[Análise] Uma volta às origens em Justice League: Action

Depois de mais de um ano de espera, muitas especulações sobre o tom do programa e da “decepção” por parte de quem esperava um show que que retomasse toda a gloria e o sucesso do DCAU de Bruce Timm, aconteceu. Finalmente, para desespero ou alegria da malta decenauta, chegou a estreia de Justice League: Action pelo Cartoon Network estadunidense e britânico. O Terra Zero já conferiu os três primeiros episódios e traz algumas considerações a respeito.

Se Batman: The Animated Series, capitaneado por Bruce Timm, buscava uma volta as origens da primeira série de animação feita para o cinema de um personagem da DC Comics, Superman (Fleischer Studios, EUA, 1941-42). os três  episódios de estreia de JL:A dão a impressão de também buscarem por um resgate histórico, mas do tom mais leve do clássico SuperAmigos (Hanna-Barbera, EUA, 1973-1986). A começar pelo traço de Alex Toth, que deu vida aos SuperAmigos e também a Space Ghost (1968). Coma adesão de personagens como o Supercão, Marvin e Wendy, bebiam na receita de sucesso original de Scooby-Doo (1969). A animação atual, produzida por Jim Krieg, Butch LukicAlan Burnett mostra uma grande influência de séries de sucesso do Cartoon Network. Algumas escolhas estéticas do programa remetem a soluções narrativas vistas em As Meninas Superpoderosas, como flasbacks com animação limitada e muitas hachuras de movimento no cenário durante algumas cenas de ação.


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A ação proposta pelo titulo se encaixa muito bem no ritmo vertiginoso que os onze minutos imprimem na animação. Assim como nos episódios de SuperAmigos que foram ao ar entre 1980 e 1982, que tinha apenas sete minutos e nos quais os Supergêmeos eram um núcleo-base que recebia participações especiais a cada programa, JL:A aposta na diversidade de personagens. Seus produtores já revelaram que pretendem usar mais de 150 personagens do universo DC, apenas na primeira temporada. Para o episodio 4 já estão esacaldos, Zatanna, Constantine e Monstro do Pântano. É uma estratégia clara de apresentação de todo o catálogo de heróis da editora para a criançada, ávida por consumo.

O  tempo e a estrutura do programa não permitem, por ora, o aprofundamento ou apresentação de personagens. Somente Nucelar tem um rápido flashback contando sua origem, no episódio 3. Taxista Espacial, Lobo ou Gavião Negro não tiveram a mesma sorte nos episódios anteriores. Tudo acontece rapidamente e o desenvolvimento e apresentação das personagens se dão embutidos na ação. Entretanto isso não impede que os roteiristas e animadores consigam caracterizar bem os personagens, o que possibilita que  cada um tenha personalidades bem distinta. Exemplos disso: Mulher-Maravilha é foda, Lobo é um tirador de sarro, Jimmy Olsen é descolado e o jovem Nuclear está deslumbrado com seus poderes.

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Se as silhuetas que entregaram ao mundo nerd que havia um novo programa da Liga da Justiça em produção decepcionaram muita gente, quando revelaram que o programa seria voltado ao publico infantil, o fato é que, no programa, funcionam muito bem. Existem ousadias como um novo conceito para o Parasita e os insetoides, mas há também hibridismos, como o uniforme do Gavião Negro, que relembra traços de varias encarnações do personagem. Heróis como o Caçador de Marte tem um traço infantilizado: ele ganha um cabeça ao estilo alienígenas cinzentos, que deixam o personagem “fofinho” e bem distante do peso que a personagem apresenta nas HQs. Porém, o que mais chamou a atenção foi a nova sede da Liga: um pico de montanha sobre as nuvens, na qual se projeta um holograma ou campo de força esférico. Seria a Montanha da Justiça?

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Se você é fã de Liga da Justiça ou Liga da Justiça Sem Limites e esperava o retorno triunfal da Liga aos desenhos animados, talvez este não seja seu programa. Também não fique triste, pois a terceira temporada de Justiça Jovem vem aí pra saciar você. Agora, se você é fã de Batman: The Brave and The Bold e sente falta de toda a diversão envolvendo o universo DC, acreditamos que você tem grandes chances de se divertir novamente. É para crianças e formação de novos públicos? Sim, mas não espere uma comedia pastelão, como Teen Titans Go!. Dá para adultos assistirem à animação mesmo assim: se você ama os personagens e gosta de vê-los na telinha, é diversão garantida. Porém, Justice League: Action é perfeito se você estiver pensando em apresentar seus heróis favoritos aos seus filhos, sobrinhos e netos. Sente-se no sofá, não se esqueça da pipoca e divirta-se com a garotada.

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Se Justice League: Action terá condições de  se tornar um novo clássico infantil, como SuperAmigos foi para várias gerações, vamos ter que esperar mais pra ver. A fusão entre os heróis da DC com a narrativa do Cartoon Network resgata uma velha estratégia, que pode dar certo (nunca se esqueça de que o CN nasceu dos velhos arquivos de desenhos animados da Hanna-Barbera). Vamos aguardar mais episódios e ver como a serie se sustenta.

E você, Zeronauta, já assistiu? O que achou?

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