DC Comics Nacionais Necessaire

[Necessaire] Remember me as a Time of the Day

Olá, colega Zeronauta. Bem-vindo mais uma vez à minha coluna, Necessaire. Hoje, quero usar este espaço para falar sobre a relação mentor/aluno que vemos em alguns personagens.


Eu escolhi como título o nome de uma canção, Remember me as a time of the day, ou “Lembre-se de mim como uma hora do dia”, porque quis trabalhar, aqui, a relação entre um mentor e seu aluno, pois assim o aluno um dia irá se desenvolver e virar uma versão própria de si mesmo, não tendo seu mestre como seu objetivo, mas como parte da sua construção,. Deste modo, ele poderá olhar para o que aprendeu, ver seu mestre e lembrar-se dele como se fosse uma hora do dia: está lá, sempre estará, mas não é quem você é.

Quero abordar quatro relações para explorar diferentes vertentes deste relacionamento.

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Primeiro: Barry Allen e Wally West: O que dizer quando uma criança conhece seu herói? E se esta mesma criança ganha os mesmos poderes que ele e se torna seu ajudante? Uau, que sonho! Esta é uma parte da vida de Wally West, o menino que veio de um lar bagunçado, brigas, e um dia conheceu seu ídolo, o Flash. Não fosse o suficiente, o mesmo acidente se repetiu com o fã do herói: o raio caiu uma segunda vez no mesmo lugar e Wally ganhou poderes da força da aceleração, nascendo assim o Kid Flash. A relação de Wally com Barry, é uma das mais bonitas dos quadrinhos: ambos são importantes na construção um do outro, mas, para Wally, Barry não foi só o seu exemplo de herói, mas também de homem. E um dia veio a Crise. Ela atingiu infinitas Terras, e seu mentor, seu herói, se foi. Como um grande herói, Barry se sacrificou para salvar o Multiverso, deixando seu pupilo com seu uniforme acabado nos braços. Para honrar seu sacrifício, Wally decide assumir o manto de Flash, para que a memória e o sacrifício de seu antecessor não fossem esquecidos. Ao longo de seus anos como Flash, Wally, que amava tanto seu mentor e queria honrá-lo, teve que aprender que não poderia ser uma versão de Barry Allen, mas o melhor Wally West que pudesse ser. Conseguiu romper seus bloqueios de não querer superar seu herói, alcançou seu potencial, se tornou o Flash mais rápido, inspirou outros heróis, teve sua jornada, honrou seu ídolo e abraçou a pessoa que era.

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Segundo: Batman e Robins: Aqui temos quatro exemplos, mas vou usar apenas os três primeiros, porque são os que já se graduaram na escola de Robins do Batman. A relação do Morcego com seus discípulos é diferente da de Barry e Wally. Vemos relações muito mais cheias de cores e camadas, com cores escuras e camadas profundas. Ao mesmo tempo em que Bruce Wayne acolheu estes meninos e fez deles heróis, sabemos que também foram relações conturbadas, abusivas, com brigas, ressentimentos e recomeços. Entretanto, Batman deus a seus Robins as ferramentas para se tornarem os melhores que poderiam ser, em artes marciais, investigação e justiça. Cada um com sua história, marcas e graduação, mas os três se formaram. Dick Grayson se tornou o Asa Noturna. Jason Todd, o Capuz Vermelho. Tim Drake, o Robin Vermelho. Cada um com sua própria identidade, características, conquistas, lutas, perdas, frustrações e equipes. A relação deles com o Batman é menos de honrar o mentor (como no caso de Wally), mas de seguir a sua paixão pela justiça: cada um de seu modo, mas todos numa mesma linha. Sendo mais agressivo (como Jason), analítico (como Tim) ou otimista (como Dick). Eles se tornaram indivíduos únicos, mas o Batman ainda está lá em sua formação. Como uma hora do dia, sempre está lá, mas ela passa.

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Terceiro: Oliver Queen e Roy Harper. Esta relação é uma das mais pesadas de legado da DC. Temos o babaca Oliver e o problemático Roy, Oliver adotou Roy. Ensinou ele as artes de arco e flecha e o pupilo se tornou melhor e mais rápido, o Speedy/Ricardito. Então Roy cresceu, seguiu seu caminho, entrou no fundo do poço, viciado em heroína, perdeu um braço e sua filha, e quem estava lá por ele? Não Oliver. Oliver o tirou de sua vida, considerando-o uma vergonha. E Roy teve que se reerguer sem seu mentor, e conseguiu. Superou suas lutas, se levantou, recebeu apoio de seus amigos Titãs e não quis se tornar igual seu antigo mestre, Roy quis distanciar o máximo possível sua imagem da de Oliver, tornando-se Arsenal. Atualmente, no momento editorial do Rebirth, os dois sequer se falam. Eles romperam laços. Acho isto muito triste, mas sua relação foi de todo ruim? Não. Oliver ensinou ao Roy como ser um herói, deu a ele as capacitações para isto. A separação foi brusca, cheia de marcas e pesos, não teve recomeços, mas existiu e ajudou Roy em sua caminhada.

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Quarto: Carol Danvers e Kamala Khan. Kamala, uma jovem de 16 anos que, um dia, vê sua vida mudada ao desenvolver poderes, que fazem ela mudar de forma: o corpo dela adapta pro que ela quiser e muda pra como quiser. Nestas horas, o que seria a coisa mais lógica a fazer? Mudar pra ser como sua super-heroína favorita, claro. Kamala, grande fã da antiga Miss Marvel, atual Capitã, Carol Danvers, se vê na chance de ser como ela: branca, loira, de maiô e botas, como costumava ser seu uniforme. Mas, ao longo de sua história de origem, Kamala viu que não podia mudar quem era e se tornar a Carol, mas poderia ser a melhor Miss Marvel, como Kamala Khan, e assim ela foi formando a própria identidade, mas ainda muito espelhada em sua inspiração, querendo que esta se sentisse orgulhosa. Recentemente, Kamala aprendeu o que todos aprendemos quando conhecemos nossos heróis, ou mesmo com quem tem os melhores pais do mundo, que eles também erram: na Guerra Civil II, Kamala se viu decepcionada com sua heroína. A nova Miss Marvel ainda é inspirada por ela, mas menos: está muito mais focada em inspirar outros, e fazer o que é certo por si só, do que em seguir a imagem da Capitã Marvel. Carol sempre vai ser uma referência para Kamala, mas ela não é mais seu objetivo como heroína.


Então meus caros leitores, com estes exemplos de relações entre um mentor e um pupilo, quis mostrar alguns pensamentos e lados desta relação. Quando se é professor ou aluno, algo que todos seremos ou um ou outro ou ambos na vida, fazemos parte de uma construção, de um legado, de uma transmissão de conhecimento ou de formação. Como professora, eu digo que meus alunos me ajudam a ser uma pessoa melhor. Como aluna, digo que meus professores ajudaram na minha formação.

Às vezes, relações são boas. Às vezes, duras. Às vezes, um pouco de tudo. Mas cada uma nos ajuda a sermos quem somos, e podemos tirar o melhor proveito disso. Por isto sou tão fã de legado: através dele, vemos heróis se formando, caráteres sendo moldados e, também, que uma parte do mentor sempre vai continuar em seu aluno, assim como uma hora faz parte de um dia.

  • Cristiano de Andrade

    Que texto maravilhoso!!! Parabéns!