[Emulador de Críticas] Quatro dias no planeta CCXP!

A CCXP é um local no que onde você fica em suspensão do tempo-espaço. A realidade deixa de existir por alguns dias em troca de diversão, acontecimentos inesquecíveis e também tendo que enfrentar o mar de gente nas filas.

Essa é a minha segunda CCXP. Eu tive a chance de conhecer o evento em 2014, na sua inauguração. Quando entrei no São Paulo Expo, percebi que muitas coisas haviam mudado desde minha primeira vez no local. Tudo estava muito maior, o local estava melhor distribuído e o cuidado com a distribuição de estandes, artists’ alley e lojas tinham ganhado uma distribuição mais homogênea, para que todos pudessem ver o evento de uma forma mais calma.

Para surpresa dos artistas e organizadores de evento, a quinta-feira foi um dos dias mais movimentados da CCXP e, também, o mais cansativo para quem tinha comprado ingresso antecipado. O problema de liberação de quem se previne comprando ingressos antecipados foi, talvez, o maior de todo o evento. Pessoas entravam na fila da entrada e conseguiam sair de lá apenas três horas e meia depois. No primeiro dia, esse foi um dos pontos precisamos esclarecer, já que as reclamações mais comentadas pelos visitantes foram as filas imensas para entrar em qualquer lugar do evento.

Bill Sienkiewicz. Foto de Roberto Segundo

Mas nem tudo é ruim. Afinal, as filas foram o de menos. Dessa vez, o Artists’ Alley foi o grande local de todo evento. Ele realmente se transformou no coração da CCXP. Ele ficava exatamente no meio de todo o pavilhão e todos os visitantes tinham que dar aquela “passadinha” para o grande número de artistas nacionais de quadrinhos que estavam expondo seu trabalho. Os convidados especiais do evento que não paravam de dar autógrafos. Todos os artistas que estavam lá eram solícitos e aproveitavam para mostrar todo seu trabalho, autografar e ter um contato mais próximo com seus fãs. O ponto que deve se melhorar, com urgência, para a próxima edição do evento é a questão do volume dos áudios veiculados pelos estantes. Isso, muitas vezes, dificultou as coisas para quem estava expondo seu trabalho, para os estandistas ou quem estava trabalhando na cobertura da convenção.

Um evento comercial do tamanho da CCXP é, cada vez mais, alvo de produtos e vendedores diversos, que buscam nesse nicho de clientes seus novos consumidores. A grande mídia vem cada vez dando mais espaço para este público, que gosta de HQs, séries e filmes. A cultura pop deixou de ser aquela coisa que os garotos estranhos do fundo da sala de aula gostavam. Tornou-se um mercado muito atraente. Eram estandes de RPG, ou voltados para cultura oriental, ou ainda produtoras mostrando seus mais novos trabalhos e fazendo os visitantes interagir, em brincadeiras ou em painéis com personalidades.

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Foto de Roberto Segundo

A força da CCXP foi mostrada durante os quatro dias de evento. Tivemos muitos conteúdos exclusivos sendo liberados para os visitantes brasileiros. Foram lançamentos de filmes, um episódio especial de série, apresentação de projetos de HQs e editoras falando de todo seu planejamento de 2017.  Com o ponto máximo para o painel da Marvel Studios, no qual o diretor James Gunn apresentou, em primeira mão, o trailer do seu novo filme, Guardiões da Galáxias Vol. 2. Esse talvez seja o grande motivo para mostrar que um evento dessa magnitude, hoje, é uma realidade.

Outro motivo que joga ao nosso favor na CCXP é o povo brasileiro. Os artistas nacionais e internacionais com que conversei durante o evento se sentiram, todos, abraçados pelos visitantes.

Os que mais comentaram o quanto os brasileiros os receberam bem foram Frank Miller e Frank Quitely. Esse último foi pego andando muito calmamente e muitas vezes pelo Artist’s Alley e vendo os trabalhos dos artistas brasileiros.

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Delfin e Morcelli entrevistando Frank Quitely

Existe espaço para melhorar? Claro. O problema das filas pode ser amenizado de alguma forma, já que elas nunca vão parar de existir. Ter locais de alimentação com preços mais módicos, ou criar uma forma de incentivo para lojas trabalham no evento para criar cardápios com preços mais acessíveis. Lojas como Bob’s, Spoleto e Domino’s, que normalmente tem preços acessíveis, estavam com preços acima dos praticados fora do evento. Fica a pontuação para talvez a CCXP negociar com essas empresas para manter seu preço de mercado para os visitantes, tornando o evento ainda mais divertido para quem frequenta a convenção.

Mesmo com todos os problemas acontecidos por todo o ano de 2016, poder ter participado desse evento foi um algo fora do comum. Olhando pelo escopo jornalistico, dá para ver que há ainda muito para esse evento crescer. Há mais pessoas para serem ouvidas e mais visões devem ser apresentadas. Essa é apenas uma das milhares que apareceram nesse evento.

Até a próxima! E não se preocupem, ainda vamos falar muito de CCXP em dezembro.

  • Richard

    queria ter ido, não pude ir, otimo texto, teve algum painel da Warner/DC? Alguma novidade, não vi ninguem falando sobre a LIGA, Mulher Maravilha ou das series Arrowverse!

  • Adilson Alves

    Foi minha primeira CCXP e fiquei muito satisfeito. Encontrei Delfin, Márcio Fitorito e alguns youturbs. Mesmo com os problemas que o texto relata, recomendo muito o evento.

  • Fernando Alves

    Passou um pedaco da Mulher Maravilha e da Liga,mas nao sei se foram coisas ineditas. E dizem que o Alan Davis foi o mais chato da CCXP, O Bisley, Miller e o Quietly os mais legais e o Paul Pope o mais louco,junto com o Bisley rs.

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