[Review] Occupy Avengers #1, de Walker e Pacheco

Temática social inserida em quadrinhos de super-heróis não é novidade desde que Dennis O’Neil difundiu a prática em sua memorável Arqueiro Verde/Lanterna Verdenos anos 1970. Aproximar personagens normalmente envolvidos com tramas “maiores que a vida” do nosso cotidiano é uma receita para boas histórias associadas à crítica social contemporânea. Pelo título, capa e roteiro, esta parece ser a intenção do autor David F. Walker e do ilustrador Carlos Pacheco na primeira edição de Occupy Avengers.

occupy-avengers-1

Quem olha Occupy Avengers sem ler a revista, a princípio, tem a impressão de que a primeira edição é um quadrinho de equipe voltado para o cidadão comum, como algumas passagens da recente Mighty Avengers. No entanto, a primeira edição é propositalmente focada em Clint Barton e não em um elenco numeroso de heróis idealistas.

Gavião Arqueiro, nesta estreia, é um homem ressentido pela atitude que tomou recentemente em Guerra Civil II. Walker explora bem as repercussões do crime cometido pelo protagonista na saga e, verborragicamente, martela a culpa no pobre Clint durante boa parte da edição. Seja através de caixas de texto ou da nova visão que a população tem do arqueiro. Porém, em meio a este ressentimento, cabe uma pitada de resignação no herói escrito por Walker. E isso dá a motivação para que Barton se envolva em causas mais “pé no chão”.

occupy-avengers-2

A primeira história em Occupy Avengers leva o Gavião Arqueiro até a cidade de Santa Rosa, no estado do Novo México, em uma investigação sobre contaminação de lençóis freáticos em uma reserva nativo-americana. Essa é a oportunidade para David Walker introduzir o personagem Lobo Vermelho na história e iniciar a parceria contrastante entre os dois heróis.

Não dá para disfarçar que a dinâmica entre Gavião e Lobo é bastante semelhante a de Oliver Queen e Hal Jordan na supracitada obra de O’Neil. O diferencial é que o herói nativo-americano é pontual, duro e sorumbático em sua crítica, e seu “parceiro” está muito longe de ser o intransigente Lanterna terráqueo. Clint Barton é o americano comum: iludido pela “grandeza” de sua nação, ele tenta fazer o bem, mas ainda não percebe toda a extensão do estrago feito em algumas regiões dos Estados Unidos. O Lobo Vermelho serve como um sutil, mas ácido, choque de realidade neste caso.

occupy-avengers-3

Walker, apesar do texto um pouco excessivo no início, consegue balancear sua história, calcada em investigação e reflexão com ação. Especialmente da metade para o final da edição (justamente no ponto em que a coisa começa a ficar monótona), o quadrinho se assume super-heroico de fato, com direito ao tradicional “quebra-pau” contra bandidos genéricos, pontuado por caixas de texto motivacionais, uma cena de “cavalaria” bem característica do gênero e até um gancho final com um vilão de segunda categoria da Marvel.

A arte de Carlos Pacheco em Occupy Avengers é totalmente funcional e passa quase despercebida durante boa parte da história. Pacheco tem um talento para carregar os proverbiais pianos narrativos e faz de tudo para deixar a primeira metade da história visualmente interessante para o leitor, sem prejudicar o roteiro meio morno do inicio da história. Nas cenas de ação, logicamente, o ilustrador tem um pouco mais de espaço para mostrar seus dotes de fotografia super-heroica e torna a segunda metade da revista agradável e inteligível, mas nada memorável visualmente. Uma apresentação bastante consistente e que, de forma alguma, prejudica a leitura.

occupy-avengers-4

Occupy Avengers ainda não é um quadrinho de equipe. Isso é seu maior trunfo. Levando a formação do elenco de maneira cadenciada e apostando na mistura de temas sociais atuais, dramas pessoais do protagonista e ação, David Walker e Carlos Pacheco podem estar construindo de fato um título diferenciado na nova Marvel. Principalmente se tratando de Vingadores, Occupy é bastante diferente do resto da linha. Tem um ritmo quase saudosista e uma arte que contempla tudo que o roteiro propõe a dizer. O caminho será longo e tortuoso na vida destes heróis (e, provavelmente, na dos criadores). No entanto a franquia parece uma boa ideia, em meio a tantos títulos dos Vingadores atualmente.

4 Comentários

Clique para comentar

um × quatro =

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com