenhar esses momentos definidos na história se deu justamente pelo estilo de traço dela. Não posso revelar muito mais. Mas talvez depois da publicação da primeira edição, a gente possa conversar novamente e fazemos uma entrevista com spoilers, hahaha!

Quimera e Patas Sujas mostram a Cris roteirista. Podemos esperar por mais deste lado do seu trabalho daqui pra frente?

Com certeza. Ainda tenho muitas ideias de roteiro guardadas aqui na gaveta. O que me levou a desenhar e colorir foi a minha vontade de criar histórias e dar vida aos meus personagens. Esse lado mais criativo ficou adormecido por muito tempo, mas agora que estou mostrando ele, não vou conseguir parar até que a fonte de ideias seque. E ainda vai demorar muito pra isso acontecer!

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